Isto faz-me recordar os tempos em que havia televisores de alta definição à venda e estávamos a anos luz da TDT.
De qualquer forma os preços não são tão proibitivos como os 50 contos (250€) dum bom receptor digital DAB na altura (1998) e à volta de 20 (100€) um médio. Agora é cerca de metade 139€ um bom e 59€ um médio. Há vários rádios DAB+ base nas lojas digitais na casa dos 30€. Mas a questão é mesmo essa. Por 35€ compra-se um Chromecast e tem-se acesso a milhares de rádios na internet.
Adiar a entrada da Rádio Digital em Portugal a meu ver vai dar o mesmo que a Televisão Digital (TDT). Um desastre quase total, com boicote até por parte dos operadores privados como a SIC e a TVI que se estão a marimbar para a TDT.
Como a RDP está escaldada da DAB que mandou encerrar em 2011 e não tendo a rádio pública o menor sinal de avanço acho mesmo que podemos perder de vez este comboio. E não sei mesmo se não seremos dos primeiros do Mundo a encerrar a TDT também.
De facto, é como existir TV a cores e querermos ver a preto e branco...
Ainda acalento a secreta esperança que a BAUER acorde o marasmo português...
Reafirmo que devemos manter-nos atualizados com o que se passa, na restante europa (da qual vamos ficando cada vez mais afastados), no âmbito da rádio digital: https://www.worlddab.org/news
Ora bem: efetivamente não são preços extremamente elvevados. Não obstante, para quem como eu liga uns phones no telemóvel a servir de antena, e consegue apanhar com bom sinal, RDS e RT estações a mais de 100 km do meu local de escuta, parece-me um custo um tanto ou nada exagerado. Mas eu tenho possibilidade de atualizar. A grande questão é: e quem não tem? Vai acontecer o mesmo que com a TDT ou o que ia acontecendo quando um PM queria obrigar todos os veículos a ter um identificador, e felizmente foi travado pela maioria parlamentar do seu próprio partido? Atenção, há ainda um grande índice de pobreza em Portugal. Muita dela está oculta, envergonhada. Portanto, avançar para a transição sim, mas com três condições essenciais:
1. Existência de verbas para a troca dos postos receptores, financiadas pelo OE ou pelo FEDER (o PRR teria sido muito interessante para este fito, mas está programado integralmente).
2. Assegurar que as emissões em FM coexistem durante um período razoável de tempo, diria que uns 3 a 5 anos (ainda que não seja com a totalidade do Parque Emissor).
3. Apoiar as estações com um mecanismo combinado entre incentivo reembolsável e não-reembolsável: sim, desde a RDP às privadas, estamos a falar de elevados custos de transição. Custos esses que poderiam servir para, por exemplo, melhorar salários de RH's, num contexto em que a pressão para aumentos é maior, e onde a publicidade tenderá a retrair. Não ignoro, contudo, a poupança futura que o DAB + trará em eficiência energética, pelo que uma combinação desses dois mecanismos de financiamento será essencial. Não esqueçamos que no âmbito do FEDER, com exceção da RDP, R/Com (porque é uma entidade privada sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública) e das rádios religiosas (Maria, Esperança, etc) que têm direito a 100% de taxa de financiamento (Regulamento de Isenção Geral e Categoria de Bruxelas), a taxa de financiamento através do FEDER não deverá ultrapassar os 75% para os emissores situados no Norte, Centro e Alentejo, e de 50% para Lisboa e Vale do Tejo e Algarve. Para as Regiões Autónomas nem há possibilidade de recurso ao FEDER. Portanto, mais uma vez, perdeu-se uma oportunidade de ouro para modernizar o setor com o PRR. Mas que é preciso atentar nestes fatores, sem dúvida que é. Se o Governo está disponível para isso? Não me parece, mas tenhamos esperança no P2030 que há de começar a lançar avisos em Setembro. Dependerá também muito da pressão de cada um dos grupos de rádio. Mas também tenho a percepção que em nenhum deles existe muito quem domine estes mecanismos, e, por inerência, a pressão a exercer sobre a tutela será diminuta.