Continuamos com estas conversas de uma tecnologia ultrapassada, limitada e primitiva para os padrões atuais, que é o FM. Com o DAB+ nada disto acontece: interferência, ruído, limitação da gama de frequências áudio, impedimento de audição da estação da preferência do ouvinte, devido à limitada cobertura, elevados custos de manutenção e operação, etc., etc. Vamos na última carruagem em termos de tecnologia de difusão de rádio (fim de linha, parece que não somos Europa), todos vão à nossa frente.
Aqui neste ponto está coberto de razão e fica muito mal ao poder político não forçar qualquer investimento com recurso aos fundos estruturais, ou, como teve oportunidade, do PRR, para pensar no DAB +, que note-se, também já não é uma tecnologia tão recente quanto isso. Ainda que, como o Luís já explicou, o FM tenha também alguns pontos a favor, não podemos ficar a parecer uma extensão de África na cauda da Europa. Pedir às rádios privadas que o façam, muito menos a locais, quando é conhecido de todos as condições financeiras que enfrentam, é demasiado. É verdade que terão poupança energética futura, o que também gera externalidades positivas para o país, mas o retorno é tão postecipado no tempo que não compensa o investimento inicial. E se noutros sectores e indústrias, ao abrigo do FEE/FAI (agora FA) existem apoios, porque não para a rádio?
Os próprios consumidores deverão ser apoiados na troca dos recetores. Dito isto, acredito que a má experiência da TDT possa levar os governos a terem falta de coragem de dar essa orientação de política.
Deixo este artigo de 2017, que explora ainda melhor, os pontos em que toquei:
https://www.dn.pt/sociedade/portugal-sem-condicoes-para-acabar-com-a-radio-fm-5619192.html
Aplaudo o que foi dito!
Acrescento ainda, a título de curiosidade e com algum sentido de humor, que estive num stand de automóveis há bem pouco tempo e constatei que, nos extras que eram incluídos e muito publicitados em todas as viaturas, era indicada a disponibilidade de receção DAB... Apenas sorri perante tal facto!... 
Ora aí está. Sabem quando se vai resolver esta questão? Quando daqui por uma década os emissores DAB + deixarem de captar FM por se ter tornado obsoleto noutras geografias e, ao entrarem na fronteira portuguesa, perderem o sinal de rádio. Aí sim, isto muda...
Quanto ao stand, eis a justificação:
https://industryeurope.com/sectors/transportation/digital-radios-in-cars-compulsory-under-eu-mandate/Como em muita coisa, resta-nos Bruxelas, alguma iniciativa privada e uma academia que prima em estar ao nível das melhores da Europa, senão até a América Latina era bem capaz de nos ultrapassar em inúmeros indicadores de desenvolvimento.