O Fernandes Andes tem muita razão, mas também era importante ouvi-lo sobre um possível futuro da TSF num país com uma informação tão alarmista (não confundir com sensacionalismo).
Nos comentários nas redes sociais a esta crise da TSF, e longe de serem apenas os "trolls" do costume, toda a gente diz que estava demasiado agarrada ao poder político. Uns acusam à esquerda, outros à direita.
Quando isto acontece mais numa rádio privada do que na do Estado...
Não é por acaso que digo que o que mais gosto de T S F é a música.
Eu sei que é um «mau» motivo para a escutar mas, para o meu gosto, a T S F é a estação que apanho no auto-rádio que passa a melhor música, sobretudo no horário nocturno.
Adoro o facto de uma rádio de playlist me fazer ir ao SoundHound descobrir, mais que uma vez, uma canção.
As outras são tão previsíveis.
Tirando a música, o que me agarra à T S F é o Estado do Sítio, os noticiários à meia-hora, as investigações (cada vez menos), o desporto, os Sinais e, aos Domingos à noite, já piquei o «Princípio da Incerteza».
Quanto ao facto de estar agarrada ao poder político: o que me afasta da T S F são os múltiplos espaços de debate e de paineleiros políticos, de todos os quadrantes. É uma linguagem, que reconheço que seja importante para a sua sobrevivência, vocacionada para empresas.
Não gosto do facto dos animadores não se apresentarem em antena. Não peço que sejam parvamente felizes e amigáveis como a maioria dos programas da manhã das rádios musicais, nem que me tratem por tu.
Mas gosto de sentir que falam comigo, comunicam comigo.
A T S F é uma rádio extremamente formal. Tal como a Antena 1, tem que usar melhor o digital. É certo que, por exemplo, no Radio Garden é a estação portuguesa mais ouvida. Mas precisa de usar o digital como a Rádio Observador, que é a melhor rádio de palavra a fazê-lo.
Por fim, sobre a cor política da estação:
A T S F foi fundada por gente assumidamente de Esquerda, num tempo em que sê-lo, para além de ser aceitável, em certos aspectos, era bem visto pela sociedade.
Não creio que tenha uma linha editorial que privilegie alguma geometria em particular, mas é inegável que alguns dos seus quadros são de Esquerda, tal como os da Rádio Observador são de Direita.
Contudo (e vou ser fortemente criticado), um Fórum é, por exemplo, mais isento que um Contra-corrente.