Sou tendencialmente contra a nacionalização de um órgão de comunicação social.
Creio que, para uma democracia europeia saudável, a maior fatia da comunicação social deve estar em mãos privadas, sempre em complementaridade com um serviço público robusto e relevante.
Contudo, as nacionalizações podem não ser o bicho papão que muitos advogam. Em situações cirúrgicas, são bastante úteis para os Estados. Vejamos exemplos de outras democracias que, em caso de crise, nacionalizam sectores importantes para o país.
Se a TSF é um elemento importante para o país?
A meu ver é!
Se a nacionalização e/ou a alienação do seu parque emissor e da maioria dos seus quadros na RTP seria o ideal?
Tenho dúvidas, pois, além do perigo de aglomerar meios em torno do Estado, a nacionalização da TSF seria uma enorme incongruência às linhas mestras que foram traçadas por Emídio Rangel e os restantes membros fundadores da cooperativa. Seria o regresso da informação radiofónica à «quietude podre das ondas e dos que não admitem o aparecimento de quaisquer alternativas às emissoras do Estado e da Igreja.»
A RTP, caso queira (e deve ter) uma Antena 4 na sua oferta, não deve ser à custa da TSF.
A TSF deve existir, em força, mas em mãos de privados.
Se, neste momento, nenhum privado quer avançar, então sim, nacionalize-se os activos temporariamente e os reestruture, para depois, vender a um privado sério e com capital e visão para o sector.
Já assinei a petição e irei contribuir, com o que puder, para os valorosos profissionais!
Um forte abraço de solidariedade e um bom ano a todos!