Não é que já importe muito, pois por muito que se queira tapar o sol com a peneira, o pessoal sub-25 está-se mesmo a divorciar da rádio terrestre - isto se ainda souberem sequer o que é isso.
Mas, dizia. Se ainda houvesse possibilidade de a Antena 3 apanhar uma audiência menos de meia-idade, teria mesmo que carregar mais no hip-hop, nas eletrónicas, na "modernidade afro-latina" e territórios adjacentes. E não teria necessariamente que andar a passar "Despacitos" e quejandos. Bastaria apenas perceber que o rock, nos dias que correm, é o mesmo que o jazz de há uns bons anos para cá: música dos pais, dos tios mais velhos e, em última instância, dos avós. Basta chegarem-se perto de qualquer Liceu ou Faculdade para se perceber isso.
O quê? Como os espanhóis dizem,
que barbaridad... De onde vem essa ideia?
Claro que tenho amigos e noto muito pessoal da minha geração completamente doido por lendas como Pink Floyd ou Led Zeppelin e vendo-os - como eu - como referências extraordinárias (e a internet veio ajudar quebrar completamente a barreira do tempo quanto à música) mas essa é uma visão muito redutora e fora da realidade. Os Royal Blood por exemplo estão na boca de toda a gente que conheço que gosta de rock e esgotaram o Campo Pequeno, sem serem ainda uma banda muito conhecida em Portugal (para além de que eu saiba, não passarem em nenhuma rádio regularmente). E depois ainda há sempre o nicho forte do metal.
O rock, e aà sim concordo, está "fora de moda" para o grande público, longe dos tops (daqui a uns tempos provavelmente volta, são ciclos) e é praticamente um nicho, no qual as rádios pouco ou nada querem saber dele. Em Portugal neste momento temos rádios de hits e depois temos as alternativas focadas quase exclusivamente no indie e a roçarem o hipster, faz mesmo muita falta uma rádio rock ou pelo menos um meio-termo como foi a 3 até 2012... Teria mais público que o miserável 1,4% de audiência da 3 ou que a Vodafone e SBSR juntas, não tenho grandes dúvidas.
Mas o rock não está morto como já se disse 500x na história da música. Red Hot (encheram o SBSR), Foo Fighters (encheram o Alive) e QOFSTA são bandas históricas mas continuam aà bem vivos com música
nova que atrai novo público, e agora Royal Blood ou Nothing But Thieves a rebentar. (nem vou comentar Pearl Jam, estou cá com uma azia de já estar esgotado...

)
A 3 é que se enfiou num mundo indie (que tanto tem boa música como muito má) por opção, e só passa a mesma música dos mesmos QOFSTA por e simplesmente por que lhes agrada. E não é vivendo numa bolhinha indie que vão atrair público mais velho, se é isso que querem.
E atenção que gosto de indie, adoro Tame Impala, Capitão Fausto...e para mim os War on Drugs fizeram a melhor música do ano. A 3 passa também é indie muito mau, quando não devia excluir rock mais mainstream de qualidade.
De resto subscrevo a 100% o comentário do Luis - se é que me permite tratá-lo assim - e foi muito disto que a 3 fez antes de 2012, como ando sempre a falar.
Quanto a uma grande parte (
não todo) do pessoal sub-25 em que me incluo estar a leste da rádio tradicional, é uma coisa normal e previsÃvel com tanta concorrência e o tempo em que vivemos, mas também é muito culpa das rádios.
Já disse aqui, eu cresci com o pior perÃodo que a rádio em Portugal deve ter tido - os anos 2000. Se não tivesse encontrado os programas e os radialistas que fugiam da música a metro e que me faziam colar à rádio, não estaria aqui. Para quem não os encontrou/encontra, a rádio não lhe diz nada, continua a ser uma coisa com música repetitiva e notÃcias e relatos pelo meio, agora com mais palavra nos últimos tempos mas que vai ser demorar algum tempo a ser realmente aceite pelo público.
Lá está, o seu comentário sofre do velho problema da generalização… Os jovens são só o público mais heterogéneo que existe, e neste momento mais que nunca.