É um problema essa falta de renovação, é verdade. Mas a outra grande verdade é: e onde vão buscar essa malta nova, numa altura em que os mileniais estão cada vez mais divorciados da rádio terrestre? É que se alguém acha que o ouvinte tipo da Cidade ou da Mega é assim tão jovem, desengane-se! A média etária dos ouvintes dessas estações está mais próxima dos 30 e poucos do que se julga. Os "putos", na sua maior parte, se ouvem rádio, é em podcasts. E quem os pode censurar? A liberdade que um comunicador tem neste meio nem se compara à total formatação em que a rádio tradicional caiu - incluindo as ditas estações alternativas. Mais para mais, quem se safa em podcast está lá interessado/a em migrar para um meio anquilosado como as ondas hertzianas! Isso era como, a certa altura, estarem a pedir a uma estrela do FM para se transferir para o AM. Nenhum dinheiro no mundo compensaria o baixar de status que daà adviria, creio.
Enfim, isto é muito mais complicado do que se quer fazer.
Vamos por partes.
A renovação na 3 já devia ter começado há 6 ou 7 anos, pelo menos. Agora sim, já pode ser tarde demais, a rádio já é irrelevante demais para muita gente para fazer mudanças completas. Tiveram muito tempo para o fazer, não quiseram.
Há uns tempos diziam por aqui que a 3 nunca mais chegaria aos resultados e à importância de há uns anos, eu ainda tinha a esperança que não fosse assim mas agora já acredito muito nisso.
Os jovens estão completamente desencantados com o mundo da rádio com casos como o da 3. São muitas casas completamente fechadas onde só bateriam com o nariz na porta. Tornou-se um sonho quase romântico trabalhar em rádio. Ou vão trabalhar para a Mega (se forem da U.Católica) ou para a Cidade, ou não têm lugar em mais lado nenhum.
Mesmo assim, as rádios universitárias estão cheias de gente com ideias novas e a paixão pela rádio. Quanta gente com talento para a rádio tem que seguir outra coisa qualquer por falta de espaço…
Depois para mim o modelo da Mega e da Cidade é completamente ultrapassado, num mundo com Youtube e Spotify os jovens já não têm a sua meia dúzia de artistas que ouuem religiosamente, como estas pensam. Têm gostos cada vez mais ecléticos, muito mais que os hits do costume que estas passam (e devia ser nesta ideia que a 3 devia ter pegado).
Concordo completamente com a ideia da formatação que deixou a rádio tão aborrecida e monótona, mas não concordo muito com o que é dito na parte final porque os youtubers não pensaram 2 vezes em ir para a rádio quando foram convidados, não acho que para eles seja tão desinteressante… E praticamente todos os podcasts mais ouvidos ainda são os programas da rádio.
Os youtubers que têm/tiveram rubricas radiofónicas são os de "linha média" - leia-se: os que ainda não vivem/viviam só dos vÃdeos. Se alguém se chegasse ao pé de qualquer um dos youtubers da Casa para fazer "perninhas" na rádio ou sequer na TV, podem ter a certeza que a resposta seria uma monumental gargalhada, seguida da apresentação de números de faturação que, em quase todos os casos, já chegam aos cinco dÃgitos mensais à esquerda. No fundo, os que aceitaram o desafio da rádio fizeram-no mais como um trampolim/cheque do que outra coisa.
Sim, é verdade que as rubricas radiofónicas ainda são os
podcasts mais ouvidos/descarregados. Mas mesmo isso já começa a mudar de forma gradual. Ainda assim, vai de encontro ao que escrevi acima, porque é essencialmente essa rubricas que os mais jovens ouvem, no que à rádio diz respeito. E isso vem de encontro ao mundo
on-demand no qual muitos deles já praticamente nasceram e que lhes possibilita ouvirem/verem o que querem às horas que querem. Não precisam de estar literalmente a aturar uma
jukebox pré-programada para chegarem às partes que gostam, porque para isso têm o Spotify, o YouTube e quejandos, onde até podem ser eles, se quiserem, a dar-se a esse trabalho.
E só para acabar: uma boa parte dos animadores da Mega e da Cidade não fazem só aquilo, quanto mais não seja porque o que por lá ganham não chega para pagar as contas. E isso já vem, pelo menos, desde os anos 90, quando a rádio era, acima de tudo, um trampolim para uma carreira televisiva. Hoje em dia, a rádio é apenas onde se vão safando enquanto não são DJ's,
stand-ups ou outra coisa qualquer a tempo inteiro.