Curioso.
Num fórum de rádio falar das rádios nacionais é viver dentro de uma caverna onde nem se vê a luz.
Espantoso!!!!
Então a luz estará onde?
Nas rádios locais?
Quando abri aqui o tópico da Rádio Altitude (apesar de tudo uma rádio com boa I formação local), escrevi que durante uma semana, em que tive algum tempo, só ouvi rádios locais, das 7 até 19, 20 h.
E panorama é pavoroso. Muita música à metro com locutores inclassificáveis, outras nem locutacao tinham, outras com programas emitidos noutras rádios, nomeadamente um programa de apanhados ( tipo Nilton), que várias rádios emitem. Até à Rádio Portuense ouvi, durante uma tarde e só ouvi música sem locução.
Salva se no Porto, a Nova e Nova Era e não me lembro de mais nenhuma.
Portanto sair das cavernas e ver a luz é isto?
Como não está relacionado com a AVFM passei para aqui:
Eu que não tenho nada que ver com rádio, que nunca pus um pé dentro de um estúdio, vou dar a minha opinião, pensando no racional económico e também na missão de serviço público que, enquanto ouvinte, entendo que tem de existir.
As rádios nacionais, incluindo os agrupamentos de "pseudo" locais (e uma ou outra local da AML/AMP) jogam num campeonato totalmente à parte. É exatamente como ver jogar o Juventude de Évora ou o Real Madrid. É tudo futebol, como é tudo rádio, mas as semelhanças ficam-se por aÃ.
Não obstante, tal como nos jogos das distritais existe público, também no caso das rádios locais ele existe. Onde é que as nacionais falham e o serviço público também? Informação regional e público senior.
Quais as soluções que proponho?
1. Informação regional: aqui não deveriam falhar, nomeadamente a Antena 1, a TSF, a Rádio Renascença, a M80 (por ocupar a rede regional do sul, deveria ter uma vocação informativa) e diria que também a Observador. A meu ver, em todas as rádios notÃcias e nas que ocupam as redes regionais (que deveriam ser sempre rádios informativas) deveriam existir 4 a 5 noticiários por dia feitos para as regiões e a partir das regiões. Não sei se isso obrigaria a desdobrar RDS ou não, mas digamos, que, por simplificação e pensando no caso da A1 para os emissores com mais de 10KW, sairia um noticiário do emissor da Amarela/Sameiro/Valença (Minho), um de Bornes/Minhéu/Marão/Marofa (Trás os-Montes), um do Monte da Virgem (AMP), um da Lousã/Montejunto/Gardunha (Centro), um de Monsanto (AML), um de Mendor/Portalegre/Grândola/Vila Boim (Alentejo) e outro de Monchique/Monte Figo (Algarve), a que acresce ainda a cobertura especÃfica da A1 e A1 Açores. Não haveira qualquer prejuÃzo para o ouvinte, até porque em grande parte de uma região, conseguiria ouvir as noticias das regiões vizinhas, o que também pode ser útil. As restantes informativas, adaptando à realidade do parque de emissores, deveriam adotar a este esquema. Isto deveria ser obrigatório por lei, nem vislumbro outra opção. A informação regional é um direito, é fundamental à vida das regiões e cria empregos no setor descentralizados de Lisboa. Para além dos noticiários regionais, dever-se-ia fomentar a produção de progrmas e painéis (oua participação de um animador da região localmente e informação de trânsito), pelo menos numa fase inicial entre Lisboa e Porto, alargando, progressivamente a outras cidades, tendo, contudo a consciência de que somos um paÃs pequeno e o problema da escala começar-se-ia a fazer sentir, como se faz hoje nas locais. Não tenho grandes dúvidas de que esta mensagem bem passada, faria crescer o consumo de rádio substancialmente.
2. Público senior: vai ser muito pouco ortodoxo, mas eu transformaria a Antena 3 numa rádio para o público 65+. Porquê? O Serviço Público deve estar onde não estão os privados. E claramente, nas rádios jovens, os privados apostam. No público sénior, viu-se o fim que teve a SIM. Assim veria com bons olhos um projeto similar à SIM, que permitisse libertar a Antena 1 da obrigações religiosas, que tivesse verdadeiros programas de companhia, com chamadas dos ouvintes, discos pedidos, muita música popular e tradicional portuguesa, muito do que é feito nas locais hoje em dia, mas com muito mais qualidade. Usaria também esta rede para, ao final de semana, alargar a cobertura desportiva, por exemplo, à Liga de Honra e jogos de outras modalidades. Poderia pensar-se em horas de desdobramento local pelo parque de emissores que referi em cima para a Antena 1. Já quanto à s locais, criaria 4/5 frequências por região, que até poderiam ser partilhadas por argupamentos de rádios, em função do registo a que se destinam, ou abriria concurso para os projetos existentes, que teriam de cumprir requisitos prévios, por forma a manter as que estão a fazer um bom serviço e a permitir melhorá-lo. O caderno de encargos teria de ser (quase) tão exigente quanto para as nacionais. As SuperBocks, Meo's, Vodafones poderiam concorrer à s redes regionais, mas duvido que tivessem interesse nisso, passando a ter de emitir fora de Lisboa, e cumprindo o caderno de encargos. Para além disso, não sei se em Trás-os-Montes ou no Algarve, não terÃamos frequências a ficar desertas.
3. Aumento das frequências (quase) nacionais: para além da A1, A2 e A3, Renascença, RFM e Comercial, contaria com mais seis redes: M80 que deveria passar a ter uma informação forte, TSF (fim das redes regionais), MegaHits, Cidade FM (estas duas últimas teriam de absorver algum do conteúdo que hoje só toca na Antena 3, como moeda de troca pelo aumento de emissores), Observador e uma rádio com um forte pendor desportivo, que deveria ser pública.
Finalmente, a Smooth e a Ãfrica. No caso da primeira, parece-me um projeto que poderia passar a ocupar a rede da Antena 2, numa subconcessão com prazo definido eventualmente renovável, tendo, contudo de assegurar a passagem de música clássica em percentagem a definir. Os noticiários ficariam a cargo da redação da Antena 1. Seria um negócio, a meu ver, vantajoso para ambas as partes, caso bem feito. A RDP Ãfrica deveria ocupar uma das redes regionais de Lisboa (que no caso da AMP e da AML, caso fosse possÃvel, poderiam ser 5).
Em suma, ficariamos com, no máximo, por região, 17/18 rádios. A espaçar a 0.4 terÃamos facilidade de ter menos rádios, mas um espectro mais limpo e com qualidade. O que ficasse livre, poderiam ser aberto concurso para microcoberturas, à s quais as rádios dos grandes grupos ficariam determinantemente proibÃdas de concorrer/tornar retransmissores.