Autor Tópico: Futuro da Rádio em Portugal  (Lida 93665 vezes)

Atento

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #90 em: Dezembro 11, 2019, 09:45:17 pm »
Conclusões muito interessantes vindas do Reuters Institute Digital News Report 2019:
- 41,5% dos portugueses dizem "estar cansados da quantidade de notícias com que se deparam atualmente", o que pode explicar muito das fracas audiências das rádios de informação.
- 34% dos portugueses dizem ter escutado pelo menos um podcast no período de análise do estudo, ficando assim Portugal no 6º lugar na média mundial de escuta só atrás de Coreia do Sul, Espanha, Irlanda, Estados Unidos e Suécia.
- Mais de metade dos portugueses entre os 18 e os 24 anos escutaram algum podcast "no último mês", o que não me espanta nada pelo que vou vendo por aí e só quebra de vez o mito de que os jovens só querem ouvir música a metro, e que pode fazer com que as rádios jovens apostem (felizmente) ainda mais em palavra.

Fonte: https://rr.sapo.pt/noticia/174736/cansados-das-noticias-um-em-cada-tres-portugueses-ja-evita-noticias-online
Relatório completo: https://obercom.pt/reuters-institute-digital-news-report-2019-portugal/


Mas os podcasts que lideram são os ligadas à informação&Ciência.

Concordo contudo o que foi dito aqui.
Sobre o facto das pessoas cada vez mais estarem enfadadas com as notícias que ouvem, mas existindo essa contradição no facto de se ouvirem muitos podcasts de informação e ciência, creio que o busílis está no que nos é (e o ângulo de visão) do que nos é transmitido.

Pessoalmente, estou farto de politiquices e de crises. Na impressa europeia e, muito particularmente, na portuguesa, há um foco enorme para o negativismo e, nas televisões (privadas), enchem-se chouriços e debates bacocos com pseudo-entendidos em tudo para que o noticiário dure 1h30.
Os canais de informação (a RTP 3 principalmente) passam horas a repetir as mesmas peças ao longo do dia.
Isso tudo pode causar uma enorme repulsa pasa aqueles que, mesmo querendo serem informados da actualidade, graças às vidas preenchidas com trabalho e família, não têm o mínimo de pachorra para ouvirem a mesma toada.

Mas tudo isto não invalida o desejo ávido das pessoas em se informarem. Daí, os podcasts mais consumidos serem os de informação e ciência. São mais curtos, com uma linguagem diferente e, principalmente, mostram um ângulo das notícias que muito dificilmente ouviríamos num meio de comunicação social tradicional.
Já televisão, costumo consumir o Jornal 2, pois é curto, factual, com maior incidência para o internacional e, lá está, tenta dar uma visão diferente do que se passa no mundo.
Concordo completamente. Já o disse uma uma vez aqui no Fórum e fui completamente arrasado, mas parece que os dados o comprovam.

No link que coloquei na RR também dizem que são a rádio com maior equilíbrio entre audiência online e tradicional, não é por acaso uma vez que dá a informação de uma maneira muito mais informal do que Antena 1 e TSF e acredito que das rádios generalistas até seja neste momento a que tem uma média de público mais jovem, o que era inimaginável até há bem pouco tempo...
Não há volta a dar, TSF e Antena 1 têm de ser mais informais sem perderem a qualidade ou vão ficar paradas no tempo.


Não podemos cair num certo facilitismo...

Imagine que eram retirados da escola determinados autores como, por exemplo, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Alexandre Herculano, Agustina Bessa-Luís, substituindo-os por Margarida Rebelo Pinto, Pedro Chagas Freitas e por autores de livros de auto-ajuda...
« Última modificação: Dezembro 11, 2019, 09:47:14 pm por Atento »

O Bigode do Sala

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #91 em: Dezembro 12, 2019, 11:52:39 am »
Conclusões muito interessantes vindas do Reuters Institute Digital News Report 2019:
- 41,5% dos portugueses dizem "estar cansados da quantidade de notícias com que se deparam atualmente", o que pode explicar muito das fracas audiências das rádios de informação.
- 34% dos portugueses dizem ter escutado pelo menos um podcast no período de análise do estudo, ficando assim Portugal no 6º lugar na média mundial de escuta só atrás de Coreia do Sul, Espanha, Irlanda, Estados Unidos e Suécia.
- Mais de metade dos portugueses entre os 18 e os 24 anos escutaram algum podcast "no último mês", o que não me espanta nada pelo que vou vendo por aí e só quebra de vez o mito de que os jovens só querem ouvir música a metro, e que pode fazer com que as rádios jovens apostem (felizmente) ainda mais em palavra.

Fonte: https://rr.sapo.pt/noticia/174736/cansados-das-noticias-um-em-cada-tres-portugueses-ja-evita-noticias-online
Relatório completo: https://obercom.pt/reuters-institute-digital-news-report-2019-portugal/


Mas os podcasts que lideram são os ligadas à informação&Ciência.

Concordo contudo o que foi dito aqui.
Sobre o facto das pessoas cada vez mais estarem enfadadas com as notícias que ouvem, mas existindo essa contradição no facto de se ouvirem muitos podcasts de informação e ciência, creio que o busílis está no que nos é (e o ângulo de visão) do que nos é transmitido.

Pessoalmente, estou farto de politiquices e de crises. Na impressa europeia e, muito particularmente, na portuguesa, há um foco enorme para o negativismo e, nas televisões (privadas), enchem-se chouriços e debates bacocos com pseudo-entendidos em tudo para que o noticiário dure 1h30.
Os canais de informação (a RTP 3 principalmente) passam horas a repetir as mesmas peças ao longo do dia.
Isso tudo pode causar uma enorme repulsa pasa aqueles que, mesmo querendo serem informados da actualidade, graças às vidas preenchidas com trabalho e família, não têm o mínimo de pachorra para ouvirem a mesma toada.

Mas tudo isto não invalida o desejo ávido das pessoas em se informarem. Daí, os podcasts mais consumidos serem os de informação e ciência. São mais curtos, com uma linguagem diferente e, principalmente, mostram um ângulo das notícias que muito dificilmente ouviríamos num meio de comunicação social tradicional.
Já televisão, costumo consumir o Jornal 2, pois é curto, factual, com maior incidência para o internacional e, lá está, tenta dar uma visão diferente do que se passa no mundo.
Concordo completamente. Já o disse uma uma vez aqui no Fórum e fui completamente arrasado, mas parece que os dados o comprovam.

No link que coloquei na RR também dizem que são a rádio com maior equilíbrio entre audiência online e tradicional, não é por acaso uma vez que dá a informação de uma maneira muito mais informal do que Antena 1 e TSF e acredito que das rádios generalistas até seja neste momento a que tem uma média de público mais jovem, o que era inimaginável até há bem pouco tempo...
Não há volta a dar, TSF e Antena 1 têm de ser mais informais sem perderem a qualidade ou vão ficar paradas no tempo.


Não podemos cair num certo facilitismo...

Imagine que eram retirados da escola determinados autores como, por exemplo, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Alexandre Herculano, Agustina Bessa-Luís, substituindo-os por Margarida Rebelo Pinto, Pedro Chagas Freitas e por autores de livros de auto-ajuda...

Gostei bastante da sua analogia e corroboro com ela.
Não se deve substituir os Lusíadas pelo «Agarra o Agora» do Gustavo Santos, ou o Memorial do Convento por um livro qualquer da Margarida Rebelo Pinto.

Continuo a acreditar na velha máxima que o jornalismo deve ser factual, sério e imparcial.
O que eu me referia era ao ângulo das notícias, ao negativismo e à perda de tempo dado a quezílias que afastam o ouvinte.
Daí ter referido o Jornal 2, como bom exemplo de como deve ser um noticiário. Curto, conciso e que relata o Lado-B dos acontecimentos.
«O que acontece no Mundo é que toda a gente que nasce, nasce de alguma maneira poeta! Inventor de algo que não havia no Mundo antes de eles nascerem!
E inteiramente individual: cada um poeta que é!»

Agostinho da Silva

radiokilledtheMTVstar

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #92 em: Julho 20, 2020, 09:56:54 pm »
É uma tristeza o que se está a passar com o abandono total do governo sobre as rádios locais.
Só vem contribuir para o centralismo, em todo o país já que a AML já mal as tem. Depois admirem-se das invasões de seitas religiosas ou da popularidade da CMTV na televisão com reportagens de proximidade...

rfilipeg

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #93 em: Julho 23, 2020, 01:20:00 am »
Entrando em modo ironia e não sabendo se existe ou não, agora só falta uma CMTV em formato de rádio que até ao momento eu não conheço.
Agora a sério, é verdade que o governo tem de apoiar as rádios locais, temos muito boas rádios locais que com mais investimento faziam muito mais e melhor. Mas está se a ver cada vez mais as rádios nacionais a apoderarem se de frequências de rádios locais ou porque fecharam ou porque querem ter emissão em certa zona a todo o custo e que para isso paguem por essa frequência dessa rádio. O monopólio está a favor da centralização das rádios na AML. Aguardemos por tempos futuros um coisa é certa a radio veio para ficar, agora da maneira que vai ficar aí eu desconheço.

Cumps,
rfilipeg

DXPedro

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #94 em: Novembro 25, 2020, 07:04:26 pm »
Entrando em modo ironia e não sabendo se existe ou não, agora só falta uma CMTV em formato de rádio que até ao momento eu não conheço.
Agora a sério, é verdade que o governo tem de apoiar as rádios locais, temos muito boas rádios locais que com mais investimento faziam muito mais e melhor. Mas está se a ver cada vez mais as rádios nacionais a apoderarem se de frequências de rádios locais ou porque fecharam ou porque querem ter emissão em certa zona a todo o custo e que para isso paguem por essa frequência dessa rádio. O monopólio está a favor da centralização das rádios na AML. Aguardemos por tempos futuros um coisa é certa a radio veio para ficar, agora da maneira que vai ficar aí eu desconheço.

Cumps,
rfilipeg
Aqui tens. A pedido de muitas famílias: http://www.mundodaradio.org/forum/index.php?topic=800  :-X

ruicleto

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #95 em: Novembro 25, 2020, 10:03:59 pm »
Ninguém tem bola de cristal, mas a aposta será, julgo, no digital. Veja-se o encerramento, previsto a partir do Verão de 2022, da rede FM na Suíça. O mesmo já aconteceu na Noruega há três anos... tudo isto em favor da tecnologia DAB+, a qual será obrigatória em carros novos na europa, já desde o dia 21 de dezembro deste ano.

DXPedro

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #96 em: Novembro 25, 2020, 10:33:14 pm »
Ninguém tem bola de cristal, mas a aposta será, julgo, no digital. Veja-se o encerramento, previsto a partir do Verão de 2022, da rede FM na Suíça. O mesmo já aconteceu na Noruega há três anos... tudo isto em favor da tecnologia DAB+, a qual será obrigatória em carros novos na europa, já desde o dia 21 de dezembro deste ano.
BOA aposta. espero que a transição ocorra um pouco melhor do que aquela que assistimos na TV.
cumps

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #97 em: Agosto 02, 2021, 03:59:47 pm »

Por fim: a difusão de elementos de rádio num grande hipermercado, como qualquer música com direitos de autor, paga licença à Passmusica no mínimo e com jeitinho também à SPA por parte do agente que está a emitir. Mas são empresas à parte. É prática corrente nalguns mini e supermercados ter um sistema local com uma rádio qualquer mas a prática vai caindo em desuso, é só nos mais antigos, porque depois são minutos de publicidade seguida e com jeitinho até da concorrência, o que é inconveniente.

Ok. No Sábado, num hipermercado onde faço compras aqui em Gaia (que começam em conti e termina em nente ) estava a passar a RFM! Na altura da publicidade baixavam o som!  8) 8) Parece-me que foi algum problema no sistema sonoro, porque nem costuma ser o género de música que passa na loja!

Obrigado pelos esclarecimentos! Muito úteis para um iniciante nestas lides!
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #98 em: Agosto 03, 2021, 01:41:54 am »
Soube hoje que a AVFM esteve envolvida numa "suposta" polémica que teve dimensão nacional no Twitter e parece que também foi falada em algumas rádios nacionais, por um programa de humor em que utilizaram linguagem bastante ofensiva para com um conhecido elemento da comunidade LGBT. Andou ai nas bocas do povo de vários "famosos".

Afinal, o que é feito nas locais não anda assim tanto no submundo... A rádio desculpou-se metendo os pés pelas mãos, quase como aqueles Professores que puxam as orelhas ao aluno mas lhes passam a mão no pelo.

Quem acha que o mundo da rádio em Portugal se limita a Megas/Cidades/Vodafones/Observador/Meo/M80/RFM/Comercial e faz deste forum uma especie de tempo de antena destas rádios, promovendo diariamente as rádios do sistema, vive numa caverna e acha que fora dela não existe luz.

Mas por acaso não deixa de ser curioso que soube do caso por uma das citadas acima. É o que é! Às locais falta-lhes escala. Algumas são de facto muito más, mas outras são extremamente importantes na função que desempenham, que deixem-me dizer abertamente: é de Serviço Público! Ainda no sábado apanhei aqui em Gaia nos 96.4 da Valdevez um programa em DIRETO muito interessante para os nossos seniores! Estavam pessoas a ligar de bem perto do Porto. Por isso defendo a evolução para um modelo regional. É só isso! Sem dinheiro, infelizmente, não se fazem milagres e como canta a Marisa "Juntos, somos mais fortes!"
« Última modificação: Agosto 03, 2021, 01:45:07 am por pdnf »
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

Julio Carvalho

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #99 em: Agosto 03, 2021, 09:54:38 am »
Curioso.
Num fórum de rádio falar das rádios nacionais é viver dentro de uma caverna onde nem se vê a luz.
Espantoso!!!!

Então a luz estará onde?

Nas rádios locais?

Quando abri aqui o tópico da Rádio Altitude (apesar de tudo uma rádio com boa I formação local), escrevi que durante uma semana, em que tive algum tempo, só ouvi rádios locais, das 7 até 19, 20 h.

E panorama é pavoroso. Muita música à metro com locutores inclassificáveis, outras nem locutacao tinham, outras com programas emitidos noutras rádios, nomeadamente um programa de apanhados ( tipo Nilton), que várias rádios emitem. Até à Rádio Portuense ouvi, durante uma tarde e só ouvi  música sem locução.

Salva se no Porto, a Nova e  Nova Era e não  me lembro de mais nenhuma.

Portanto sair das cavernas e ver a luz é isto?
« Última modificação: Agosto 03, 2021, 09:56:15 am por R4 »

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #100 em: Agosto 03, 2021, 02:29:25 pm »
Curioso.
Num fórum de rádio falar das rádios nacionais é viver dentro de uma caverna onde nem se vê a luz.
Espantoso!!!!

Então a luz estará onde?

Nas rádios locais?

Quando abri aqui o tópico da Rádio Altitude (apesar de tudo uma rádio com boa I formação local), escrevi que durante uma semana, em que tive algum tempo, só ouvi rádios locais, das 7 até 19, 20 h.

E panorama é pavoroso. Muita música à metro com locutores inclassificáveis, outras nem locutacao tinham, outras com programas emitidos noutras rádios, nomeadamente um programa de apanhados ( tipo Nilton), que várias rádios emitem. Até à Rádio Portuense ouvi, durante uma tarde e só ouvi  música sem locução.

Salva se no Porto, a Nova e  Nova Era e não  me lembro de mais nenhuma.

Portanto sair das cavernas e ver a luz é isto?

Como não está relacionado com a AVFM passei para aqui:
Eu que não tenho nada que ver com rádio, que nunca pus um pé dentro de um estúdio, vou dar a minha opinião, pensando no racional económico e também na missão de serviço público que, enquanto ouvinte, entendo que tem de existir.
As rádios nacionais, incluindo os agrupamentos de "pseudo" locais (e uma ou outra local da AML/AMP) jogam num campeonato totalmente à parte. É exatamente como ver jogar o Juventude de Évora ou o Real Madrid. É tudo futebol, como é tudo rádio, mas as semelhanças ficam-se por aí.

Não obstante, tal como nos jogos das distritais existe público, também no caso das rádios locais ele existe. Onde é que as nacionais falham e o serviço público também? Informação regional e público senior.

Quais as soluções que proponho?

1. Informação regional: aqui não deveriam falhar, nomeadamente a Antena 1, a TSF, a Rádio Renascença, a M80 (por ocupar a rede regional do sul, deveria ter uma vocação informativa) e diria que também a Observador. A meu ver, em todas as rádios notícias e nas que ocupam as redes regionais (que deveriam ser sempre rádios informativas) deveriam existir 4 a 5 noticiários por dia feitos para as regiões e a partir das regiões. Não sei se isso obrigaria a desdobrar RDS ou não, mas digamos, que, por simplificação e pensando no caso da A1 para os emissores com mais de 10KW, sairia um noticiário do emissor da Amarela/Sameiro/Valença (Minho), um de Bornes/Minhéu/Marão/Marofa (Trás os-Montes), um do Monte da Virgem (AMP), um da Lousã/Montejunto/Gardunha (Centro), um de Monsanto (AML), um de Mendor/Portalegre/Grândola/Vila Boim (Alentejo) e outro de Monchique/Monte Figo (Algarve), a que acresce ainda a cobertura específica da A1 e A1 Açores. Não haveira qualquer prejuízo para o ouvinte, até porque em grande parte de uma região, conseguiria ouvir as noticias das regiões vizinhas, o que também pode ser útil. As restantes informativas, adaptando à realidade do parque de emissores, deveriam adotar a este esquema. Isto deveria ser obrigatório por lei, nem vislumbro outra opção. A informação regional é um direito, é fundamental à vida das regiões e cria empregos no setor descentralizados de Lisboa. Para além dos noticiários regionais, dever-se-ia fomentar a produção de progrmas e painéis (oua participação de um animador da região localmente e informação de trânsito), pelo menos numa fase inicial entre Lisboa e Porto, alargando, progressivamente a outras cidades, tendo, contudo a consciência de que somos um país pequeno e o problema da escala começar-se-ia a fazer sentir, como se faz hoje nas locais. Não tenho grandes dúvidas de que esta mensagem bem passada, faria crescer o consumo de rádio substancialmente.

2. Público senior: vai ser muito pouco ortodoxo, mas eu transformaria a Antena 3 numa rádio para o público 65+. Porquê? O Serviço Público deve estar onde não estão os privados. E claramente, nas rádios jovens, os privados apostam. No público sénior, viu-se o fim que teve a SIM. Assim veria com bons olhos um projeto similar à SIM, que permitisse libertar a Antena 1 da obrigações religiosas, que tivesse verdadeiros programas de companhia, com chamadas dos ouvintes, discos pedidos, muita música popular e tradicional portuguesa, muito do que é feito nas locais hoje em dia, mas com muito mais qualidade. Usaria também esta rede para, ao final de semana, alargar a cobertura desportiva, por exemplo, à Liga de Honra e jogos de outras modalidades. Poderia pensar-se em horas de desdobramento local pelo parque de emissores que referi em cima para a Antena 1. Já quanto às locais, criaria 4/5 frequências por região, que até poderiam ser partilhadas por argupamentos de rádios, em função do registo a que se destinam, ou abriria concurso para os projetos existentes, que teriam de cumprir requisitos prévios, por forma a manter as que estão a fazer um bom serviço e a permitir melhorá-lo. O caderno de encargos teria de ser (quase) tão exigente quanto para as nacionais. As SuperBocks, Meo's, Vodafones poderiam concorrer às redes regionais, mas duvido que tivessem interesse nisso, passando a ter de emitir fora de Lisboa, e cumprindo o caderno de encargos. Para além disso, não sei se em Trás-os-Montes ou no Algarve, não teríamos frequências a ficar desertas.

3. Aumento das frequências (quase) nacionais: para além da A1, A2 e A3, Renascença, RFM e Comercial, contaria com mais seis redes: M80 que deveria passar a ter uma informação forte, TSF (fim das redes regionais), MegaHits, Cidade FM (estas duas últimas teriam de absorver algum do conteúdo que hoje só toca na Antena 3, como moeda de troca pelo aumento de emissores), Observador e uma rádio com um forte pendor desportivo, que deveria ser pública.

Finalmente, a Smooth e a África. No caso da primeira, parece-me um projeto que poderia passar a ocupar a rede da Antena 2, numa subconcessão com prazo definido eventualmente renovável, tendo, contudo de assegurar a passagem de música clássica em percentagem a definir. Os noticiários ficariam a cargo da redação da Antena 1. Seria um negócio, a meu ver, vantajoso para ambas as partes, caso bem feito. A RDP África deveria ocupar uma das redes regionais de Lisboa (que no caso da AMP e da AML, caso fosse possível, poderiam ser 5).

Em suma, ficariamos com, no máximo, por região, 17/18 rádios. A espaçar a 0.4 teríamos facilidade de ter menos rádios, mas um espectro mais limpo e com qualidade. O que ficasse livre, poderiam ser aberto concurso para microcoberturas, às quais as rádios dos grandes grupos ficariam determinantemente proibídas de concorrer/tornar retransmissores.
« Última modificação: Agosto 03, 2021, 02:43:12 pm por pdnf »
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

radiokilledtheMTVstar

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #101 em: Agosto 03, 2021, 09:49:29 pm »
Tirando o ponto 2 e a questão da Antena 2 subscrevo em geral.

Uma vez que muito provavelmente essas soluções dariam origem a uma nova Lei da Rádio acrescentava duas possíveis alterações na legislação:

Controlo de horas gravadas à semana e fim de semana, excepto em rádios locais com um número reduzido de funcionários ou em part-time.

Um limite mínimo de géneros musicais para as rádios alternativas nas suas horas de playlist pensando principalmente na variedade da nova música portuguesa (não é possível a Rádio Nova sendo uma rádio regional ser muito mais eclética que a 3, Vodafone e SBSR enquanto estas estão sujeitas como é comprovado com preconceitos dos seus diretores com alguns géneros. Se estas rádios passassem mais de 70% de um determinado género como é o caso da SBSR teriam de ser denominadas legalmente por como temáticas desse género em vez da denominação relacionada com "alternativa".
« Última modificação: Agosto 03, 2021, 09:58:35 pm por radiokilledtheMTVstar »

joao_s

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #102 em: Agosto 03, 2021, 10:20:27 pm »
(...)
Finalmente, a Smooth e a África. No caso da primeira, parece-me um projeto que poderia passar a ocupar a rede da Antena 2, numa subconcessão com prazo definido eventualmente renovável, tendo, contudo de assegurar a passagem de música clássica em percentagem a definir. Os noticiários ficariam a cargo da redação da Antena 1. Seria um negócio, a meu ver, vantajoso para ambas as partes, caso bem feito. A RDP África deveria ocupar uma das redes regionais de Lisboa (que no caso da AMP e da AML, caso fosse possível, poderiam ser 5).

Em suma, ficariamos com, no máximo, por região, 17/18 rádios. A espaçar a 0.4 teríamos facilidade de ter menos rádios, mas um espectro mais limpo e com qualidade. O que ficasse livre, poderiam ser aberto concurso para microcoberturas, às quais as rádios dos grandes grupos ficariam determinantemente proibídas de concorrer/tornar retransmissores.
“pdfn”, ligue um rádio e sintonize 89.5. Explique qual é a relação entre a ‘SmoothFM’ e a bafienta rádio estatal ‘Antena 2’. Existe alguma coisa em comum? Claro que não. A sua provocação rebentaria com a ‘SmoothFM’ em três tempos. Evidentemente que não há nada de vantajoso, antes algo de caótico, desinteressante.

Faz um malabarismo estratosférico de redes, frequências, estações de rádio que não tem viabilidade e afigura-se de difícil aplicação prática. Aguardemos pelo DAB+ para que o público fique a ganhar com a oferta estações de rádio e a rádio, no seu conjunto, cumpra o seu papel, dirigindo-se ao público em geral e segmentos, com propostas devidamente planeadas e aprovadas pelas autoridades reguladoras (algo que na Internet, ninguém controla).

pdnf

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #103 em: Agosto 04, 2021, 12:41:24 pm »
Tirando o ponto 2 e a questão da Antena 2 subscrevo em geral.

Uma vez que muito provavelmente essas soluções dariam origem a uma nova Lei da Rádio acrescentava duas possíveis alterações na legislação:

Controlo de horas gravadas à semana e fim de semana, excepto em rádios locais com um número reduzido de funcionários ou em part-time.

Um limite mínimo de géneros musicais para as rádios alternativas nas suas horas de playlist pensando principalmente na variedade da nova música portuguesa (não é possível a Rádio Nova sendo uma rádio regional ser muito mais eclética que a 3, Vodafone e SBSR enquanto estas estão sujeitas como é comprovado com preconceitos dos seus diretores com alguns géneros. Se estas rádios passassem mais de 70% de um determinado género como é o caso da SBSR teriam de ser denominadas legalmente por como temáticas desse género em vez da denominação relacionada com "alternativa".

Concordo em absoluto com os dois pontos que acrescentas. Para mim, é impensável redes nacionais não terem emissões em direto 24/h e, em algumas, nem sequer animação!
Quanto ao ponto 2 pressumo que seja a questão da A3, ou também da transformação das locais em regionais?

“pdfn”, ligue um rádio e sintonize 89.5. Explique qual é a relação entre a ‘SmoothFM’ e a bafienta rádio estatal ‘Antena 2’. Existe alguma coisa em comum? Claro que não. A sua provocação rebentaria com a ‘SmoothFM’ em três tempos. Evidentemente que não há nada de vantajoso, antes algo de caótico, desinteressante.

Faz um malabarismo estratosférico de redes, frequências, estações de rádio que não tem viabilidade e afigura-se de difícil aplicação prática. Aguardemos pelo DAB+ para que o público fique a ganhar com a oferta estações de rádio e a rádio, no seu conjunto, cumpra o seu papel, dirigindo-se ao público em geral e segmentos, com propostas devidamente planeadas e aprovadas pelas autoridades reguladoras (algo que na Internet, ninguém controla).


A questão da Antena 2 tenho consciência que é bastante polémica, sim! Dou nota de que sou ouvinte de ambas as rádios, aliás, eu procuro picar várias frequências para "saber" do que falo e me cultivar. E posso dizer que, em viagens de maior dimensão, onde gosto de estar bem concentrado, escuto a Smooth FM. Já a Antena 2 oiço pelo menos 2 a 3 vezes por semana, ao deitar ou até quando estou a trabalhar. Acho que todos concordamos que a Antena 2 não está bem de saúde. Também acho que todos concordamos que a Smooth é um projeto com imensa qualidade, mas que padece de um problema significativo que é a parca rede de emissores. Em Portugal, a dado momento diabolizou-se as parcerias público-privadas, por razões que se prendem com gestão danosa. Mas quando uma PPP é bem feita, pode ser deveras interessante. E aqui parece-me o caso. A estação pública tem a rede de emissores e não tem projeto, a Smooth tem projeto mas tem a rede de emissores. A Antena 2, só com música clássica, torna-se redutora. Daí que tenha, paulatinamente, procurado integrar na sua oferta o Jazz. Já a Smooth ganharia outro tipo de ouvintes se fosse intercalando na sua oferta música clássica. As duas emissoras juntas, a nível nacional, correspondem a 2% de share. Se ambas as rádios devem emitir em território nacional integralmente? Devem! Sendo uma oferta bastante diferenciada, acredito que adviriam todas as vantagens de uma relação deste tipo, que como referi seria vantajosa para as duas partes. Por outro lado, em caso algum estariamos a falar de uma PRIVATIZAÇÃO da Antena 2. A propriedade e controlo são do Estado, a gestão da programação seria sempre da Smooth, que teria de incluir, com total liberdade uma quota a definir de clássica (por exemplo 1/2 peças por hora ou painel dedicado diário). Não é inovar, é juntar dois géneros que ligam bem, dando músculo a uma rádio que tem espírito e espirito a uma que tem o esqueleto. As coisas não têm de ficar sempre iguais ad eternum! Ah, e claro está que, para que para dançar o tango, são precisos dois.

Tudo o que aqui escrevemos são ideias. Não passam disso. A menos que quer o Senhor quer eu sejamos da ERC, o que não é o caso, ou da adminsitração de alguma das rádios, o que penso também não ser. Não estou portanto, a fazer qualquer provocação, apenas a lançar a terreiro uma ideia. Pode ter ou não virtudes, admito que sim!

Exceptuando o ponto da A2/Smooth, que é mais discutível, falta de viabilidade tem a situação atual, onde há uma cacofonia no espectro radioeletetrico com 1001 frequências, a maioria das quais fantasma, que são meros receptários de receitas de publicidade. É isso que pretendemos? Ter o Spotify a debitar música para um emissor FM? Ou queremos uma oferta abrangente, que alcane o máximo possível de público? É que eu não posso, mas a ERC pode mudar o jogo! Ou vamos esperar e assistir sentados ao definhar de um modelo de locais, ao serviço público e, com um bocado de sorte, aos dois grupos privados que subsistem, também eles com dificuldades?

Penso ser essa a reflexão que se impõe!
« Última modificação: Agosto 04, 2021, 12:46:49 pm por pdnf »
Rádio é:
Ir ao fim da Rua, a ligar Portugal, aconteça o que acontecer.
Mais música nova para sentir (e decidir).
Estar no carro, em casa, em todo o lado, só se quiseres.
Saber que se a vida tem uma música, ela passa-a.
É a arte que toca, mais do que música...PESSOAS. Ah, and all that "unique" soul.

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Re: Futuro da Rádio em Portugal
« Responder #104 em: Agosto 04, 2021, 12:58:27 pm »
Concordo em absoluto com os dois pontos que acrescentas. Para mim, é impensável redes nacionais não terem emissões em direto 24/h e, em algumas, nem sequer animação!
Quanto ao ponto 2 pressumo que seja a questão da A3, ou também da transformação das locais em regionais?


A questão da A3.
Quanto ao resto tinha referido aqui que na minha opinião teria de ser feito com "pinças", olhando para as excepções como as duas rádios de Guimarães ou da Guarda ou rádios com parcerias transfronteiriças como a Rádio Fronteira de Vilar Formoso que tem programas em parceria com a Onda Cero e de uma forma mais geral, para assegurar a maior parte de postos de trabalho possível resultante dessa transformação.
« Última modificação: Agosto 04, 2021, 01:00:02 pm por radiokilledtheMTVstar »