A RR está desvitalizada. Cumpre os mÃnimos olÃmpicos, num paÃs, onde imperam as rádios de música a metro. Salva-se a antena1 que podia fazer melhor, se houvesse concorrência à altura.
O ponto de partida não está relacionado com a última afirmação. O serviço público passa por espetador e apenas adota uma postura reativa? (Apenas e tão-somente isso…) A Antena 1 ou qualquer outra rádio pública não deve fazer melhor ou desleixar-se em função da concorrência, o problema está colocado ao contrário. A estratégia das rádios públicas deve marcar a diferença relativamente aos operadores privados, com produtos delineados para se prolongarem no tempo, criarem escola e vÃnculos de pertença com os ouvintes/contribuintes. Para conciliar cultura contemporânea com entretimento e informação/atualidade/desporto/análise com momentos de descontração são necessárias, pelo menos, duas estações de rádio. Para a cultura erudita, serviço identitário da Europa, mais uma estação de rádio, o que perfaz 3 estações.
Juntar numa única estação entretenimento, cultura contemporânea e informação, a meu ver, não resulta. Quem procura descontrair, ouvir boa música, enquadrada com as palavras adequadas, não procura rádios de cariz informativo, quem pretende estar a par da atualidade e descodificar os acontecimentos, não procura rádios de cariz de entretenimento. Os conceitos colidem, sobretudo em perÃodo noturno, quando uns procuram programas de autor, documentários e seleção musical aprimorada e outros debates informativos e as análises dos assuntos que marcam a atualidade. A RTP deve afinar os seus produtos de rádio, procurar colaboradores na sociedade civil e inovar. 6,6% de AAV para o total de emissoras nacionais é uma audiência demasiado baixa.
Uma rádio que concilia o entretenimento com cultura contemporânea é referida, pelos próprios, como a mais ouvida da Europa e é pública. Vale a pena analisar o modelo e verificar se o mesmo é transponÃvel para Portugal, com as devidas adaptações, obviamente.
De facto a RR não tem afinado os conteúdos de forma coerente, a banda sonora revela-se desadequada e superficial, mais do mesmo, e a animação de continuidade nem sempre corresponde às expetativas.
Resumindo, acho que o "Atento" se contenta com radios públicas que podiam e deviam fazer muito melhor.