Pessoalmente, acho que é bastante triste ver para onde vai caminhando a rádio portuguesa.
O reflexo de todo um país mal gerido.
Uma rádio com menos qualidade, por culpa de tanta coisa.
Começando na má gestão das próprias rádios e dos próprios grupos, passando pela falta de cultura da população, terminando no falhanço da lei da rádio de 1989, tanto há por onde pegar, para justificar o estado caótico em que se encontra a rádio em Portugal.
É importante o estado ter bem definido aquilo que quer para as suas redes nacionais.
Mas também é importante ter rádios privadas de qualidade.
Aquilo que se assiste um pouco por toda a Europa em termos radiofónicos, são grupos públicos fortes, e grupos privados igualmente fortes (com as diferenças que possam existir entre eles).
O que assistimos em Portugal?
Um grupo público a fazer o mínimo exigido, e os grupos privados reduzidos maioritariamente à música, porque se dá audiência e traz publicidade, é escusado arriscar muito.
Isto é fazer rádio?
Toneladas de horas de "música seguida sem parar".
Para quem não tem dados móveis ilimitados, até sai mais barato ouvir Spotify através das ondas hertzianas.
As direções das rádios em Portugal estão completamente perdidas, e é normal.
Projetos mais do mesmo, trazem audiência, projetos diferentes que acabam por arriscar, acabam com 0,8% de share.
Desde antes da pandemia, que digo ser urgente em Portugal debatermos sobre rádio.
O que fazemos de certo, o que fazemos de errado, que futuro queremos para ela, para onde devemos remar.
Mas ninguém quer saber.
Tantas entidades como a ERC, a APR, a ARIC, e ninguém mexe uma palha, à medida que vamos assistindo ao enterrar de grupos e rádios.
Não é sobre a TSF ou sobre o grupo R/Com.
É sobre como tratar a rádio neste país, com o mínimo de qualidade que ela merece.
Não temos todos que fazer diferente, mas também não temos todos que fazer igual.
E aquilo que me parece, é que existe um efeito bola de neve.
As rádios, por muito que possam querer investir em qualidade, isso acaba por não trazer retorno nem financeiro, nem humano.
Além disso, as rádios atualmente também não têm recursos para investir no desconhecido, à espera de algum retorno.
É triste percebermos onde chegamos.
Mas francamente por aquilo que vou vendo, dá-me ideia que a procissão ainda vai no adro, e cada vez vão sobrar menos rádios em Portugal, até que alguém decida fazer algo.