O Ideias Feitas com o Alberto Gonçalves pode ser chamado de muita coisa, mas uma não é: indiferente para as pessoas. Serve a todos de alguma forma. E ainda bem. E é por isso que está à hora que está. Melhor que ouvir as cassetes partidárias do costume no Café Duplo da TSF, por exemplo, que é excelente para mudar o rádio.
É das peças de grelha mais corajosas que a Observador tem ali e quase desde o início, ou mesmo desde o início. Aqui sempre estiveram muito bem.
Ora bem, o Alberto Gonçalves é, como dizer, sem ser ofensivo... um personagem. Fui leitor assiduo dele até ao ano passado, e já vinha dos tempos do Diário de Noticias, quando deixou de ser de todo possível ler o Observador de graça, com um truque que ele próprio partilhou com os leitores na caixa de comentários da sua crónica. O homem tem um estilo muito próprio, digamos que pouco paciente. Tenho uma história com ele. Aí por 2017/2018 um dia à hora do almoço saí do 205 no Parque Nascente e cliquei no semáforo para atravesar a Circunvalação. Vejo um carro a dirigir-se a grande velocidade e não avancei com receio que não parasse apesar de já estar vermelho e aberto para mim. Tive direito a duas buzinadelas ruidosas e a umas palavras, certamente vernáculo, dirigidas dentro do carro à minha pessoa, por o ter "obrigado" a parar num vermelho. Quando olhei e vi que era o personagem sorri e só eleveu a voz e disse que era leitor dele, o que fez o homem cair na real e levantar a mão a pedir desculpa. Isto traduz bem o que é o Alberto Gonçalves... alguém que é impulsivo, mas que tem algo de muito bom, e que é raro, principalmente entre sociólogos: pensamento livre, e não está sujeito a nenhuma agenda partidária. Quanto a algumas posições sobre a pandemia, umas terão sido exageradas, outras estaria ele do lado da razão. Mas lembro que não se tratou de um negacionista, vacinou-se 3 vezes, de acordo com o que ouvi da boca do próprio. E a verdade é que existiram medidas na pandemia que foram de política (de saúde) mas políticas, e com exceção dele e do Pedro Simas, e em menor grau do Prof. Henrique Barros do ICBAS, não vi mais ninguém que não fosse negacionista a furar a religião vigente, pregada na Igreja Universal do Infarmed.
Pessoalmente, gosto mais do registo escrito do que rádio no Alberto Gonçalves.