A RR já põe as vidas profissionais em jogo com os seus trabalhadores quando em qualquer mudança que faz não mexe um milímetro na sua maravilhosa playlist...
Aqui sim, um conservadorismo que deveria ser posto de parte. Não sei se nas afinações de Setembro vamos ter ajustes à playlist, mas o que eu sei é que há mesmo muito para escavar na parte musical. Pode perfeitamente ter os novos hits, pode perfeitamente ter música antiga e pode perfeitamente diversificar e muito na seleção musical que faz na continuidade. Os The Cure têm diversas músicas que não passam na RR, por exemplo, que são catchy; os Nine Inch Nails também não passam e poderiam passar
necessariamente com critério e com cuidado (quem conhece a banda percebe o que quero dizer); os Madredeus foram desintegrados da playlist da RR desde talvez a era do Rui Pêgo e têm perfeitamente lugar num Hotel Califórnia, de maneira bem doseada durante o dia também, e até ajudam ao espírito católico da coisa...
É possível puxar o envelope e ao mesmo tempo manter um certo recato que neutralize a coisa perante ouvintes mais velhos, mas apele a ouvintes mais novos/culturados, rejuvenescendo a audiência da Emissora Católica Portuguesa e apanhando um público diferente da RFM. É tão frustrante ver o estado atual da playlist que quase me dá vontade de dizer que bem perdia o amor a uns euros e ia a Lisboa mostrar umas músicas e umas coisas diferentes ao programador, a ver se ele mete aquilo a "afiambrar" mais fino...
Um ponto que me preocupa na RR é o estado atual da informação. Numa escuta de 1h, em que apanho dois boletins, ultimamente não há um que eu possa considerar que foi bem organizado ou que está limpo de erros. Um!
Esta manhã, o destaque era para o sismo de Marrocos, que sim, é muito importante, mas há mais mundo a acontecer. Pois num boletim de 3 minutos, ocupou dois minutos e meio de manhã. Apenas às 13h houve mínimos de equilíbrio: Marrocos caiu para 2 minutos e o resto foi já razoavelmente preenchido com sociedade e desporto.
Sim, eu queria boletins do Porto, mas eu quero boletins feitos como deve ser, francamente! Fazer do Porto e depois serem constantemente estes erros é de alguém arranjar editores em condições para Gaia, pelo amor da santinha.
Para isto não ser só falar mal e etc: excelente Hotel Califórnia de hoje, com música e intervenções muito diferenciadoras. É um programa que aos Sábados cada vez mais faz a diferença e estenderem para 3h pela falta do Em Nome da Lei ficou um resultado francamente agradável (não sou ouvinte para o Em Nome da Lei da Marina Pimentel, programa que sinceramente nem me faz sentido à hora que passa e que podia transitar para as relativamente vazias tardes da RR ao fim de semana).
Atenção no entanto às montagens, porque mesmo ao fim da hora das 11 (11:57) o Paulino Coelho foi atropelado nos últimos 5 segundos da intervenção pela informática, com a música a entrar toda em cima e ele lá ao fundo a dizer umas coisas. Parece ter sido erro, porque na hora seguinte ele fez um take de forma mais personalizada e a coisa fluiu muito bem.
As tardes vêm sendo asseguradas por estes dias pelo Óscar Daniel, que me anda a fazer umas aberturas de hora completamente desesperadas e sem vontade de viver às 14h, mas que fora disso está como se estivesse no Oceano Pacífico... o que até resulta bastante bem. Prefiro-o face à Miriam Gonçalves e por acaso até face à Sónia Santos, embora neste 2º caso pela margem mínima porque ambos são bons.
Alguém dê algum alento ao homem e o meta em coisas que ele goste, que não há muitas vozes negras na rádio já e esta é das notáveis. O homem deu tudo pela casa e merece muito mais do que ser relegado para o trânsito. Muito mais.