Rui Cleto, a rádio está em vantagem relativamente aos ecrãs neste apeto, quando tem qualidade, é um meio que estimula a imaginação porque não tem imagem. A imagem, é uma forma imediata de percecionar algo sem esforço, nem sequer de memória, dado que pode ser visionada vezes sem conta através da tecnologia disponível. De uma forma geral, a imaginação facilita o pensamento abstrato, a base da criatividade, das ideias, da resolução de problemas.
Um programa de rádio bem feito, por quem sabe, pode contribuir para despertar a curiosidade de quem o ouve e isto não está ao alcance de qualquer um. É preciso que quem comunica/produz tenha um estofo cultural considerável e capacidade de comunicação carismática. Este desenho de produto radiofónico existe no espaço europeu, rareia por cá. Também pode contribuir para criar dinâmicas de grupo sobre um determinado ponto de interesse, um ouve, todos desse grupo ouvem. Por exemplo, quando comecei a ouvir as rádios da BBC foi toda uma descoberta e espicaçar da curiosidade a ponto de, por exemplo, ficar com vontade de aprender a tocar instrumentos musicais. Este tipo de impacto não é mensurável por nenhuma audiência, tal não é possível, mas tal pode vir influenciar vários/muitos cidadãos. Mas um gestor de grelha consciente, experiente e conhecedor tem a perceção do impacto que determinado tipo de programa pode vir junto dos seus concidadãos à escala nacional. As RFM e RR originais tinham esta visão, hoje não resta nada. Essas rádios deixaram de existir, hoje, no seu lugar, impingem qualquer coisa parecida com vácuo.
Perspetiva de ouvinte.