Top 10:
RC - 19,9%
RFM - 19,8%
M80 - 7,7%
RR - 5,6%
Cidade - 5,1%
Antena 1 - 4,5%
Mega Hits - 4%
TSF - 3,2%
Antena 3 - 1,7%
Smooth - 0,8%
Observador - 0,8%
Outras:
Noar - 0,7%
Antena 2, Rádio Nova Era, a Estação Orbital, Meo Sudoeste - 0,5%
https://www.meiosepublicidade.pt/2022/03/bareme-radio-comercial-e-rfm-separadas-por-uma-decima/
Comecemos pelos lugares de acesso à Champions, RFM a continuar a crescer, mas a perder ligeiramente o gás com que passou o Verão e que já se notou na vaga anterior. Pode ser que o recupere, havendo novamente festivais e eventos este ano, segmento em que me parece mais forte que a Comercial. Até porque a Comercial, embora ainda à frente está em queda, o pico já passou e apresenta um decréscimo em relação à 5V2021. Tal como referi anteriormente neste tópico, parece-me claro que é um fim de ciclo e que, ceteris paribus, vamos chegar ao Verão com a RFM líder nos três parâmetros do estudo. É pena, porque o produto da Comercial é, no global mais forte, embora, menos abrangente em termos de classes (é um produto mais classe A,B do que a RFM) mas que acusa um desgaste de quase 20 anos e de uns horários entre pontas que são mais fracos que os da RFM, nomeadamente o painel do Wilson que é sofrível, mesmo concorrendo contra um já cansado Paulo Fragoso. Frisei bem o tudo o resto constante, porque vai haver uma inconstância grande pelo caminho, a mudança da estrutura acionista que pode abalar o jogo. Quanto à RFM podia usar o melhor trunfo que tem que são as tardes de uma forma mais eficaz. Puxar o Wi-Fi para as 17:00, começando ao mesmo tempo que o Já se Faz Tarde, que é forte, poderia ajudar a consolidar a liderança, assim como encontrar um animador mais eficaz para o período 14:00-18:00, aproveitando melhor o gancho que o José Coimbra deixa. As manhãs precisam de uma reforma que lhes dê um boost de qualidade.
Lugares de Liga Europa: na M80 tudo na mesma, não descola, recupera a posição da 4V2021, as oscilações são mínimas. É um produto saturado que, mais tarde que cedo, quando começar a cair, vai ser a pique, isto se sobreviver, o que tenho dúvidas. Veremos o que valem estas novas manhãs e a ida da Vanda para as 11:00h, que não está a ser aproveitada como poderia ser.
A vitória parece ampliada porque a Renascença dá um trambolhão gigante. Tal como algumas equipas de futebol que, quando o craque se lesiona, parecem que estão a lutar para não descer, aconteceu isso mesmo com a RR. É a vitória desta vaga: amanhã a Joana Marques pode exigir um aumento ao Conselho Episcopal. Sete semanas de ausência de Joana Marques e é o que se viu, dá quase 0,1% à semana. O COVID também fez estragos n'As Três da Manhã e isso nota-se, o programa fica menos fluído. A RR não pode assentar os seus resultados unicamente num nome de peso. As manhãs estão bem, mas precisa de apostar noutros horários. Não sou Católico, mas o Rosário tem de ser recitado sempre às 18:30? Não pode ser às 20:00 ou às 14:30? É preciso mexer alguma coisa na grelha também. Sinceramente, o Daniel Leitão não está a resultar. Acho que já ia sendo tempo de chamar a Carla Rocha para a semana, no horário da Sónia Santos, quem sabe em dupla, por exemplo com o Paulino Coelho ao almoço. Entendo que o Fragoso para os serões da RR ia trazer uma frescura à Rádio, onde o Júlio Heitor já não aquece nem arrefece. Carlos Bastos à noite também é pouco, merece um horário mais visível, por exemplo, ficar com tardes de fim-de-semana, antes do futebol.
Liga Jovem: Cidade a sustentar o resultado, ainda assim, abaixo da quarta vaga. Estou convencido que tem todas as condições para chegar aos 6% ou mais até ao Verão, com o Já São Horas com a Laura, o Toque de Saída a começar às 16:00 e, principalmente, o facto de ser uma rádio feita em dupla das 07:00 da manhã às 20:00 e ainda fechar as últimas duas com um excelente valor, a Catarina Silva, que acho mesmo que vai ser um grande nome da rádio se tiver cabeça. Tem um mercado em ascensão, com o regresso da noite e das latinadas, uma dupla africana que segura uma fatia muito importante do auditório que pode canibalizar muito a RDP África na AML e ainda o público adolescente que cada vez mais só tem uma rádio para eles.
A MegaHits não só a aguentar-se muito bem, como até a crescer 0.5% e 1% em termos homólogos, considerando que nesta vaga tivemos a saída da figura mais mediática da estação, a Mafalda Castro. Com umas manhãs mais fortes e totalmente, renovadas, dupla pelo menos entre as 13:00 e as 16:00 e quiçá novamente à noite, a apostar em alguns temas remeber, estilo 10:00 às 11:00 de quinta-feira e uns fins-de-semana mais iterativos, podemos ter num futuro bem próximo as rádios jovens a valerem 10% em conjunto (juntando as locais Nova Era, Hiper, NoveTrêsCinco, etc) podem representar uma fatia significativa do auditório, o que é ótimo. A rádio não está morta e está a fidelizar jovens. Agora, é preciso passar da música para a palavra e aí a coisa está mais feia.
As rádios de palavra (incluo a RR) já aqui foi dito, levam uma coça, o que é muito preocupante. A Antena 1 a ter um crescimento de 0,4% mas ainda está muito abaixo do período homólogo. Ou seja, é preciso dar tempo à nova grelha até ao Verão para mostrar o que vale. Mas parece-me que enquanto aquelas manhãs não forem para seguir diariamente, não teremos grande hipótese de crescer. Os programas de autor também estão em horários de pouco impacto. Não sei até que ponto não poderiam estar mais ao diurno, pelo menos ao final de semana. TSF completamente estagnada, o que é pena, até porque tem um produto com alguma qualidade. Acredito que a nova grelha, mas também a cobertura um tanto diferenciada que está a fazer da guerra na Ucrânia, a aposta no Instagram (tenho visto partilhas de malta nova de conteúdos da TSF) possa fazer arrancar a rádio deste marasmo.
A Observador volta aos valores do Outono, veremos se segura ou não. Concordo que será difícil sem a região Centro (menos o Algarve, mas a questão de agosto não é de desprezar), mas se pensarmos, per emissor, é o melhor resultado das rádios de palavra, sem margem para dúvida, e tem os emissores mais fracos de todas, na região. Poderia destacar melhor a rádio no Jornal, mas não sei até que ponto as audiências online também não contem para esta rádio.
A Antena 3 é como foi dito, a vergonha dos contribuintes, nada mais a referir, a não ser o debate que tem de ser feito se é para isto que queremos uma rádio nacional. Lembro que, diferentemente da Antena 2 que é um mercado de nicho e de difícil captação de público, a 3 deveria ser uma rádio de massas, de grande audiência, provavelmente mais do que a 1. Mas neste momento, não satisfaz qualquer requisito. Só não acaba porque pagamos todos. Curiosamente, têm na casa, na Internacional, uma equipa que poderia pegar no projeto e dar-lhe vida, pelo menos para chegar aos 2,5/3%.
A Antena 2 precisa de ter alguma atratividade mais. Mesmo para uma rádio clássica, por vezes parece que está a ser feita por gente que não tem pingo de sangue na veia. Iniciativas como o Festival Antena 2 no TNSJ podem ajudar, veremos as próximas vagas. Precisa de melhorar as tardes, as manhãs são mais atrativas, num contexto em que hiperabunda histeria nas restantes rádios.
A Nova Era tem de fazer ali alguma mudança. A partir das 15:00 torna-se impossível de escutar e já era tempo da dupla Lomar/Zenha nas manhãs.
A Smooth... para mim a grande perdedora. Perde 0,6% desde o Outono. O desinvestimento na estação, em termos de locução, reflete-se. Chamo a atenção para a seguinte passagem, que passa ligeiramente despercebida, na deliberação da ERC sobre a venda à Bauer:
"A possibilidade de encerramento de órgãos de comunicação social é inerente ao regular exercício da atividade em causa e decorre de opções estratégicas que podem ser tomadas a qualquer momento pelos órgãos próprios de decisão pertinentes, independentemente da sua composição e, consequentemente, da presente operação de concentração." Para isto constar aqui... alguma coisa já deve ter sido aflorada. Smooth e Vodafone, que nem consta na tabela apesar de toda a nova roupagem, que não pegou, cheira-me que não durarão muito.
A No Ar só reflete aquilo que é uma parte muito significativa da população portuguesa: envelhecida, pouco escolarizada, nada cosmopolita e até algo vulgar. Junta-se a Festival (que apesar de tudo, tem mudado ligeiramente o registo), Regional de Arouca, Voz de Santo Tirso, Sintonia, Valdevez, Barca, Ondas do Lima, Barcelos e ficariamos surpreendidos. Desconfio que só a Norte devem somar mais do que a Antena 3. Não obstante, cumprem o seu papel, e ainda o podiam fazer melhor sem serem tão simplistas.
A ver vamos, os próximos meses serão engraçados. O mercado está dinâmico, veremos se estas tendências se invertem ou consolidam.