Autor Tópico: Rádio em Espanha  (Lida 175746 vezes)

joao_s

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #690 em: Fevereiro 24, 2026, 08:22:26 pm »
(...)
Espanha é tão somente o nosso vizinho do lado. A realidade nos média entre  ambos os países é bastante assimétrica. Por lá considera-se o DAB+ e TDT infraestruturas críticas, essenciais para a população. Por exemplo, infraestruturas como o DAB+ são essenciais em situações imprevistas, como apagões, ciberataques, catástrofes, que podem fazer colapsar o normal funcionamento da sociedade, sendo esta uma forma segura de manter a população informada, em vez de ficar em pânico sem saber o que se passa à sua volta. O DAB+, possibilita o envio de mensagens de texto pelas autoridades para os cidadãos, nestas situações.

Por cá reina a total irresponsabilidade, falta de rumo e estratégia. Um falhanço que atira Portugal para a ultraperiferia da Europa, vejam bem, não se consegue planear, projetar, implementar e tirar proveito de tecnologias de comunicação síncrona essenciais para qualquer país europeu e que estão a ser devidamente utilizadas, em prol das respetivas sociedades.

Não podia-mos estar mais de acordo. Tenho escrito e alertado nas consultas Anacom para a necessidade de não deixar morrer a TDT e de adotar o DAB+. "Lembrei" ao regulador (e a quem tem responsabilidades) que em Espanha a TDT foi declarada de interesse estratégico para o país e o DAB+ pode ser um importante instrumento na esfera da Proteção Civil através do sistema ASA. Infelizmente tenho sido o único a fazê-lo.

Nem o "apagão" de 2025 fez as autoridades mexerem-se. Agora tivemos as tempestades e temo que nem assim os "irresponsáveis" que nos governam ponham os olhos no que Espanha, Alemanha, Austria, etc. estão a fazer com o DAB+.

Lá fora utilizam-se estas tecnologias para melhor servir a população. Por cá a TDT é a pobreza franciscana que se vê e só existe (por enquanto) porque foi tornada obrigatória pela UE. Se depende-se de "certos" lobbies não haveria TDT, tínhamos ido todos direitinho para a TV por cabo. Uma vez que a adoção do DAB+ não é obrigatória, tem muito pouca chance de ser adotado em Portugal. Neste país o que interessa é facilitar o negócio de quem vende pacotes de serviços de telecomunicações.

https://tdt-portugal.blogspot.com/2025/11/chamem-policia.html

Mas recordo que o DAB+ não permite apenas enviar mensagens de texto, permite também o envio de imagens e a disponibilização imediata (pop up) de estações de rádio informativas quando necessário. Mais, os alertas podem ser "personalizados" e enviados para todo o país, uma região ou para um código postal especifico!

Como tenho escrito, por cá e como aconteceu com a TDT, são os interesses de alguns que se sobrepõem ao interesse do país!

https://tdtportugal.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/11/consulta_plano_anacom_2026-2028_blog_tdt.pdf
https://tdtportugal.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/01/planoatividadesanacom2025_2027_bloguetdt.pdf
https://dabportugal.blogspot.com/2025/11/o-dab-e-protecao-civil.html
https://dabportugal.blogspot.com/2025/11/blogue-pede-papel-mais-ativo-ao.html


Sendo mesmo muito irónico, digo que é deixar morrer isto da TDT e do DAB+ em Portugal, e depois pedir aos vizinhos espanhóis que passem a disponibilizar essas tecnologias em todo o território português... ficamos certamente melhor servidos (peço desculpa ao nosso Rei D. Afonso Henriques que tanto trabalhinho teve para rien)!

Boa tarde, Rui Cleto.

A sua ironia tem uma certa base de fundamento:
- DAB, já tivemos, numa operação quase secreta que ninguém soube. Não foi feita a divulgação, nem o sistema foi atualizado. Foi abandonado depois de enterrados 10 milhões. Neste momento, total desorientação e irresponsabilidade;
- TDT ao abandono. Total desorientação e irresponsabilidade;
Nestes dois pontos, o país, as populações, as comunidades saem prejudicadas. É o não saber fazer que nos deixa numa posição, digamos, de inferioridade em relação, aqui ao lado, ao nosso vizinho – Espanha.

Relativamente ao acesso dos canais de televisão da TVE, sim, Rui Cleto, já tivemos aqui no Ribatejo dois retransmissores, um para a TVE 1, outro para a TVE 2, sim, em território nacional. Aconteceu nos anos 80 e terminou em 1992. Se tivesse apenas antenas orientadas para Monsanto ou para Montejunto para sintonizar a RTP não se via nada. Bastava rodar as antenas para Fazendas de Almeirim (este) e o milagre acontecia, com um bónus, também se sintonizavam os emissores de Montánchez situados em Espanha. Portanto, o acesso aos média do país vizinho não seria nada de novo.

Relativamente aos conteúdos, a TVE era muito superior, com uma grelha muitíssimo bem-estruturada. Não tinha comparação, era outro mundo.

Fica um link para a mira técnica e abertura da emissão da TVE 1, algures em 1984, e era exatamente isto que víamos, com uma qualidade de receção e de imagem semelhante. O som era robusto, com uns graves poderosos e também agudos sonantes (que não se notam na gravação VHS disponibilizada na net), estava-se a dar os primeiros passos na animação gráfica 3D em TV, lá, por cá, não.

Carta de ajuste e abertura da emissão, TVE 1, 1984

* Comecei a assistir às emissões em 1983, com 12 anos, e valeu bem a pena.

ruicleto

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #691 em: Fevereiro 24, 2026, 09:06:20 pm »
(...)
Espanha é tão somente o nosso vizinho do lado. A realidade nos média entre  ambos os países é bastante assimétrica. Por lá considera-se o DAB+ e TDT infraestruturas críticas, essenciais para a população. Por exemplo, infraestruturas como o DAB+ são essenciais em situações imprevistas, como apagões, ciberataques, catástrofes, que podem fazer colapsar o normal funcionamento da sociedade, sendo esta uma forma segura de manter a população informada, em vez de ficar em pânico sem saber o que se passa à sua volta. O DAB+, possibilita o envio de mensagens de texto pelas autoridades para os cidadãos, nestas situações.

Por cá reina a total irresponsabilidade, falta de rumo e estratégia. Um falhanço que atira Portugal para a ultraperiferia da Europa, vejam bem, não se consegue planear, projetar, implementar e tirar proveito de tecnologias de comunicação síncrona essenciais para qualquer país europeu e que estão a ser devidamente utilizadas, em prol das respetivas sociedades.

Não podia-mos estar mais de acordo. Tenho escrito e alertado nas consultas Anacom para a necessidade de não deixar morrer a TDT e de adotar o DAB+. "Lembrei" ao regulador (e a quem tem responsabilidades) que em Espanha a TDT foi declarada de interesse estratégico para o país e o DAB+ pode ser um importante instrumento na esfera da Proteção Civil através do sistema ASA. Infelizmente tenho sido o único a fazê-lo.

Nem o "apagão" de 2025 fez as autoridades mexerem-se. Agora tivemos as tempestades e temo que nem assim os "irresponsáveis" que nos governam ponham os olhos no que Espanha, Alemanha, Austria, etc. estão a fazer com o DAB+.

Lá fora utilizam-se estas tecnologias para melhor servir a população. Por cá a TDT é a pobreza franciscana que se vê e só existe (por enquanto) porque foi tornada obrigatória pela UE. Se depende-se de "certos" lobbies não haveria TDT, tínhamos ido todos direitinho para a TV por cabo. Uma vez que a adoção do DAB+ não é obrigatória, tem muito pouca chance de ser adotado em Portugal. Neste país o que interessa é facilitar o negócio de quem vende pacotes de serviços de telecomunicações.

https://tdt-portugal.blogspot.com/2025/11/chamem-policia.html

Mas recordo que o DAB+ não permite apenas enviar mensagens de texto, permite também o envio de imagens e a disponibilização imediata (pop up) de estações de rádio informativas quando necessário. Mais, os alertas podem ser "personalizados" e enviados para todo o país, uma região ou para um código postal especifico!

Como tenho escrito, por cá e como aconteceu com a TDT, são os interesses de alguns que se sobrepõem ao interesse do país!

https://tdtportugal.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/11/consulta_plano_anacom_2026-2028_blog_tdt.pdf
https://tdtportugal.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/01/planoatividadesanacom2025_2027_bloguetdt.pdf
https://dabportugal.blogspot.com/2025/11/o-dab-e-protecao-civil.html
https://dabportugal.blogspot.com/2025/11/blogue-pede-papel-mais-ativo-ao.html


Sendo mesmo muito irónico, digo que é deixar morrer isto da TDT e do DAB+ em Portugal, e depois pedir aos vizinhos espanhóis que passem a disponibilizar essas tecnologias em todo o território português... ficamos certamente melhor servidos (peço desculpa ao nosso Rei D. Afonso Henriques que tanto trabalhinho teve para rien)!

Boa tarde, Rui Cleto.

A sua ironia tem uma certa base de fundamento:
- DAB, já tivemos, numa operação quase secreta que ninguém soube. Não foi feita a divulgação, nem o sistema foi atualizado. Foi abandonado depois de enterrados 10 milhões. Neste momento, total desorientação e irresponsabilidade;
- TDT ao abandono. Total desorientação e irresponsabilidade;
Nestes dois pontos, o país, as populações, as comunidades saem prejudicadas. É o não saber fazer que nos deixa numa posição, digamos, de inferioridade em relação, aqui ao lado, ao nosso vizinho – Espanha.

Relativamente ao acesso dos canais de televisão da TVE, sim, Rui Cleto, já tivemos aqui no Ribatejo dois retransmissores, um para a TVE 1, outro para a TVE 2, sim, em território nacional. Aconteceu nos anos 80 e terminou em 1992. Se tivesse apenas antenas orientadas para Monsanto ou para Montejunto para sintonizar a RTP não se via nada. Bastava rodar as antenas para Fazendas de Almeirim (este) e o milagre acontecia, com um bónus, também se sintonizavam os emissores de Montánchez situados em Espanha. Portanto, o acesso aos média do país vizinho não seria nada de novo.

Relativamente aos conteúdos, a TVE era muito superior, com uma grelha muitíssimo bem-estruturada. Não tinha comparação, era outro mundo.

Fica um link para a mira técnica e abertura da emissão da TVE 1, algures em 1984, e era exatamente isto que víamos, com uma qualidade de receção e de imagem semelhante. O som era robusto, com uns graves poderosos e também agudos sonantes (que não se notam na gravação VHS disponibilizada na net), estava-se a dar os primeiros passos na animação gráfica 3D em TV, lá, por cá, não.

Carta de ajuste e abertura da emissão, TVE 1, 1984

* Comecei a assistir às emissões em 1983, com 12 anos, e valeu bem a pena.

Obrigado pela partilha, que tanta recordação me trouxe, pois também em Manteigas havia um retransmissor da TVE1 e da TVE1, mais tarde também com a Antena3 e a Tele5. Era um verdadeiro luxo para uma localidade do interior que, já não recordo, tarde teve a RTP2 e onde havia somente a RTP1, na localização do atualmente centro emissor da RTP.
Às vezes somos pobres, não por faltar dinheiro, mas por pobreza de espírito inovador e visão de futuro...

Radiofilo

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #692 em: Fevereiro 25, 2026, 01:08:12 am »
(...)
Espanha é tão somente o nosso vizinho do lado. A realidade nos média entre  ambos os países é bastante assimétrica. Por lá considera-se o DAB+ e TDT infraestruturas críticas, essenciais para a população. Por exemplo, infraestruturas como o DAB+ são essenciais em situações imprevistas, como apagões, ciberataques, catástrofes, que podem fazer colapsar o normal funcionamento da sociedade, sendo esta uma forma segura de manter a população informada, em vez de ficar em pânico sem saber o que se passa à sua volta. O DAB+, possibilita o envio de mensagens de texto pelas autoridades para os cidadãos, nestas situações.

Por cá reina a total irresponsabilidade, falta de rumo e estratégia. Um falhanço que atira Portugal para a ultraperiferia da Europa, vejam bem, não se consegue planear, projetar, implementar e tirar proveito de tecnologias de comunicação síncrona essenciais para qualquer país europeu e que estão a ser devidamente utilizadas, em prol das respetivas sociedades.

Não podia-mos estar mais de acordo. Tenho escrito e alertado nas consultas Anacom para a necessidade de não deixar morrer a TDT e de adotar o DAB+. "Lembrei" ao regulador (e a quem tem responsabilidades) que em Espanha a TDT foi declarada de interesse estratégico para o país e o DAB+ pode ser um importante instrumento na esfera da Proteção Civil através do sistema ASA. Infelizmente tenho sido o único a fazê-lo.

Nem o "apagão" de 2025 fez as autoridades mexerem-se. Agora tivemos as tempestades e temo que nem assim os "irresponsáveis" que nos governam ponham os olhos no que Espanha, Alemanha, Austria, etc. estão a fazer com o DAB+.

Lá fora utilizam-se estas tecnologias para melhor servir a população. Por cá a TDT é a pobreza franciscana que se vê e só existe (por enquanto) porque foi tornada obrigatória pela UE. Se depende-se de "certos" lobbies não haveria TDT, tínhamos ido todos direitinho para a TV por cabo. Uma vez que a adoção do DAB+ não é obrigatória, tem muito pouca chance de ser adotado em Portugal. Neste país o que interessa é facilitar o negócio de quem vende pacotes de serviços de telecomunicações.

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Mas recordo que o DAB+ não permite apenas enviar mensagens de texto, permite também o envio de imagens e a disponibilização imediata (pop up) de estações de rádio informativas quando necessário. Mais, os alertas podem ser "personalizados" e enviados para todo o país, uma região ou para um código postal especifico!

Como tenho escrito, por cá e como aconteceu com a TDT, são os interesses de alguns que se sobrepõem ao interesse do país!

https://tdtportugal.wordpress.com/wp-content/uploads/2025/11/consulta_plano_anacom_2026-2028_blog_tdt.pdf
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Sendo mesmo muito irónico, digo que é deixar morrer isto da TDT e do DAB+ em Portugal, e depois pedir aos vizinhos espanhóis que passem a disponibilizar essas tecnologias em todo o território português... ficamos certamente melhor servidos (peço desculpa ao nosso Rei D. Afonso Henriques que tanto trabalhinho teve para rien)!

Boa tarde, Rui Cleto.

A sua ironia tem uma certa base de fundamento:
- DAB, já tivemos, numa operação quase secreta que ninguém soube. Não foi feita a divulgação, nem o sistema foi atualizado. Foi abandonado depois de enterrados 10 milhões. Neste momento, total desorientação e irresponsabilidade;
- TDT ao abandono. Total desorientação e irresponsabilidade;
Nestes dois pontos, o país, as populações, as comunidades saem prejudicadas. É o não saber fazer que nos deixa numa posição, digamos, de inferioridade em relação, aqui ao lado, ao nosso vizinho – Espanha.

Relativamente ao acesso dos canais de televisão da TVE, sim, Rui Cleto, já tivemos aqui no Ribatejo dois retransmissores, um para a TVE 1, outro para a TVE 2, sim, em território nacional. Aconteceu nos anos 80 e terminou em 1992. Se tivesse apenas antenas orientadas para Monsanto ou para Montejunto para sintonizar a RTP não se via nada. Bastava rodar as antenas para Fazendas de Almeirim (este) e o milagre acontecia, com um bónus, também se sintonizavam os emissores de Montánchez situados em Espanha. Portanto, o acesso aos média do país vizinho não seria nada de novo.

Relativamente aos conteúdos, a TVE era muito superior, com uma grelha muitíssimo bem-estruturada. Não tinha comparação, era outro mundo.

Fica um link para a mira técnica e abertura da emissão da TVE 1, algures em 1984, e era exatamente isto que víamos, com uma qualidade de receção e de imagem semelhante. O som era robusto, com uns graves poderosos e também agudos sonantes (que não se notam na gravação VHS disponibilizada na net), estava-se a dar os primeiros passos na animação gráfica 3D em TV, lá, por cá, não.

Carta de ajuste e abertura da emissão, TVE 1, 1984

* Comecei a assistir às emissões em 1983, com 12 anos, e valeu bem a pena.

Obrigado pela partilha, que tanta recordação me trouxe, pois também em Manteigas havia um retransmissor da TVE1 e da TVE1, mais tarde também com a Antena3 e a Tele5. Era um verdadeiro luxo para uma localidade do interior que, já não recordo, tarde teve a RTP2 e onde havia somente a RTP1, na localização do atualmente centro emissor da RTP.
Às vezes somos pobres, não por faltar dinheiro, mas por pobreza de espírito inovador e visão de futuro...

Já agora, esclareçam-me uma coisa, pois eu como habitante, á época, e natural de Lisboa não tinha direito a nada disto, entenda-se TVE:

como é que era possível existirem em território nacional retransmissores de uma televisão estrangeira, no caso a espanhola? Eram piratas? É que duvido muito que fossem legais.

Yagi

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #693 em: Fevereiro 25, 2026, 10:19:44 am »
Nos anos 80 e durante muitos anos estiveram ativos vários retransmissores da TV espanhola em território português. Nessa altura haviam apenas dois canais (RTP1 e RTP2) e o apetite por mais canais era grande. Com a chegada da TV por satélite surgiram retransmissores de canais satélite em vários locais. A maioria creio que retransmitia a TVE e a RAI. Por exemplo, recordo-me de ouvir falar que havia um nas Gafanhas (Aveiro).

Claro que tudo isto era ilegal, mas a Anacom perseguiu sobretudo os canais portugueses que também surgiam. Pelo menos é essa a memória que tenho. Mas também existiram retransmissores "pirata" de canais nacionais colocados para suprimir zonas de sombra.

Infelizmente só quem mora relativamente perto de Espanha ou em locais privilegiados pode receber emissões (terrestres) regulares de rádio ou televisão espanhola. A potência do sinal de certos emissores espanhóis é limitada na direção de Portugal para não causar interferências.

Ironia notada, mas em vez de esperar-mos que sejam os outros a solucionar os nossos problemas devemos confrontar as entidades responsáveis quando surge a oportunidade. Por exemplo, nas consultas da Anacom quase ninguém envia contributos. Sempre ouvi dizer que "quem cala consente".


Zeca 2021

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #694 em: Fevereiro 25, 2026, 10:25:33 am »
No Porto também aconteceu durante parte da década de 80 haver retransmissão de canais estrangeiros para grande parte da zona Oriental da cidade, chegando perfeitamente aos arredores, como Rio Tinto, cidade que faz fronteira com o Porto na zona oriental.

Era tudo a comprar antenas em formato retangular, tidas como as melhores à epoca, para as direcionar para a zona das Antas.
O meu pai lá comprou e com vista direta para aquela zona do Porto, era uma maravilha.
A antena estava colocada na parte alta da cidade, nas Antas e bastava uma simples antena UHF/VHF para apanhar os canais.
A TVE1, 2 Galiza, RTL, Eurosports, Italia 7, Rai 1, 2 eram as retransmitidas.
 e
O grande sucesso deveu-se ao facto do canal Italia 7 ter um programa revolucionário para a epoca, o "Colpo Grosso" de strip-tease e facilmente se difundiu por muita gente, principamente pelos mais novos, essa possibilidade de se ver isso na tv e facilitou a compra massiva de antenas retangulares viradas para as antas.
Nos telhados, tinhamos a antena virada para o MOnte da Virgem e depois a quadrada para as Antas.
Às sextas à noite, la levava alguns amigos para vermos o Colpo Grosso



Foram alguns anos.
Período incrível a par das rádios piratas.
Mas, sem essa retransmissão, a TV Galiza chegava ao Porto com algum "formigueiro" e quem morava de Vila do Conde para cima, sempre teve a TV Galiza a dar.
Coisas que um país não regionalizado não tinha.
« Última modificação: Fevereiro 25, 2026, 10:32:59 am por Zeca 2021 »

AG

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #695 em: Fevereiro 25, 2026, 10:44:59 am »
Nos anos 80 e durante muitos anos estiveram ativos vários retransmissores da TV espanhola em território português. Nessa altura haviam apenas dois canais (RTP1 e RTP2) e o apetite por mais canais era grande. Com a chegada da TV por satélite surgiram retransmissores de canais satélite em vários locais. A maioria creio que retransmitia a TVE e a RAI. Por exemplo, recordo-me de ouvir falar que havia um nas Gafanhas (Aveiro).
Confirmo, tenho conhecimento disso. Não foram apenas televisões espanholas e italianas, até a MTV chegou a ser retransmitida. Isso foi feito por um dono de uma loja de electrodomésticos da zona.

A retransmissão do sinal satélite para UHF/VHF ainda durou algum tempo (talvez entre 85 e 86, por aí) até que os serviços radioelétricos da CTT, que creio que eram a autoridade competente nessa altura, acabaram com essa ilegalidade.

tuscano332

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #696 em: Fevereiro 25, 2026, 10:46:39 am »
Nunca me esqueço de nos inícios da década de 90, andava no secundário, de a TVE ter transmitido a um Domingo pela noite o segundo filme do Super Homem com o falecido Christopher Reeve(montes de pessoas gravaram o filme em cassete vídeo, inclusive eu), e de no dia seguinte não se falar de outra coisa na cidade, inclusive de crianças de 7, 8, 9 anos andarem a brincar de ser o Super Homem. Isto hoje com a perfusão de canais de Rádio e TV, creio que seria impossível, mas demonstra como em certas zonas do nosso Portugal, quem mandava era tv de Espanha e não a nossa, pelo menos até ao surgimento em 92 da SIC e depois da TVI.

Cheguei a ter conversas com espanhóis, que ficavam admirados de como sabíamos tanto de programas antigos da tv espanhola.
« Última modificação: Fevereiro 25, 2026, 10:49:37 am por tuscano332 »

Radiofilo

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #697 em: Fevereiro 25, 2026, 10:51:29 am »
Bom, o "Colpo Grosso" recordo-me de ser transmitido pela SIC nos seus primórdios...

Já quanto ao resto, que eu me lembre, em Lisboa não havia nada disso, quanto muito, algumas parabólicas que alguns afortunados já possuíam.

No entanto, na zona de Lisboa lembro-me de existirem algumas TV's piratas pelos arredores; mas, na zona onde residia, não tinha a sorte de as poder ver. Já quanto às rádios piratas, a história já era outra...

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #698 em: Fevereiro 25, 2026, 01:56:50 pm »
Pelo Grande Porto havia rumores de emissões a sair do CC Venepor e também de algures em Santa Cruz do Bispo.

Em Afife havia um repetidor VHF/UHF montado por um engenheiro alemão que vivia na vila, com rx apontado a Tui ou a Vigo, não me recordo, e tx apontado para Afife e Vila Praia de Âncora, que nos anos 80 e 90 eram localidades mal servidas de emissões.

No centro de Vila Praia de Âncora, só se ouvia com conforto a emissão de 3 rádios, nos anos 90:

87,6 (Afifense);
97,0 (Alto Minho);
103,8 (que à data emitia a Rádio Caminha, a mudança para 106,2 foi posterior).

Nada de regionais ou nacionais em escuta confortável. Com sorte apanhava-se algo do Monte da Virgem mas já nos areais.

Luisf662

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #699 em: Fevereiro 25, 2026, 09:37:55 pm »
Eu lembro-me de aqui em Lisboa nos anos 80 ver a tve1 em VHF canal 11 no verão nítida e a cores e a tve2 em UHF no canal21. Lembro-me também de mais ou menos em 86 ver a TRL - televisão regional de Loures no canal 20 ou 21 em UHF com sinal um pouco interferido pela tve2 que salvo erro estavam ao lado um do outro. Cheguei a ter também em miados dos anos 80 a Eurosport, pro7, tv5 europeu, e até a tvgaliza que não sei como é que se conseguia ver aqui em Lisboa mas devia de ser alguém a retransmitir através do satélite. Isto tudo em UHF.

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ruicleto

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #700 em: Fevereiro 27, 2026, 10:48:10 am »
A IB3 Radio comemora o seu 21º aniversário com a difusão digital terrestre - DAB+, disponível em todas as Ilhas Baleares, um arquipélago espanhol no Mediterrâneo, dando início ao projeto regional de rádio digital.
Por cá, seria bom que as nossas comunidades intermunicipais/distritos também pudessem dispor desta tecnologia que traria, certamente, mais proximidade com os cidadãos...
Notícia disponível em: https://www.worlddab.org/news

joao_s

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #701 em: Fevereiro 27, 2026, 07:47:52 pm »
(...)
Espanha é tão somente o nosso vizinho do lado. A realidade nos média entre  ambos os países é bastante assimétrica. Por lá considera-se o DAB+ e TDT infraestruturas críticas, essenciais para a população. Por exemplo, infraestruturas como o DAB+ são essenciais em situações imprevistas, como apagões, ciberataques, catástrofes, que podem fazer colapsar o normal funcionamento da sociedade, sendo esta uma forma segura de manter a população informada, em vez de ficar em pânico sem saber o que se passa à sua volta. O DAB+, possibilita o envio de mensagens de texto pelas autoridades para os cidadãos, nestas situações.

Por cá reina a total irresponsabilidade, falta de rumo e estratégia. Um falhanço que atira Portugal para a ultraperiferia da Europa, vejam bem, não se consegue planear, projetar, implementar e tirar proveito de tecnologias de comunicação síncrona essenciais para qualquer país europeu e que estão a ser devidamente utilizadas, em prol das respetivas sociedades.

Não podia-mos estar mais de acordo. Tenho escrito e alertado nas consultas Anacom para a necessidade de não deixar morrer a TDT e de adotar o DAB+. "Lembrei" ao regulador (e a quem tem responsabilidades) que em Espanha a TDT foi declarada de interesse estratégico para o país e o DAB+ pode ser um importante instrumento na esfera da Proteção Civil através do sistema ASA. Infelizmente tenho sido o único a fazê-lo.

Nem o "apagão" de 2025 fez as autoridades mexerem-se. Agora tivemos as tempestades e temo que nem assim os "irresponsáveis" que nos governam ponham os olhos no que Espanha, Alemanha, Austria, etc. estão a fazer com o DAB+.

Lá fora utilizam-se estas tecnologias para melhor servir a população. Por cá a TDT é a pobreza franciscana que se vê e só existe (por enquanto) porque foi tornada obrigatória pela UE. Se depende-se de "certos" lobbies não haveria TDT, tínhamos ido todos direitinho para a TV por cabo. Uma vez que a adoção do DAB+ não é obrigatória, tem muito pouca chance de ser adotado em Portugal. Neste país o que interessa é facilitar o negócio de quem vende pacotes de serviços de telecomunicações.

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Mas recordo que o DAB+ não permite apenas enviar mensagens de texto, permite também o envio de imagens e a disponibilização imediata (pop up) de estações de rádio informativas quando necessário. Mais, os alertas podem ser "personalizados" e enviados para todo o país, uma região ou para um código postal especifico!

Como tenho escrito, por cá e como aconteceu com a TDT, são os interesses de alguns que se sobrepõem ao interesse do país!

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Sendo mesmo muito irónico, digo que é deixar morrer isto da TDT e do DAB+ em Portugal, e depois pedir aos vizinhos espanhóis que passem a disponibilizar essas tecnologias em todo o território português... ficamos certamente melhor servidos (peço desculpa ao nosso Rei D. Afonso Henriques que tanto trabalhinho teve para rien)!

Boa tarde, Rui Cleto.

A sua ironia tem uma certa base de fundamento:
- DAB, já tivemos, numa operação quase secreta que ninguém soube. Não foi feita a divulgação, nem o sistema foi atualizado. Foi abandonado depois de enterrados 10 milhões. Neste momento, total desorientação e irresponsabilidade;
- TDT ao abandono. Total desorientação e irresponsabilidade;
Nestes dois pontos, o país, as populações, as comunidades saem prejudicadas. É o não saber fazer que nos deixa numa posição, digamos, de inferioridade em relação, aqui ao lado, ao nosso vizinho – Espanha.

Relativamente ao acesso dos canais de televisão da TVE, sim, Rui Cleto, já tivemos aqui no Ribatejo dois retransmissores, um para a TVE 1, outro para a TVE 2, sim, em território nacional. Aconteceu nos anos 80 e terminou em 1992. Se tivesse apenas antenas orientadas para Monsanto ou para Montejunto para sintonizar a RTP não se via nada. Bastava rodar as antenas para Fazendas de Almeirim (este) e o milagre acontecia, com um bónus, também se sintonizavam os emissores de Montánchez situados em Espanha. Portanto, o acesso aos média do país vizinho não seria nada de novo.

Relativamente aos conteúdos, a TVE era muito superior, com uma grelha muitíssimo bem-estruturada. Não tinha comparação, era outro mundo.

Fica um link para a mira técnica e abertura da emissão da TVE 1, algures em 1984, e era exatamente isto que víamos, com uma qualidade de receção e de imagem semelhante. O som era robusto, com uns graves poderosos e também agudos sonantes (que não se notam na gravação VHS disponibilizada na net), estava-se a dar os primeiros passos na animação gráfica 3D em TV, lá, por cá, não.

Carta de ajuste e abertura da emissão, TVE 1, 1984

* Comecei a assistir às emissões em 1983, com 12 anos, e valeu bem a pena.

Obrigado pela partilha, que tanta recordação me trouxe, pois também em Manteigas havia um retransmissor da TVE1 e da TVE1, mais tarde também com a Antena3 e a Tele5. Era um verdadeiro luxo para uma localidade do interior que, já não recordo, tarde teve a RTP2 e onde havia somente a RTP1, na localização do atualmente centro emissor da RTP.
Às vezes somos pobres, não por faltar dinheiro, mas por pobreza de espírito inovador e visão de futuro...

Já agora, esclareçam-me uma coisa, pois eu como habitante, á época, e natural de Lisboa não tinha direito a nada disto, entenda-se TVE:

como é que era possível existirem em território nacional retransmissores de uma televisão estrangeira, no caso a espanhola? Eram piratas? É que duvido muito que fossem legais.

Boa tarde, “Radiofilo”.

Os retransmissores da TVE do Ribatejo funcionavam 7 dias por semana, 365 dias/ano, como qualquer canal português, com qualidade de imagem e som comparáveis (até melhores), com uma diferença, em vez da origem da emissão estar em Lisboa, tinha origem em Madrid. Tratando-se de canais planificados e estruturados segundo uma lógica devidamente delineada para servir os interesses do público, modelo de país/sociedade, mundovisão, qualidade de conteúdos e profissionalismo, estes canais não podem ser considerados piratas. Um canal pirata é feito por amadores, carolice e não obedece a uma estratégia específica para o conjunto da população.

Em 1983, quando comecei a ver, apenas existia o retransmissor da TVE1 em Fazendas de Almeirim, tendo entrado em funcionamento o retransmissor da TVE2, salvo erro, em 1987. Sabíamos, nesse período, que o sinal chegava a Vila Franca de Xira, já no distrito de Lisboa, e, deduzo, que também devia chegar à zona onde é atualmente o Parque das Nações, nesse tempo, uma área industrial abandonada.

Esta iniciativa surgiu da sociedade civil e de grupos locais, tendo uma assinalável aceitação pela população, cafés, espaços públicos em geral onde haviam televisores.

Em alguns cafés e espaços comerciais as pessoas contribuíam monetariamente para o funcionamento e manutenção dos emissores.

O interesse não era de haver de mais canais, o interesse eram mesmo os conteúdos.

Volvidos todos estes anos, só tenho a agradecer a quem teve a ideia e pôs em prática esta iniciativa (manifesto-me por muitos). Valeu!
Gostaria que voltasse.

Radiofilo

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #702 em: Fevereiro 28, 2026, 01:11:28 am »
Caríssimo João S,

Em não me referi aos canais (TVE e outros) como piratas, mas sim aos retransmissores dessas estações em território nacional que, como é óbvio e foi referido acima pelo caro AG, eram ilegais.
« Última modificação: Fevereiro 28, 2026, 12:48:40 pm por AG »

joao_s

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #703 em: Março 01, 2026, 04:23:19 pm »
Caros “Yagi” e “Radiofilo”,

os retransmissores de Fazendas de Almeirim não eram piratas, retransmitiam na íntegra as emissões das TVE1 e TVE2 como fazem, por analogia, os retransmissores da Observador, SmoothFM, M80, etc., ou seja, ampliavam a cobertura de sinal dos canais do país vizinho para uma área maior. Caso contrário, os espetadores da fronteira também assistiam a emissões piratas, o que não faz o mínimo sentido.

Relativamente ao segundo ponto, tenho sérias dúvidas que fossem ilegais. Não conhecendo de todo a lei e regulamentos que estavam em vigor nesse período, as evidências seguintes permitem concluir que foram aproveitadas brechas, lacunas, omissões nos normativos vigentes nessa época para avançar com a iniciativa:

- Comecei a ver em 1983, já existia nesse ano, não sei quando começou. Então, durante pelo menos 1 década o(s) emissor(es) estiveram operacionais, colocando sinal até às portas de Lisboa e ninguém reparou? Estranho, não acham?
- Era comum em restaurantes, cafés e outros espaços públicos haver televisores com as emissões da TVE. Ninguém se apercebeu que seria pouco provável, a mais de 150 km de Badajoz, próximos de Lisboa, haver de forma tão generalizada o acesso a essas emissões e com receção “limpa”, “otimizada”?
- Os técnicos que montavam antenas, a partir de certo momento, não tiveram mãos a medir para as solicitações. A população sabia onde estavam os emissores, havia a convicção geral que o acesso aos canais aludidos seria “para uma vida”, não se vislumbrava um fim à vista. Portanto, localmente ninguém via esta iniciativa como ilegal.
- Quem percebesse minimamente do assunto, sabia que haviam 3 alternativas na zona para sintonizar os canais portugueses: Lousã – Trevim (noroeste), Monsanto (sudoeste) e Montejunto (oeste, em linha de vista). Então, como seria possível existirem muitas antenas orientadas para este, sem alternativas viáveis de sintonia dos canais portugueses? Outro pormenor subtil, mira técnica a indicar “Montánchez, Canal 9”, sintonizada no canal 21…
- O boom de demandas para a instalação de antenas, dá-se quando nas famílias, os pais se vão apercebendo, através das conversas quotidianas, que estas emissões são um complemento à Educação de casa e à Educação formal da escola, isto, como é evidente, para além do seu próprio interesse.

Portanto, é muito provável que esta situação não estivesse tipificada nos normativos legais, à época, correto?

Memorias da Radio

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Re: Rádio em Espanha
« Responder #704 em: Março 01, 2026, 04:57:15 pm »
Na altura, a parte da monitorização dos emissores era feita salvo erro pela RTP, e apenas perto do início das privadas em 92 se transferiu para uma empresa pública (salvo erro a TLP, mais tarde Portugal Telecom).

As transmissões de TV numa área que comercialmente não interferia nem nunca interferiria com a RTP nem com a medição de audiências nos termos em que era feita, e que de um ponto de vista técnico não causariam nunca o bloqueio da visualização dos canais da RTP, eram essencialmente inofensivas. Mais: sendo Portugal uma jovem democracia e também o sendo a Espanha, tratar destes temas, caso chegasse disto ao país vizinho, podia criar um incidente diplomático que simplesmente ninguém queria, mais a mais tendo que haver harmonização na fronteira.

Isto é diferente dos projetos de várias televisões locais, como a TRL (Televisão Regional de Loures) ou a TIT (Televisão Independente da Trofa), que operavam no mesmo mercado que a RTP.

Por fim, à época, o tema da rádio era muito mais chato e ocupava muito mais recursos (e envolvia muito mais operadores) que apenas a RDP, ou seja, em termos de regulação era muito mais prioritário que dois emissores perdidos numa área extensíssima como o Ribatejo a transmitir algo decente e de bom tom.

Não penso que eram ilegais, penso que seria uma área cinzenta, e muito bem foi aproveitada, como o era a transmissão de satélite até meados dos anos 90 e o início da encriptação, era a mesma lógica. Claro que depois com as mudanças profundas do mercado e da forma de organização, em tudo, deixou de ser viável nos termos em que estava a ser feito.

Hoje, se se quiser canais espanhóis de graça sem TDT, ainda é possível através da IPTV. Tem é que se saber fazer.

Desculpem o offtopic.