10 milhões de euros de passivo e prejuízos de 1 a 2 milhões de euros por ano numa rádio com cerca de 3.5% de audiência é bastante mau. Deixou-se a TSF chegar a um estado completamente lastimável nas contas em nome de muito pouco.
Isso em conjunto com o mercado publicitário descendente e mais de uma década de prejuízos até com o mercado a crescer... e não estou a ver salvação à TSF. Não no espaço de tempo que uma nomeação de liderança destas tem.
Pelas minhas contas o relançamento tinha que atirar a rádio para a casa dos 5.5-6% de audiência, arrumar bastante com a Renascença e reduzir a Antena 1 à expressão mínima dos 3% (lutam todas pelo mesmo auditório, a RR agora bem menos), e tentar cativar auditório às duas principais, para isto *sequer* ter ligeiro lucro. E tinha que se arranjar solução para os dez milhões de passivo.
É uma mudança tão violenta quer em lógica, quer em estilo, quer em mercado, que não a estou pura e simplesmente a ver a acontecer. A rádio tinha que passar a ser multimeios e ter uma presença relevante por conexão em qualquer outro local para alavancar isso...
O que deve acabar por suceder é a TSF falir... outra vez, e ter a RRN e locais vendidas para cobrir o quase ou a totalidade do passivo, que não me parece impossível considerando que há gente a pagar 1 milhão e tal de euros por frequências em Lisboa e isto é uma rede quase nacional.
No meio disto tudo a reinvindicação por aumento de salários do pessoal da TSF ficou quase pífia quando o projeto está a uma unha de ir desta para melhor. Justa, atenção, mas quase pífia no grande cenário das coisas.
Não tinha noção que isto estava assim tão grave.
E não estou a ver a Observador a ter unhas para tocar esta guitarra quando o próprio projeto também dá prejuízo e já sabe Deus como é quando andam a gerir 200k de prejuízos (menores ano após ano). Engolir a TSF, salvo com muita dívida e uma estrutura levíssima, mataria a Observador automaticamente, seria um passo maior que a perna.
Alternativas viáveis serão a Impresa (se tiver já capital bancário para se reendividar, ficaria um bloco fortíssimo), a Bauer nem se questiona, e não estou a ver mais que isso. Mas acho que vamos a caminho de ficar sem uma informativa, ou de a ver bem depauperada.
Infelizmente.