Tanta atenção que se dá a algo que não a merece.
Não me querendo alongar muito, porque este tema, de facto, não merece muito mais, porém entendo que devo deixar aqui algumas notas que enquadrem alguns dos meus comentários sobre esta estação. Desculpem desde já a parede.
Mas começando pelo mais importante:
1. Sem ponta de ironia, com total sinceridade: o vídeo está fantástico, é o que me apraz dizer. Concordo com o ouvinte, sim é uma sátira ao que aqui escrevemos, sem margem para dúvida (
e acreditem que sei de fonte segura que o que aqui se escreve dispara por aqueles corredores à velocidade da luz), mas está tremendamente bem feita. Ter a capacidade de brincar com as coisas e lidar com a crítica é bom. Para além disso, pela primeira vez em muito tempo, desde que há uma mudança de grelha estão a fazer a coisa bem: despertar curiosidade. Até pode parir um rato, e já percebemos que sim pelo que sabemos, mas cria laço. Portanto, estão de parabéns! Ainda assim, não me deixo de questionar porque é que um fórum participado por um punhado de ouvintes gera tanta preocupação. Se calhar estamos a fazer alguma coisa de bem

. Que é como quem diz, picar para crescerem. Esta e todas as outras estações, que é o que quer quem gosta do meio, escutá-lo mais forte e com mais qualidade. Afinando a ironia, digamos que somos uma espécie de amostra representativa premium, que por acaso não se costuma enganar muito em relação ao que revelam as tendências da Marktest. Única crítica, mesmo, sei que a RR é a mãe, mas não se arranjava umas fitas da Mega para as estagiárias?
2. Posto isto, corrijo a afirmação, que escrevi esta manhã. Se calhar há menos teatro aqui do que o que se imagina. E vou-vos dizer que nem foram precisas fontes (o plural não é despropositado) que me o confirmassem. Quando levantei aqui a questão, intui tal pelas redes sociais, mas também, e pasme-se, ainda há alguém que ouve as intervenções dos animadores. Sendo que, por vezes, quando as pessoas estão muito à vontade não é difícil a boca ou o tom de voz fugir para a verdade. Claro que se A se dá com B ou com C não interessa nada, nem na Mega nem em qualquer empresa, isso é vida pessoal.
3. Exceto se... tal contribuir para criar um clima de trabalho tenso e onde não seja a meritocracia a fazer progredir as pessoas. Aula nº1 de Gestão de Recursos Humanos! Fator crítico de sucesso para uma organização são as pessoas: primeiramente as de dentro, depois as de fora. Exemplo prático: penso ser mais ao menos consensual que o Diogo Pires é o nome mais forte da Mega. Até os próprios colegas dão isso de barato. Que sentido faz não ter o melhor, no painel de maior destaque? Em que outra rádio isso acontece, com exceção, diria que da Antena 1? A Mega é feita por malta de 20's/30's e se há coisa que a nossa geração quer SEMPRE é desafio, provar o valor. Quando se inverte esta lógica, e se arrasa com a meritocracia e capacidade de trabalho, substituindo-a pela "followcracia" estraga-se tudo. Depois claro, a Marktest é que não tem credibilidade.
4. Para ver se fica claro, de uma vez por todas, a minha crítica não é dirigida ao animador A, B ou C, muito menos ao que fazem nas suas vidas e redes sociais. Surpreendam-se com isto, há pessoal que aprecio bastante ouvir no ar e não seguia porque não me interessava e o inverso também é verdade. Acrescento ainda mais, já tive oportunidade de trocar impressões com TODOS os animadores da Mega (equipa versão 2021/2022) e não tenho absolutamente NADA a apontar a qualquer um deles, bem pelo contrário, são todos pessoas simpaticíssimas, absolutamente cordiais e abertos a ouvir o que deste lado temos a dizer, de uma forma construtiva, mas também a partilhar saberes. E isso é uma marca Mega, acreditem, e terá certamente cunho do seu diretor. A minha crítica é a uma opção editorial, que recai isso sim, sobre uma linha orientadora do jogo. Entendamo-nos, criticar o treinador do Benfica ou do Porto pela equipa que põe a jogo é um direito do adepto. Insulta-lo não. Percebem o ponto? O meu juízo recai sobre uma escolha do Nélson Cunha, não à sua pessoa. Voltando à analogia, até o melhor dos treinadores teve pelo menos uma época na carreira em que as coisas não correram bem. Agora, todos erram. Insistir no erro, desculpem mas é pouco compreensível, porque não estamos a falar nem de uma nem de duas vagas...já são algumas. Relembro que tal se aplica a qualquer outra rádio.
5. Uma crítica dirigida à postura do animador A ou B no ar, não só é admissível, quanto desejada, conquanto é o feedback que retornam do público que os faz crescer e ajuda a posicionar. Exemplo prático: quando "bati" na Inês Nogueira por alguns comentários on air que entendo serem um pouco desajustados, não ponho em causa o ENORME talento que ela tem, nem a sua belíssima voz. Pelo contrário, faço-o, com especial enfoque em quem sei que tem potencial de crescimento e estagna. Gostar do meio também significa gostar de ver os excepcionais a voarem, os bons a se tornarem excelentes e os mais fracos a darem tudo quando lhes é dada a oportunidade. Concretamente sobre a Mega, pelo menos até à bem pouco tempo, isto é especialmente verdade, quando tinham um plantel tão melhor que o da concorrência direta.
6. Sendo certo que preferências no estilo são relativas, e cada um terá as suas, critérios há que, objetivamente não o são, por exemplo, a capacidade de exploração de um tema, construção frásica, forma de tratamento do ouvinte, etc.
7. Também não é verdade que não se escreva muito sobre as outras rádios. Pensando na concorrência direta, assim de repente, é só lembrar da novela encosto de Laura Ferreira nos 101.0, abundante em posts nas redes sociais e em falta de sentido de quem toma aquela decisão. Não fosse a pressão do auditório e teria a MCR perdido uma grande profissional. Lembro-me também das páginas de fórum que se encheram (e bem!) a propósito da série "Manhãs da Antena 1".
8. Quando falei em toxicidade do produto, não me referia a pessoas, falava fundamentalmente de duas coisas: playlist e ideia do conceito pretendido para a estação. Ambos já tiveram muito melhores dias. Volto a relembrar, tal não é culpa de quem está a abrir a via diariamente. Exceção permitam-me para o caso Conguito, o único em que vida pessoal se misturou com impacto negativo na profissional, e na verdade estação. E veja-se, eu sou tão crítico do pessoal, que até aqui defendi quem lhe prestou solidariedade, porque o plano da amizade é algo que não se tem o direito de anular.
9. Finalmente e o mais relevante por dois motivos. Primeiramente, porque, concordando ou não com o modelo, as rádios jovens são as escolas dos profissionais que vão segurar as pernas das rádios adultas amanhã e que também servem de peneira, separando "o trigo do joio". Mas mais importante que isso, criam ligação entre um público mais jovem e o meio rádio. Sejamos sinceros, por muito excepcional que seja uma Observador, ou uma Antena 1, qual será a real percentagem de jovens "under 30" que as ouvem? Aqui vou pela minha percepção, e conversas que vou mantendo: muito baixa. Até porque, tal como a geração anterior se revê em nomes de excelência...da sua geração, o mesmo acontece com a nossa. Por isso, encerro com esta deixa: é tão importante para o meio que se aposte mais em talento, daquele realmente bom, e não do pseudo, medido por likes e seguidores prévios à chegada ao éter, bem como em bons conteúdos no ar, daqueles que não estupidifiquem. Por isso é que, por exemplo, que sentido fazem prank calls ou falar no famoso A ou B a toda a hora? Pode-se falar de tantos outros temas, de uma forma atrativa e que cative. Sendo certo que há talento ali para fazer MUITO mais e a custar pouco.
Quanto ao mais, que 2023 seja o ano de inversão de ciclo da Mega, é aquilo que desejo.