País centralizado no futebol (e mesmo assim só em 3 clubes) e culturalmente ignorante desportivamente no resto das outras modalidades refletido nas intervenções de José Pedro Pinto no Jornal de Desporto às 7h30 e 8h30 com as seguintes pérolas. " ouviu-se pela primeira vez a Portuguesa"- ora o hino só se ouve nos Jogos Olímpicos para o vencedor e no início dos jogos das modalidades coletivas. Outra pérola " Maria Inês Barros garantiu o diploma olímpico no Tiro com Arco" Ora foi no outro tiro que utilizada armas que não o arco e flecha.
Infelizmente, há verdade nas suas palavras.
Basta ir até Valência de Alcântara e o cenário desportivo muda.
Contudo, segundo o que leio e assisto, já fomos muito melhores nesse requisito.
Numa altura em que o Mundo era mais fechado, chegámos a ter uma Rádio Comercial que cobria em rigoroso directo, modalidades desportivas extra-futebol.
Convido-vos a assistir ao depoimento do Mestre Fernando Correia (e que lástima é neste país não se aproveitar a experiência destes velhos sábios) no âmbito do 40.º aniversário da estação da Sampaio e Pina.
A história do relato da vitória do Carlos Lopes em 1984 é deliciosa.
https://youtu.be/y2oE7ivXqaI?si=w73JkEhLuT6Txsq5
Tenho o José Pedro Pinto por um excelente profissional, acredito que tenham sido falhas de ocasião. Claro que há coisas que falham na Antena 1 e que devem ser corrigidas. Um destes dias apanhei um jornal que foi quase todo feito com os textos da Lusa, sendo que na peça da venda dos títulos da GMG foi mesmo ipsis verbis. Isto é algo que não pode acontecer.
Rádio Comercial hoje só existe o nome. O resto foi-se, e a ERC continua a renovar um alvará generalista a uma rádio que hoje é musical.
Ontem, numa viagem nocturna de carro, lá tive a escutar a tão famigerada «música a metro», antes de migrar para a irmã mais nova em directo de Ponte de Lima (e que grande cobertura fizeram).
Nesses minutos de viagem, deu para apanhar temas que seriam impensáveis há uns anos na Antena 1, tais como o clássico Safe From Harm dos Massive Attack.
Claro que gostos não se discutem, mas para o meu gosto e apesar da falta de palavra em directo que crítico na estação pública, é refrescante saber que as selecções musicais são muito mais variadas que há uns tempos.
Também congratulo a decisão de não romper com os programas de fim-de-semana em período de férias, repondo antigas edições dos mesmos.
Pois já eu, devo dizer que, pese embora aprecie as três artistas, fico um tanto ou nada chocado ao ouvir de rajada num painel diruno semanal da Antena 1 Fortnight de Taylor Swift, Houdini de Dua Lipa e Please, Please, Please de Sabrina Carpenter. É que nem a RFM lançaria esta trilogia para o ar.
Quanto à repetição de programas... cuidado! Afasta ouvintes fiés, e dificilmente atrai novos.
Acho que tu, o Atento e o AG já responderam exactamente aquilo que penso, em tópicos diferentes.
Sobre a Antena 1, é claro que preferia programas de palavra novos para esta silly season. Contudo, é preferível isto ao que era verificado no passado, nomeadamente na música a metro.
É certo e sabido que tudo está disponível em várias plataformas de podcast, mas não creio que isto seja um repelente de quem segue os programas. Dando como exemplo os Radicais Livres, é sempre bom voltar a escutar em antena os dois decanos moderados pelo Rui Pêgo ou pelo Luís Marinho, na melhor fase d programa. Errado está em insistir nas repetições da Cena do Ódio eternamente.
Sobre a conjugação pop... Bem, nos últimos tempos do Rui Pêgo na direcção, escutava-se coisas ao nível de uma RFM. Também não acho essa sequência feliz, mas não me importo que estas estejam na playlist da A1, até porque da pop actual, devem ser das melhores artistas. Mas como disse anteriormente, gostos não se discutem.
Por fim, sobre o desporto... Não sou dos que cresceu a ouvir a RC ou a Antena 1 nos anos 80 e 90, mas era eu adolescente e a Tarde Desportiva ainda cobria nos anos 2000 jogos importantes de outras modalidades e todos os jogos da II Liga e um da II B, sendo conduzida em estúdio pelo Alexandre Afonso e com os comentários, directamente do Porto, do Álvaro Braga Júnior.
Passou-se muita coisa de lá para cá, mas isso, como diz o Atento e o almeidamarco, não pode ser motivo para se deitar a toalha ao chão. Até porque o desporto é parte activa da sociedade civil.
Sobre a Rádio Comercial... Daqui a um ano vamos ver a deliberação da ERC, contudo, segundo os trâmites legais, a ERC deverá considerar (não é que concorde) a renovação do seu alvará de generalista. Ora vejamos, apesar de magra, tem uma redacção com notícias nas horas legalmente exigidas e com serviço de trânsito, bem como se considerarmos o Programa da Manhã e os podcasts como o Debaixo da Língua, programas de palavra (mesmo a maioria deles estarem remetidos aos serviços a pedido), a Rádio Comercial pode encaixar-se numa generalista... apesar de nesse requisito estar a anos luz da Antena 1 e da Rádio Renascença.
Por fim, o JPP é um craque no relato. Mas as calinadas que deu, além de ser revelador que também é um ser humano, também espelha uma falta de cultura desportiva na rádio pública extensível a outras modalidades além do futebol. Essa falta de cultura desportiva também leva a uma menor exigência.
Como disse, basta ir a Valência de Alcântara e escutarmos o Tablero Deportivo para apanharmos notícias e relatos de outras modalidades, algumas bem distantes daquilo que o comum cidadão português costuma consumir.
Quando era criança, era comum (até porque só tinha 4 canais) ver o Desporto 2 ao fim-de-semana, com coberturas de andebol, hóquei em patins, basquetebol, entre outras modalidades. Se sou um consumidor ávido desses desportos? Não. Mas a transmissão/relato dos mesmos levou-me a ter uma cultura desportiva um pouco melhor se se tivesse apenas circunscrito aos programas de futebol que gravitam em torno dos três grandes.
E a Antena 1 como rádio de serviço público tem o dever de promover o desporto em Portugal!