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as minhas primeiras memórias auditivas são da RC - Rádio Rock e da Rádio Renascença, do Jogo da Mala e do Paulino Coelho nas manhãs. Fazia muitas viagens de carro com a minha mãe durante as manhãs e ela ouvia muito a RR e o HQMC.
Na TV, fui fortemente influenciado pelo Top +, pelo Live Aid e pelos concertos que davam à noite na RTP2. O mais marcante para mim foi Roger Waters em Berlim (1990). Também me lembro daquelas montras dos cafés repelas com cassetes (que ainda usei e sei bem a relação complicada que tinha com as canetas BIC).
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Por fim, como o senhor se sente ao ver a Rádio Pernes transformada na Record Santarém?
Saudações ribatexanas! 
Não comprávamos cassetes gravadas, gravávamos as cassetes ou a partir da rádio ou através de discos de vinil (era o MP3/streaming da época). Nunca comprei uma cassete gravada de origem.
Comecei a ouvir rádio nestes dois aparelhos, decorria o ano de 1981, quando tinha 11 anos: rádio-relogio “Maximal 3600†e rádio leitor de cassetes “Pioneer RK-355Aâ€. Foi a primeira temporada do programa “ViváMúsica†(1981) da RTP 1 que suscitou o meu interesse pela rádio, uma vez que a versão radiofónica chamava-se “TNT – Todos No Topâ€, emitida no “FM Estéreo da Rádio Comercialâ€. Quando fazia os TPC da escola ou estudava para os testes, o rádio tinha obrigatoriamente de estar ligado. O aparelho da Pioneer acompanhou todo o meu percurso escolar e académico desde então, uma vez que o trabalho de casa rendia mais com o rádio ligado (e tinha de ser este aparelho, outro qualquer não resultava). Ainda hoje, volvidos 38 anos, o mesmo funciona quase como novo. Este longo perÃodo de escuta (também em equipamentos HI-FI) moldou os meus gostos musicais, consubstanciados por aquilo que ouvia em várias estações de rádio, devidamente selecionadas.
Verifico que, musicalmente, foi influenciado por espetáculos que não pertencem à sua geração. Live Aid, foi emitido em direto e na Ãntegra pela RTP 1 no ano de 1985, numa longa maratona televisiva, o concerto do Roger Waters (ex-Pink Floyd) em Berlim, “The Wallâ€, data de 1990. A curiosidade pelo que as gerações precedentes ouviam acontece com todos (ou quase).
Não comento a Rádio Pernes, não oiço.
No geral, o Ribatejo tem bastante potencial que não é devidamente aproveitado, devido, em grande parte, à mentalidade que impera há décadas, que divide e não une, sem sinergia e estratégias comuns, o que prejudica o desenvolvimento de toda a região. Mas, essa é outra conversa... Julgo que fazem falta projetos de rádio robustos e de âmbito regional (englobando um ou mais distritos), ligados, por exemplo à imprensa regional, e vocacionados para as iniciativas e dinâmicas dessas regiões (não cópias disto ou daquilo).
Termino, referindo que, no geral, falta rejuvenescimento na comunicação social portuguesa e, em particular, na rádio pública. Estamos em contraciclo com os outros paÃses da Europa (Espanha, França, Reino Unido, etc…). É necessário sangue novo, novas ideias, iniciativas e formas de fazer rádio que estejam em consonância com o público de hoje.
Saudações Cordiais.
Sobre a M80, certamente será um pouco anacrónico e infeliz o que irei dizer, mas quando a Antena 3 bateu naquele poço sem fundo, entre as saÃdas e indie, a M80 deve ter sido a rádio que mais consumia, mesmo tendo, à época, pouco mais de 20 anos.
Não é nada infeliz, pelo contrário.
Eu em 2001-2002, tendo na altura 13-14 anos, a minha rádio favorita era a Nostalgia. Ainda hoje para mim é a melhor rádio musical que ouvi, com um painel de luxo e uma playlist excelente, além de um ou outro programa de autor.
Claro que à época ouvia bastante a Comercial Rock ou a Antena 3 da era Montez e a local TOP FM. E mesmo mais tarde, com o regresso do RCP, apesar de ser bastante novo, passou a estar com naturalidade no topo das minhas preferências.
Nesse ano de 2003 deixei de ouvir a Comercial quando o Tojal arruinou a rádio rock. A playlist era intragável com Celine Dion, Santos e Pecadores, e outras coisas desse género. Mais tarde passaram a fazer quase concorrência ao RCP (!) com o claim dos 'grandes clássicos e mais música nova', era melhor mas mesmo assim muito repetitiva.
Como não apanhava a Best na minha zona, passei a ouvir ainda mais a Antena 3. Também me virei um pouco mais para a Antena 1, pois também passei a estar mais interessado em boa informação. A RR já ouvia por causa do desporto.
Em 2006 a MCR teve a sua melhor fase até hoje, a meu ver. A Comercial passou a ter programas de autor como o já citados de João Vaz e António Sérgio, e voltei a ser ouvinte. O mesmo no RCP (mais informativo nas manhãs) com Nuno Infante do Carmo ou José Carlos Cunha que tinha um programa de easy listening domingos à noite! Foi pena ambas não terem durado muito, no caso do RCP era o tipo de rádio que acho que ainda hoje faz falta em Portugal, a RR podia ser perfeitamente essa rádio.
Entretanto com o aumento da facilidade em ouvir emissões online, passei a assÃduo ouvinte da Mix FM ou da Radar. De lá para cá, não tenho alternado muito nos gostos. Antena 1, Antena 3, Radar (agora em FM), Marginal, Smooth, ou rádios internacionais de vez em quando...
Agradeço-lhe as suas afáveis palavras e a forma pormenorizada e apaixonada como falou dos retalhos que guarda da sua infância/juventude.
O Live Aid que me estava a referir foi uma versão (ou tentativa de) do que ocorreu em 1985.
Esta ocorreu em 2005 e, partindo do mesmo pressuposto humanitário do original, serviu também para comemorar o seu vigésimo aniversário.
Nesse certame, apresentado em Portugal pela RTP1 e com os comentários de Pedro Ribeiro e Ana Lamy e as reportagens da Ana Galvão e do LuÃs Oliveira (então, os repórteres do Top +).
Esta versão, se emiscuirmos as polémicas, teve o condão de ser uma autêntica maratona que durou uma semana e meia, com concertos em todos os paÃses do G8 e em Ãfrica (creio que na Ãfrica do Sul).
Lembro-me de assistir, colado à RTP, os espectáculos dos Green Day, U2, Linkin Park, Coldplay, Maroon 5, Robbie Williams e que na altura não gostava de ter visto os Pink Floyd, que se reuniram prepositadamente para este evento (mea culpa mea maxima culpa).
Acho que a Antena 3 também esteve lá presente, mas como na altura não a ouvia, não posso afirmar com exactidão.
Para além do Live Aid, também cresci com o boom dos festivais de Verão e a vinda de artistas que, nos anos 80, eram muito difÃceis de virem a Portugal.
Voltando às memórias, o rádio da minha avó era um Grundig daqueles que carregávamos ao ombro e que tinha leitor de cassetes.
Lembro-me que os meus pais me ofereceram uma espécie de Walkman da loja dos 300, onde podia ouvir a minha cassete do Pokémon Total e a rádio que pretendesse.
Por fim, falando sobre a RC. Eu só passei a ouvi-la regularmente e conscientemente, muito influenciado por um primo meu, em 2007/2008, O Palmeirim e a Catarina Miranda já lá estavam, o Diogo Beja fazia as Manhãs 2, a Sofia Morais também lá estava e a estação passava música popular e contemporânea adulta. Era uma altura em que alternavam com o Pedro Vaz, o Gil do Carmo, ou o Ricardo Azevedo, com as sonoridades anglo-saxónicas da época (Amy McDonald, Duffy, Coldplay, Marion 5, Gwen Stefani, Madonna, etc.), remexendo, a meu ver, prepositadamente com as memórias colectivas da Rádio Rock. Lembro-me que passavam também Green Day, o novÃssimo The Day That Never Comes dos Metallica, 3 Dors Down, Puddle of Mudd Incubus, Staind, Creed, a Lonely Day dos System of a Down ou Linkin Park (provavelmente, a par dos SOAD, a banda que mais marcou a minha geração).
Também ouvia os 97.7 MHz, já na era Rádio Clube, pois gostava imenso do Lugar Cativo e das Conversas de Café entre o Senhor Fernando Correia e o Carlos Dolbeth (muito antes da sua revelação na Sporting TV).
Já tive oportunidade de dizer isto pessoalmente ao Senhor Fernando Correia e ele, para além do ar meio surpreendido, foi de uma amabilidade extrema, revelando ser um gentlemen, dentro e fora de estúdio.
Ouvi o fim agonizante do Rádio Clube. Estava em escuta quando, à meia noite, se tocou o «E Depois do Adeus» do Paulo de Carvalho.
Tinha tudo para ser a verdadeira rádio de palavra neste paÃs, mas não sei bem o que se passou com a gestão do LuÃs Osório e o seus despedimentos colectivos.
Curiosamente, graças a isso, o Diogo Batáguas foi promovido de estagiário a pivô do Lugar Cativo e, mais tarde, passei a ouvi-lo na Super FM. Agora sigo o seu trabalho e quando YouTuber! xD
Percebo quando diz que essa altura foi a melhor era da MCR. De facto era bem ecléctica, contudo, hoje ela vive a sua melhor fase em termos de números.
Embora não consiga ouvir muito tempo a emissão contÃnua da RC, eles são exÃmios nos conteúdos online e na interacção que fazem com o público, sendo essa, na minha opinião, a verdadeira diferença para ganharem à RFM.
A M80, infelizmente, estagnou ou regrediu com o fim dos programas de autor ou temáticos.
A Cidade FM, pouco ou nada me diz.
E, por fim, têm dois produtos de excelência que pecam pela pouca cobertura e investimento em locutores: a Vodafone FM e a Smooth FM.
Também ouvia bastante a Bola Branca e as Tardes Desportivas com o Alexandre Afonso e os comentários do Ãlvaro Braga Júnior.
Actualmente oiço a Antena 1 para informação/desporto, pico a RR para ouvir o que a Ana Galvão e a Joana Marques estão a fazer (hábitos da Antena 3) e oiço a TSF pelos motivos errados que se deve ouvir uma rádio daquele género: oiço-a aos fins-de-semana graças à música de excelência que passam que, na minha opinião, dá 10 a 0 à da RR.
Por fim, tornei-me aos 15 anos um fan boy da Antena 3 e considero que as Manhãs da 3 com o Diogo Beja, Franco Bastos, Joana Marques, Serginho, Jorge Botas, rubricas de Mário Augusto, Pontapés na Gramática, Espaço 1999, Linha Avançada e a informação com o Alexandre David, o melhor programa de rádio que alguma vez ouvi.
As manhãs, sejam no comboio em direcção à faculdade, seja a conduzir, a estudar para um exame ou por puro lazer, voavam ao som daquela equipa de luxo.
Tudo isto, juntando a música que gostava de ouvir e um enorme sentido de serviço público, mas transmitido de uma forma leve.
Esse programa surgiu na altura em que estudava em Lisboa, facto que abriu a minha cabeça para outras sonoridades e culturas. Era uma altura em que a Troika tinha entrado a todo o vapor, os noticiários estavam inundados de notÃcias tristes, existia uma crise e contestações quase todas as semanas no ensino superior e a existência daquele programa fazia com que, por breves momentos, esquecesse todo aquele clima de tensão a que todos, sem excepção, estávamos mergulhados. Era a magia da rádio.
Hoje, continuo apaixonado pela rádio e por esse mundo que são os podcasts que, na minha opinião, são locais onde os locutores e autores têm a liberdade que a ditadura das Playlists e a formatação de conteúdos das rádios não lhes permitem ter.
Saudações caro joao_s!