A M80 surgiu num momento em que o operador Media Capital Rádios testava produtos, uma espécie de laboratório no qual se testam protótipos. Anteriormente, produtos como NSTALGIA, e outros (lembro-me de ouvir uma rádio de fado antes de ser lançado o produto NSTALGIA), eram testados na RRS. Com a M80, o produto foi testado na rede onde agora é emitida a SMOOTH, com algumas nuances de emissores, na RRS funcionava o R CLUB P. Rapidamente se verificou que a adesão publico ao produto M80 era exponencial, numa rede tão pequena. Assim, finalizado o R CLUB P, a RRS e emissores agregados começaram a emitir a M80, com o sucesso que se conhece.
A MCR aproveitou uma lacuna deixada pela R/COM, por incompetência, numa altura em que a RR e RFM eram praticamente cópias uma da outra, ambas produtos medíocres. Sabe-se que sonoridades mainstream são agregadoras de vários segmentos de público, nomeadamente, quando se juntam ambientes sonoros de várias épocas (uma oportunidade para os mais velhos relembrarem e os mais novos conhecerem) e o que a M80 fez foi combinar/agregar o que se ouvia no FM Estéreo da Rádio Comercial com a RFM. Não é propriamente uma abordagem inovadora, já na década de 80, a RFM passava, em horários específicos, ambientes sonoros das décadas de 50, 60 e 70; fazendo que gerações como a minha aumentassem a sua cultura geral. Se analisarmos o panorama internacional, o sucesso da BBC RADIO 2 assenta neste mesmo pressuposto, sendo esta a rádio mais ouvida no Reino Unido – 13,5%, dados de março de 2025 -, não obstante a estruturação do produto ser diferente.
Portanto, jugo que a M80 continua com potencial de crescimento, desde que saibam o que estão a fazer. E, sim, concordo que deviam alterar a designação da Marca, o produto é mais extenso que os 80s, portanto a marca é redutora daquilo que se ouve, mas… está implantada e é facilmente reconhecida pelo público.