Sou baptizado, fiz a profissão de fé, mas não me considero católico apostólico romano e, provavelmente, esse terá sido um dos motivos, entre muitos outros, tais como a minha faixa etária não se coadunar com o seu público alvo, para não ter sido, ao longo dos anos, grande ouvinte da Rádio Renascença e, muito menos, da Rádio SIM.
Penso que os problemas que vejo na RR já foram bem descritos por alguns camaradas de fórum.
Mas, na minha óptica, o que é uma brutal contradição é o facto da RFM, em tempos, «o outro canal da Renascença», passar canções como o «Faz Gostoso» da Blaya ou a «Mafiosa» da Caroliina e, espaçadamente, ter pequenos trechos sonoros com reflexões cristãs ou recitações dos salmos (como já desisti de ouvir a estação há muito, nem sei se ainda passam).
Desconheço a vossa opinião sobre isso mas, até para mim que sou um agnóstico, não faz sentido rigorosamente nenhum!
Não sou sectário, acho que a Igreja tem um papel significativo na nossa sociedade, mesmo sendo contra alguns aspectos sobre a (falta de) laicidade do nosso Estado que não são para aqui chamados. Penso que o grupo R/com é importante no nosso panorama radiofónico, com especial enfoco na Rádio Renascença, não só pelo número de católicos no nosso paÃs, mas porque nós necessitamos de meios de comunicação social que não se rendam ao fácil sensionalismo, à banalidade musical e de discurso como de pão para a boca.
Gostaria muito que a Rádio Renascença apostasse ainda mais na palavra (penso que o modelo do Rádio Clube Português de 2006 era muito interessante), tal como a sua congénere espanhola COPE o faz, bem como que a sua playlist fosse beber ao que costumam passar na época da Páscoa, sem que esta caÃsse em demasiados elitismos ou em cantos gregorianos, podendo passar um clássico ou uma música mais comercial em doses omeopáticas.
Sei que há ali gente com um gosto musical bem refinado, como o Paulino Coelho, a Ana Galvão, o Óscar Daniel, etc., que poderiam ter um programa de autor (para além do Hotel Califórnia), nem que no inÃcio os testassem somente em podcast para verem como seria reacção do auditório.
Sobre a Rádio SIM, também compartilho a opinião de que o auditório mais velho deveria estar disperso entre as rádios de palavra/generalistas, com espaços na sua grelha dedicados exclusivamente para eles.
Seria uma honra para o nosso éter e para a RR que uma pessoa da craveira do Aurélio Carlos Moreira tivesse um espaço na grelha de programação.
Mas não terá! E isso é porque, ao contrário do que vemos e ouvimos em casas como a BBC, um comunicador com mais de 60 anos é considerado ultrapassado e inapto, não se aproveitando todas as suas capacidades e experiência.
É um problema de fundo da nossa sociedade em Portugal.
Peço desculpa por esta minha longa reflexão.
Saudações!
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