Ficou um post longo, desculpas antecipadas por isso.
Mais depressa vão as rádios do Álvaro Covões.
Talvez sim, da maneira low-cost como percebo que ele vai gerindo a Radar e a Oxigénio, não me admiraria. É nítido o desinteresse do Montez pelo meio, por isso coloco muito em dúvida este ponto. Nem me lembrei dele.
Não me parece que o futuro seja concentrar streams online numa plataforma gerida por uma empresa no Reino Unido, mas pronto.
Tenho todo o gosto em rever isto que acabei de dizer (retirar o que disse, até), se vir que a coisa não vai como penso que possa ir. Isto não depende só de quem transmite, depende também de quem ouve, claro. É como tudo.
Se a cobertura em FM tem zonas de difícil receção, receber rádio em 4G/5G especialmente fora das grandes cidades e principais auto-estradas é ainda mais problemático.
A cobertura de torres móveis é muito mais capilar do que uma estação de FM alguma vez conseguirá ser (também porque as frequências e potência de cada torre são bem distintas). Não é verdade que seja assim tão problemático receber rádio em 4G/5G fora das grandes cidades, sobretudo porque a tecnologia evoluiu a um ponto que até as chamadas "bandas baixas" asseguram hoje, com folga, a largura de banda necessária para elas conseguirem transmitir continuamente. Para áudio apenas, claro, para vídeo a história ainda é outra, por agora.
Eu já ando a fazer esses testes, dentro e fora de AEs e das ditas "grandes cidades". Na A25 tive um corte de 5 segundos entre Aveiro e Viseu, junto a Talhadas, mas nem sequer sei se foi do próprio stream ou da falta de sinal, isto na rede NOS. Mas tem sido uma solução muito viável.
Somem a isso os 20 segundos de delay que o radioplayer e afins não conseguem evitar.
Extremo exagero. Sem buffering consegue introduzir 3-6 segundos de latência, com um buffering simples de 5 segundos vai aos 8-11. Longe, longe dos 20.
Mais: já hoje o que se ouve em FM tem delay. Como já ninguém emite no analógico, tem no mínimo delay provindo de:
- controlos à saída da mesa
- processamento de ficheiros no PC (300ms de média)
- processamento/agregação de som no estúdio (entre 1/1.5 segundos para uma boa qualidade sonora e a depender do sampling usado)
- transporte (por satélite será +0,5-1s fora buffering para o satélite, por IP será entre 3-5 segundos mas depende das afinações, no Observador parecem usar 10, por link talvez seja o mais rápido)
- processamento no emissor (variável)
- receção e pós-processamento áudio no equipamento de FM (latência virtualmente zero em DACs analógicos e talvez 0.1s em digitais).
Já hoje o que tem de som em FM não é tempo real. Só é mais aproximado ao tempo real.
Consome dados que têm um custo que não é insignificante, sobretudo no nosso país.
Não desde 4 de novembro de 2024.
Depois, quando muito bem lhes (plataformas) apetecer, podem colocar publicidade na emissão e/ou criar tiers de utilizadores.
Esta sua afirmação demonstra um profundo e franco desconhecimento do mercado português de rádio pela sua parte. O que as rádios estão mais desejando é
não depender de publicidade! A presença da rádio no que se paga de publicidade em Portugal é de apenas 1,8%:
https://marketeer.sapo.pt/radio-foi-o-segundo-meio-com-maior-crescimento-de-publicidade-em-2024/Ninguém tem interesse em criar tiers de utilizadores porque deixa o ouvinte desconfortável e este é um meio sensível a haver ouvintes de primeira e ouvintes de segunda. Ninguém. Pelo contrário, quanto mais de massas mais rende, ou quanto mais específico e valorizado mais rende também.
Sendo uma app está sujeita a atualizações que mais cedo ou mais tarde deixam de funcionar com hardware mais antigo.
Os rádios também não raras vezes deixam de funcionar precisamente enquanto hardware mais antigo. Tudo deixa de funcionar com o tempo, é a vida. Mas este é do raro tipo de aplicações em que não compensa lançar atualizações que arredem faixas de utilizadores, portanto duvido e muito.
E se alguém não quiser usar um smartphone para ouvir rádio, sem problema, há o carro. Ou o FM, que eu não defendo nem nunca defenderei que desapareça.
A verdadeira rádio digital (quando bem implementada) oferece muito mais e uma melhor experiência ao ouvinte.
A diferença entre DAB+ e rádio online são ~530 MHz para a frequência mais baixa (N28), e o que fazem numa e noutra. Só isso.
É tecnicamente irrelevante se depois a organização é feita por muxes que permitem X rádios em cada frequência, ou se é feita linear num contexto online, porque estamos em 2026 e a capacidade instalada para a Internet na Europa é tanta que podiam estar os 449 milhões de europeus a ouvir rádio ao mesmo tempo que íamos ter mais que capacidade para aguentá-los e ainda ter outros tipos de tráfego em paralelo.
O DAB/DAB+ é uma tecnologia que teria sido perfeitamente útil e pertinente se tivesse sido implementada há 10 ou 20 anos. Em 2016 não estávamos neste ponto, muito menos em 2006, e seria altamente pertinente algo que oferecesse eficiência, isenção do noise floor, cobertura alargada, e muito sobretudo em que toda a gente estivesse no mesmo patamar de ter um rádio digital. Nunca substituiria o FM como último recurso, mas tinha a sua valência.
Hoje? Lisboa e Porto por causa do espectro. Só. E mesmo nessas é francamente questionável não só pelos gastos adicionais de estrutura, como pelo facto de que, conforme meti lá em cima, o meio rádio é virtualmente de nicho no que respeita à captação de publicidade em Portugal. O DAB+ não permite monetizar as estações, a rádio online sim. Parte da razão pela qual não temos estações diferentes, além da profunda falta de imaginação e atavismo de muita gente que as lidera e de um seguidismo ridículo em 2026, é a falta de dinheiro para as financiar.
Remova-lhes o garrote dos custos mensais e de manutenção com torres, e pode gastar mais dinheiro nas pessoas.
O DAB+ quase só serve à Sitemaster.
Parece-me até contraproducente estarmos a falar de soluções que dependem exclusivamente da internet quando estamos no rescaldo de duas situações críticas onde o pouco que se manteve a funcionar foi a rádio tradicional e por FM... a digital, a sair dos mesmos centros emissores, continuaria da mesma forma...
Nunca poderia ser exclusivamente, claro, o FM teria sempre que persistir... na visão que tenho das coisas, ambos devem existir, até pelo parque que tens hoje de recetores em FM. É importante.
Tenho muitas dúvidas da resiliência do DAB+ em situações de catástrofes como as que vimos. Como concentras mais rádios nas mesmas torres, e estamos em Portugal, a probabilidade não é infelizmente que tenhas melhores torres - é que mantenhas ou até desças (por causa do investimento extra em equipamentos) a qualidade estrutural das que hoje tens para rádio. E portanto, uma só torre cair teria um impacto muito maior do que existe hoje, porque em vez de calar uma rádio cala 7, e a propagação (com as frequências mais elevadas) não te facilitar que captes de outros distritos ou regiões.
Mais: como tu tens um noise floor em digital que não permite uma escuta clara sequer ao mesmo patamar do analógico, em situação em que só tens DAB+, criam-se buracos maiores de cobertura porque tens simplesmente mais situações em que cai abaixo desse mínimo, não consegues ouvir com ruído. Em zonas de litoral ou zonas mais planas não é muitas vezes um tema, mas por exemplo neste último problema que aconteceu em Leiria foi tema e muito.
Zonas como o Ribatejo, se Montejunto falhar por qualquer razão, estariam condenadas a ter vastas áreas em que não tinhas Lisboa mas também deixavas de ter a Lousã, especialmente a sul de Torres Novas. A mesma coisa para Viana, se o Muro e o Sameiro falhassem por algo acontecer na região. Hoje tens a chegar Marão e Monte da Virgem, com o DAB+ fica longe demais para algo assim ser estável em movimento.