Porque passaram mais de 20 anos, quem a ouvia nesse tempo está envelhecido (devem ter a minha idade) e o mundo mudou, mudou muito.
A Comercial já não é a mesma, a RFM idem, idem, Cidade a mesma coisa, tal como a Mega, e a Antena 1, a TSF nem se fala.
Ou seja NADA é igual.
De qualquer forma e respondendo à questão, nem uma, nem outra, já o disse e repito, preferia uma RR de cariz generalista/informativo...
O mundo mudar não é razão bastante para que mudemos. A RR podia ter prosseguido desta mesma exata forma, como rádio de companhia excelente que era. Não teria seguramente o mesmo número de pessoas, é verdade, porque deixou de ser preciso haver gente na produção por exemplo, mas seria bastante melhor do que é hoje.
De lá para cá as únicas coisas que ficaram iguais na RR foi a forma de fazer rádio quando existe a bitola mínima (um locutor e música), em que o registo é essencialmente igual entre o que o Paulino Coelho à época fazia (e diferente do que faz hoje...) e o que a Teresa Almeida, a Sónia Santos e a Miriam Gonçalves fazem hoje. As manhãs estão totalmente transfiguradas, as tardes também, e comparado com a produção que se fazia em 98, o Extremamente Desagradável e o Seja o Que Deus Quiser são o mínúsculo e a indigência.
Gente a gozar com outras pessoas, seja em que registo for, era quase impensável na RR porque era impensável à luz de uma emissora católica. Exceção seja feita ao espaço do Sá Pinto, que devia ser quase revisteiro na época.
Muita coisa mudou desde 98 e muita coisa de bom se perdeu na rádio desde 98. A minha referência é a rádio que se fazia antes da quebra de 2002-2003, sou fascinado por ela. E tinha pouca idade à época ou nem sequer era nascido (casos dos anos 80).
Salvaguardando as distâncias temporais, a RR de 98-2001 faria concorrência à Antena 1 pré-Nuno Galopim. E provavelmente ganhava. Mesmo face a esta Antena 1... tinha o seu espaço, seguramente. O revivalismo que o Atento traz constantemente e fala não é por acaso e ele sabe-o bem, melhor que eu até porque viveu mesmo a época e eu não tive essa possibilidade.
As sucessoras indiretas dessa rádio de companhia que se perdeu são algumas, pouquíssimas, rádios locais; a Rádio Comercial no corpo do dia; alguns espaços isolados na Antena 1 e era a TSF nas madrugadas até esta crise ter começado. O resto é incomparável e está muito longe desse registo, de um prisma moderno ou não.