Treta. A Antena 1 está a colher os frutos de ter animadores com um perfil distante daquilo que é preciso para uma rádio com o perfil da rádio publica. Uma menina nas manhãs da Antena 1 que não tem perfil para uma manha informativa, uma informação de transito péssima sobre o Porto com inenarráveis erros sucessivos sobre entradas e saÃdas da cidade e nomes das ruas do Porto. O abandono total da animação a partir do Porto leva a audiencias muito fracas no Porto. Resta a informação que felizmente ainda respira alguma coisa.
Não é só a questão do Porto Zeca, porque as demais concorrentes ainda têm menos tónica nortenha. Apesar de não ser adepto do estilo da Catarina para uma rádio com o perfil da A1, precisamente pela tal capa de superficialidade que deixa implÃcita, reconheço-lhe talento e, acima de tudo um tremendo esforço para fazer bem o lugar, e se adaptar ao registo. O problema da A1 e das demais irmãs, é mais uma questão de visão estratégica do que do profissional A ou B. De resto concordo com o Atento, a marca Antena está queimada, esgotada, e para jovens (40 para baixo) não dirá absolutamente nada.
Está porque os jovens querem e não se organizam para exigirem essa Antena 3 de volta.
O grupo RTP não é dos partidos polÃticos; não é do Arons;
não é do Sarmento; não é do Poiares; e muito menos é do Silva e da sua comandita.
O grupo RTP é dos seus acionistas: dos Portugueses qu a pagam.
Portanto também dos jovens.
Foi para isso que foi criada.
Atento, sendo intelectualmente sérios, sabemos que não é só a Antena 3 que está agarrada e apoderada por um aparelho que não é do partido a, b ou c. É a Antena 3, como é a Santa Casa de Fanecas de Baixo, a Segurança Social, o Hospital de São Paio ou a Câmara Municipal de Vila Nova da Prateleira. O aparelho é uma força oculta dentro do Estado que se caracteriza por um "inanimismo" que resulta em que as funções para as quais os serviços públicos deixem de ser cumpridos como forma de maximizar o bem-estar de quem faz cumprir o serviço público. Sucessivos governos, da direita à esquerda têm lutado contra isto e não conseguem. Como iriam lutar os jovens? Sim, podiam fazer mais, abaixo assinados, manifestações, etc. Mas iria mudar alguma coisa? Dificilmente! A RDP só se corrige com estratégia e um rumo e que passe por olhar à missão de serviço público antes de olhar para os seus colaboradores. O que os jovens fazem, e bem, é não ouvir Antena 3 e torna-la irrelevante. Pode ser que assim o poder polÃtico acorde. E enquanto existir concorrência e spotify... está tudo certo!

Segundo os dados que tenho, a Antena 1 teve sempre entre 1997 e 2002 valores de audiência na casa dos 3%.
Essa é mais uma prova que o serviço público está mal. Não cresce há duas décadas, é irrelevante. Precisa de se modificar, ter um rumo.
PS: Não querendo levantar a questão... mas até que ponto serão estes estudos verdadeiramente independentes. Essa é outra conversa que deverÃamos ter. Reparem, a RTP por definição pode ter a audiência historicamente baixa, que não há mal comercial nisso. Uma audiência alta é a prova de que o serviço público tem qualidade. Mas como é serviço público, pode-se ignorar isso, porque o que interessa é o vil metal. Por outro lado, este crescendo da MCR em vésperas de alienação, que jeito dá para aumentar o valor de mercado da empresa... é que foi um crescimento tão gritante!
É uma tristeza a Antena 1 ser uma rádio fortemente centralizada em Lisboa.
Ainda por cima quando foi durante anos uma rádio que emitia programas a partir dos 3 grandes centros regionais (Porto, Coimbra e Faro).
Não esquecendo que os contribuintes do Norte, Centro, Alentejo e Algarve também pagam a RDP. E, nomeadamente no Norte e no Centro, existem excelentes escolas de Comunicação. Agora, numa coisa não se pode facilitar: é baixar a fasquia da qualidade. E qualidade não existe só em Lisboa. É preciso é, como disse acima, ter coragem de convidar a sair quem não a tem, para bem do serviço público.
Bonitas palavras. Comigo foi com uma Antena 3 em que com 14 ou 15 anos ficava fechado no quarto a ouvir os festivais de verão e com as luzes apagadas me conseguia sentir como se estivesse lá... ou com os programas de eletrónica em que me imaginava numa discoteca
Uma rádio que já não volta.
De resto era o que suspeitava, mesmo com interesses das editoras estarem confinados a meia dúzia de artistas está completamente fora da realidade do pessoal da tua idade.
Eu tive esse namoro com a Antena 2, entre os meus 13 e os 15 diria, adormecia ao som de 92,5. Depois tinha uma amante, chamada TSF com as suas sonoplastias, algumas que ainda hoje volta e meia trauteio mentalmente.
Atualmente, há uma coisa que me fascina nas rádios jovens, que nunca ouvi em adolescente e agora escuto: a facilidade com que o ouvinte iterage na rádio. Os whatsapps e Instagrams são os novos discos pedidos, o momento de proximidade ouvinte/locutor e é algo que as rádios nacionais, a meu ver ainda não estão a saber explorar devidamente. E acredito que o futuro passe muito por aÃ.
PS: A notÃcia do público que partilharam deixou-me espantado... sonhava eu que, há 20 anos atrás, Mega e Cidade eram mais escutadas que as irmãs mais velhas Comercial e RFM?

Eram rádios jovens já ou alternativas? Alguém com ideia do que levou a tamanha perda de relevância? Outro choque para mim foi a diferença de valores de AAV no global. A rádio passava ali uma fase muito negra... ninguém ouvia rádio. Comparar com os 40% de hoje só de Comercial e RFM é...estranho!
Na minha opinião neste momento isso seria um tiro no pé para as audiências da Nova Era, infelizmente.
Estou a ouvir a BBC Radio 1 e eles bem tentam com que a eletrónica atual se mantenha relevante na programação, mas até no Dance Anthems das tardes de sábado tiveram de mudar para duas horas de clássicos e apenas uma de música atual, o oposto do que acontecia até há bem pouco tempo. Lançaram a web radio Radio 1 Dance em Setembro do ano passado e mesmo aà já têm de passar muitos clássicos...
Parece que a dance music nunca foi tão pouco popular como agora, pelo menos que me lembre.
Malta, o tik-tok e as dancinhas estão a matar a Dance Music... isso é uma evidência, daà que as jovens estejam a apostar tanto na iteração com essa plataforma. Essa sim, que estupidifica, mas tenho 30, velho do Restelo e tal...
Quanto à Mega e à Cidade, são produtos diferentes. Aqui inverte-se o jogo: a Cidade uma rádio mais popular, a Mega uma rádio mais musical, menos superficial, um produto melhor sem dúvida e que com umas novas manhãs poderia ser mesmo muito interessante no pós Universitário até aos 30's e uma alternativa interessante a alguma desbunda que existe na RFM. Se querem ganhar alguma coisa... esqueçam os teenagers! Esses estão e bem na Cidade.
Aqui discordo. Umas das últimas vezes que em passei pelas tardes da Mega estavam a sugerir uma escapadinha à Grécia, o que é um irreal para a carteira da esmagadora maioria do público-alvo. Mas fazem muito bem em ter estes temas mais sóbrios, atenção.
Não quero criticar o facto da equipa ainda ser 90% oriunda da U.Católica uma vez que já saÃram de lá vários bons valores e que fogem ao preconceito do aluno tÃpico daquela universidade, mas acho que se acaba por sempre por notar um pouco essa superficialidade.
Na Cidade, com toda a equipa praticamente vinda das públicas, sente-se mais genuinidade em alguns temas e o público pode sentir-se mais identificado.
Estás a tocar no ponto para que eu ando a chamar a atenção há imenso tempo. Cidade e Mega já não ocupam o mesmo público alvo. O público alvo da Mega está a envelhecer com os animadores. E isto só não choca com a RFM porque esta é hoje uma rádio extremamente heterogenia no registo (por exemplo, a passagem do Café da Manhã para o José Coimbra é do 8 ao 80) e porque o envelhecimento do auditório também aconteceu a RFM, onde, sejamos honestos, muitos dos animadores já tinham e mereciam o lugar no principal canal do grupo, a Rádio Renascença. Penso que o fim da SIM poderá ajudar a explicar parte deste fenómeno. A RR pode ser menos escutada que a RFM mas é, ainda hoje, o principal produto, a razão de existir dos outros dois. A meu ver, existe claramente no grupo R/Com uma estratégia de fidelização no grupo e de fazer encaminhar ouvintes à RR. E isto ainda tinha muito mais potencial para ser trabalhado. Não vejo isto a acontecer na MCR, os produtos são mais estanques entre si. Voltando ao cerne da questão, a Mega hoje é uma rádio claramente 24-35, sem qualquer sombra de dúvida, particularmente a partir das 10h da manhã. Basta analisar os temas tratados nos painéis, o do Diogo é um excelente exemplo, são para pessoas mais velhas. O fator Católica aqui não tem qualquer relação, e escreve-te alguém que vem da FEP, escola que tem uma tremenda rivalidade com a UCP. Até porque tipicamente, nenhum deles é aquele beto da linha, e a que é mais veio da pública!
Por isso digo que as manhãs precisam de levar um abanão. Sexta-feira passada foi, para mim, possivelmente das melhores manhãs da Mega de que me lembro. Emissão excelentemente conduzida pela Mafalda Castro com a Inês Bento a se estrear em direto, mas a não parecer. A Maria é a trintona da Mega mas está num registo que já não é o daquela rádio, até na forma de falar, é praticamente a única locutora que não consegue usar muito em lugar de bué, bom em lugar de fixe, etc. Atenção, a Maria é uma excelente profissional mas precisa de se reinventar, era o painel a solo para encontrar o registo, fazer o CC não ajuda de todo. O Conguito também está a ficar mais maduro, nota-se isso, e continuo a dizer que em termos musicais, ele e a Teresa Oliveira sabem mais que o resto da malta toda junta, o que é uma mais valia. Se a Mega se focar neste target, de uma vez por todas, tiver mais palavra e menos música para adolescentes chungas, pode muito bem ganhar um balanço significativo. Deixem os adolescentes para a Cidade, que não conduzem e como tal, não mandam no rádio do carro. Por outro lado, têm também contas bancárias que não são tão atrativas para os anunciantes.