Sim, mas quanto baste e dispersa pela restante programação... se não for assim, mais vale reclassificar a Antena 2 como rádio cultura (PTY - culture) e não clássica (PTY - classics)! basta alterar o sistema PTY (abreviatura de Program Type ou Tipo de Programa).
As classificações em Portugal valem 0, seja as do PTY, seja as que estão atribuídas junto da ERC. Basta pensarmos que as duas maiores rádios, a RFM e a COMRCIAL são generalistas...

:'( A M80 é temática musical e nem PTY tem, assim como a Smooth FM. Olhando para a lista de PTY, percebemos facilmente que uma rádio pode ser várias tipologias em cada momento da emissão. Por acaso, interessante seria que o PTY pudesse ser dinâmico e se alterasse em função do programa que está no ar.
Pois, assim, e infelizmente, os ouvintes mudam para outras rádios clássicas que cativem, nem que seja via internet (que tem tantas opções)...
Neste momento, com o 5G+ ainda muito restrito, quer em termos de número de estações, quer de modelos a que acedem, acho que esse perigo ainda é relativamente reduzido. Contudo, também não deixa de ser verdade que o ouvinte médio da Antena 2 é, justamente, aquele que provavelmente mais facilmente acede a ele. Eu, por exemplo, é quase sagrado que quando ando fora do eixo Braga - Setúbal, que é praticamente aquele onde não chega a RNE-CLAS, ando sempre na irmã espanhola da Antena 2, rádio que acho sobejamente bem conseguida.
Coisas que a Antena 2 devia fazer, mas ainda não faz...
https://youtu.be/ELBk7XsthS8?is=SFJmxEVu6_8zhF8q
A antena 2 desde o inicio do ano de 2026, teve um debate a proposito do filme Amadeus, associado ao Compositor do Mês que era Mozart e foi bem interessante, voltou a ter uma vez por mês teatro radiofónico, esteve em directo da reabertura do Museu da Musica, dedicou um programa a Júlio Pomar, festejou o Dia Mundial do Cinema, esteve em directo de locais, na onda mais da cultura, afectados pelas recentes intempéries, estreou um programa de entrevistas ao Domingo etc. A Antena 2 não é uma France Culture, é a rádio da musica Erudita, Jazz e alguma World Music, a que é depois associado algum Cinema e respectiva música, Teatro, Literatura e Artes Plásticas.
Não é habitual ouvir o Ronda da Noite, mas recentemente ouvi um a proposito dos 30 anos da morte de Marguerite Duras, é certo que o Luís Caetano usou material do arquivo para fazer o programa, mas não deixou na mesma de ser interessante. O Luís Caetano, tem imensas entrevistas a escritores e não só, e debates feitos sobre os mais variados temas, por isso não vale muito a pena dizer que não existem momentos destes, porque os vai havendo, talvez não na quantidade da France Culture, mas repetindo a Antena 2 não tem a 100% o perfil France Culture, nem creio que seja para o ter.
A parte que descreves no primeiro parágrafo pode e deve ser feita, nos mesmos moldes que hoje em dia, rádios de pendor mais musical fazem emissões fora dos estúdios. Há palavra, momentos em direto, mas música também a há, claro. Eu, por exemplo, defendo que a Antena 2 também deveria ter noticiários, curtos de 2 ou 3 minutos a cada hora, ao estilo do que se faz na M80 (e RR fora das pontas), que até poderiam servir de alternativa a quem não conseguiu ouvir o topo de hora na Antena 1. Agora, a estrutura fundamental da programação deve ser musical.
Na visão que eu tenho para o Serviço Público de Radio, as tipologias dos três principais canais seriam alteradas, para cobrirem verdadeiramente as falhas de mercado, que é para isso que existe:
Antena 1 - a verdadeira Generalista, classificação primordial 3 - Assuntos Atuais, mas também com forte preponderância de 2 - Notícias, 4 - Informação, 5 - Desporto e, distribuindo-se ao longo da grelha, por assuntos das tipologias 6 - Educação, 8 - Cultura, 9 - Ciência , 21 - Religião e 22 - Telefone [a parte do José Candeias e a Antena Aberta, eventualmente reforçando ao longo da grelha]. Pontualmente, gostava que existisse um espaço da tipologia 19 - Infantil, eventualmente rubricas curtas.
Seria uma rádio só de palavra, excetuando o espaço do Jorge Afonso, que baixaria para 23h/01h, à semelhança do que se faz nas espanholas de palavra. Ou seja, uma fórmula vencedora, com reforço da componente regional, sem ser bairrista, que seja o melhor exemplo do que é feito na COPE, SER. Não é preciso inventar a roda. Uma rádio que pelo seu pendor distintivo, não poderia ambicionar ser líder, considerando a realidade do nosso mercado, mas que tem de ter o terceiro lugar isolado, a fixar-se entre os 10-12%, o que seria perfeitamente e desejavelmente possível. Como fica bem patente, a componente cultural de palavra seria aqui enquadrada.
Antena 2 - tipologia temática musical, classificação primordial 15, mas com incursões pela 14, clássica leve, 25, Jazz, com pitadas leves da 9 - Cultura e poderia ser interessante que conseguisse ter um programa de 7 - Drama/Teatro regularmente na grelha.
Antena 3 - uma rádio jovem, não adolescente, [25-40] primordialmente, que concorra possa oferecer parte do que já oferecem as musicais, mas de uma forma mais "adulta". Ou seja, não é muito diferente do que já faz hoje a Antena 3, mas tem de ter ser mesmo Pop com alguma alternativa, se ambiciona chegar aos 5%, pelo menos. Categoria Primordial 11 - Pop, mas ir buscar a 12 - Rock e 13 - leve, além da 16 - Outra música, que curiosamente, RFM, COMRCIAL e MEGAHITS adotam, mas que praticamente não tocam. Ou seja, é a grande rádio musical por excelência, na qual deveria baixar significativamente a quota de música portuguesa.
Mas, em contraponto, é meu entendimento que a rede da AFRICA tem totais condições de ser completada e, nela, devemos ter uma DIAL portuguesa, isto é, uma ANTENA 4, que se dedique exclusivamente a programas de música 100% em Português (de Portugal), categoria primordial 27 - música nacional e que na parte de palavra, possa ser uma espécie de radio daytime, mais ligeira e direcionada a um público mais senior. Deve ter alguns espaços que possam tocar no posicionamento das locais, mas sem entrar demasiado por aí, para evitar dar-lhes o golpe de misericórdia, mas não me importaria que tivesse um tempo de discos pedidos.
Tudo isto para demonstrar que não é impossível libertar a Antena 2 da Cultura, sem deixar de lhe dar a importância devida.