Viva, “AGâ€. O conceito da “Radio Twoâ€, emitido desde 1967, portanto há 49 anos, e por conseguinte com muito tempo de maturação, com o consequente reconhecimento de gerações de ouvintes, que se revêm na qualidade dos radialistas, programas e conteúdos, não tem paralelo entre nós, nunca existiu. Tanto se trata de uma rádio de proximidade e acessÃvel, como de sonoridades mais exigentes, tanto descontraÃda, como séria, tudo flui como se os diferentes géneros estivessem ligados. A primazia da palavra, conduzida por radialistas experientes e que desempenham exemplarmente a sua missão, articula e torna coerente o conjunto. Na BBC R2 encontra diversidade de conteúdos numa mesma estação, é como se tivesse várias estações de rádio dentro de uma. Como não há playlists, o que o ouvinte vai escutar a seguir é sempre uma surpresa, ou seja, não se trata de uma rádio absolutamente previsÃvel e chata como a rádio portuguesa. Os radialistas da BBC R2 sabem que a rádio, única no seu género de comunicação, não tem um fim à vista, nem tão pouco tem que se render ao vazio mercantilista, e sabem como mantê-la viva quer no presente, quer para o futuro. Este é um exemplo de serviço público de excelência.
Neste momento está no ar o programa da radialista Moira Stuart dedicado ao smooth jazz. Arruma a um canto a Smooth FM portuguesa, é muito superior. A radialista deste programa apresenta os temas com um detalhe de informação que não tem comparação possÃvel com o automatismo com que nos brinda a Smooth FM, que a torna insÃpida em comparação. Na Smooth FM portuguesa os temas repetem-se até à exaustão, o alinhamento é absolutamente previsÃvel, neste programa da BBC R2 tal não acontece. Até neste ponto a Smooth FM fica muito para trás.
Referiu o nome do Aurélio Gomes. Com a experiência que tem, julgo que seria um dos nomes fortes para iniciar um projeto desta envergadura na rádio pública portuguesa. É importante que o serviço público integre os melhores, aqueles têm provas dadas. A BBC R2 faz serviço público topo de gama, seria bom que a RTP também o fizesse. Pagamos a RTP, é importante que a RTP retribua com um serviço à altura da sua missão, para o público adulto e contemporâneo, aquele que paga a RTP.
Em sua opinião, caro “AGâ€, como se deveria estruturar o serviço público de radiodifusão. Foque a sua análise numa estação de rádio generalista, sem ser foleira, que lhe agradasse e si e ao maior número possÃvel de ouvintes, ie, ao publico em geral.