Pertencemos ao bloco europeu, somos europeus, fundos europeus têm vindo a financiar a nossa economia e modernização ao longo das últimas décadas e, no entanto, em alguns setores dá a ideia que funcionamos ao contrário dos demais. No setor dos media o nosso desfasamento é preocupante, quase que empurra os cidadãos, público em geral, para formas de entretenimento e informação alternativas, dada a tabloidização, sensacionalismo e “contentores” de pseudoespecialistas do comentário que poluem o espaço mediático tradicional. Por outro lado, assiste-se ao progressivo e intencional enfraquecimento dos media públicos que, nos países civilizados, funcionam como referenciais e fatores de equilíbrio de todo o sistema, também disseminadores do modelo de desenvolvimento encetado, de sociedade e de pertença.
Vejamos alguns exemplos:
i) Na passada sexta-feira, dia 1, a televisão pública espanhola TVE1, noticiava no espaço informativo “Telediario2” que, em 14 anos, atingiu a melhor audiência para um mês de julho, com 11,1%. A estação é líder entre as camadas jovens, o que me parece bastante significativo.
Confira aqui (posicione o cursor do player em 36:34);
ii) Na televisão pública italiana RAI, com programação muito variada, há programas para todos os gostos, repartidos pelos seus 13 canais, multiplicam-se programas sobre IA (Inteligência Artificial) desde aqueles que têm uma linguagem acessível, para todos, aos mais elaborados com especialistas das várias áreas da ciência da computação até economistas. Os italianos chegam ao ponto de colocar jornalistas especializados no MIT (Massachusetts Institute of Technology) para informar o público dos últimos avanços nas múltiplas áreas IA com investigadores, chefes de equipa, executivos, mostrar artefactos em desenvolvimento que ainda não estão acessíveis. Num dos últimos programas que vi, entrevistaram, no MIT, a responsável por uma área dedicada à Affective Computing (reconhecimento, interpretação e simulação de emoções humanas). Estamos apenas no início da revolução IA, o que aí vem supera a ficção;
iii) A RAI transmitiu recentemente programas sobre Portugal. Na RAI1 foi emitido um programa sobre a cidade do Porto, na RAI3 sobre os Açores.
Por cá, não se percebe qual é a medonha dificuldade para o país se organizar de forma a planear, projetar e implementar uma simples rede de rádio digital, algo que os outros países estão a fazer sem entraves. Não temos know-how para o efeito? O que se passa?