Se há rádios locais sem qualidade nem servem minimamente as populações então não devem emitir. Se ao menos retransmitirem uma rádio com qualidade é uma solução menos má que não emitir de todo.
Na minha ótica eu prefiro umas 100 rádios com alcance regional/distrital com qualidade a 200 locais más em 300 e tal licenças, que foi o que aconteceu com a lei de 88.
Eu subscrevo, mas propunha ainda o seguinte exercício teórico.
Imaginemos por hipótese que a Lei da Rádio não tinha sido alterada por forma a permitir a associação de rádios locais. Veja-se o que teríamos hoje:
Duas generalistas: Antena 1, Renascença, que maioritariamente servem a população 45 para cima
Duas musicais: RFM e Comercial que estão vocacionadas para o segmento 35 adiante
Uma Rádio Clássica: Antena 2, que tem de existir
Uma Rádio Alternativa: Antena 3, que pouco valor acrescenta, se é que não subtrai
Uma Rádio Informativa apenas na Região Norte: TSF
Uma Rádio Musical, que deveria ser generalista na Região Sul: a M80 (rede essa que deveria ser ocupada por uma informativa).
Tudo o resto, seriam rádios locais. Se as atuais são o que são, com as dificuldades de publicidade que enfrentam hoje, imaginemos o que seria com tantas rádios locais como existiam em 89. De duas uma, ou seriam, quase todas, meras juke box ou, em alternativa, muitas delas já teriam encerrado. Teríamos imensas rádios a servir o público senior...mas?
1. Onde estaria uma rádio jazz, blues, bossa nova como a Smooth? (É curioso que ninguém questiona a ocupação das locais quando se fala desta rádio)
2. Onde estariam as rádios para os jovens, com exceção da região de Lisboa e de uma Nova Era muito amorfa no Porto? O espaço da Cidade FM e da MEGAHITS representa 10% do auditório, malta nova. Não é relevante?
3. Mesmo nos dias de hoje, há regiões de Portugal que não têm uma única rádio informativa que chegue com sinal decente (exo: distrito de Beja). Acham isto razoável numa democracia europeia?
...
Poderia continuar a enunciar por aqui abaixo algumas questões, mas nunca é demais relembrar que o fenómeno de canibalização das locais existe em todo o país, com idênticas dimensões em Porto e Lisboa porque, friso isto muitas vezes, uma rádio estar sedeada em Lisboa não significa que seja para Lisboa. Os projetos que têm surgido nos grupos de rádio, têm vocação nacional e fazem falta em antena.
Só há uma solução possível: a passagem para um modelo com mais redes nacionais (ou qause) como em Espanha e a criação de rádios regionais fortes.
E para isso não é preciso DAB. Basta somente não renovar os alvarás para todas as rádios e abrir novos concursos. Como todas as empresas, umas morrem, outras criam-se e, estou em crer, que se criaria mais emprego, disperso entre regiões. Este modelo só não evolui porque, por esse pais fora, muitas locais são o meio de propaganda dos caciques locais e de organizações muito pouco transparentes (sim, falo da IURD para que não restem dúvidas), mas que exercem influência sobre o poder político.
Não precisamos de que se mantenha tudo igual a 1989, passaram 33 anos, é muito tempo. A escala concelhia, hoje, cada vez faz menos sentido, principalmente na rádio, onde as pessoas que a escutam se deslocam livremente entre vários pontos do território regional. O modelo atual é o garante de uma bimacrocefalia de rádios como a Comercial e a RFM.
Um ponto importante, que o Atento tem referido também é que falta verdadeiramente um projeto de palavra em Portugal, que não seja nem generalista nem informativo. Entendo que deveria ser aberta uma licença para uma rádio deste tipo num futuro concurso.
Eu tenho a minha opinião e não vou escrever mais aqui sobre este assunto. Na minha opinião valorizo muito o trabalho das rádios locais e elas são essenciais. Se outros não acham e acham que devem ser retransmissores pois tenho que respeitar e pronto.
Se há rádios locais sem qualidade nem servem minimamente as populações então não devem emitir. Se ao menos retransmitirem uma rádio com qualidade é uma solução menos má que não emitir de todo.
Na minha óptica eu prefiro umas 100 rádios com alcance regional/distrital com qualidade a 200 locais más em 300 e tal licenças, que foi o que aconteceu com a lei de 88.
Mas no FM nunca vai ter apenas rádios regionais/distritais isso só poderá vir a ser possível com o DAB.
Mas parece que isso ainda vai demorar muito a não ser que exista uma imposição como o TDT.
A ANACOM já tem as regiões definidas, que já tive oportunidade de as ver, mas falta o resto... Segundo a ANACOM o FM está para durar em Portugal.
É possível saber quais são essas regiões? Fiquei curioso.
Apenas posso dizer que são 5 regiões.
É óbvio: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. São as regiões NUT's II que estão implementadas para os diversos usos no país. Continuo a dizer, não é preciso esperar pelo DAB, que nunca chegará antes de 2035. Haja vontade política.
Eu gosto muito da Rádio Observador. Ansioso que venha para a minha região. Resido na zona centro, onde há dezenas de rádios locais sem nexo, e onde um projeto destes por estas paragens seria muito bem vindo.
Em democracia, diria que qualquer projeto que reforce a pluralidade é sempre bem vindo. Reparem, Espanha tem quatro rádios de palavra com cobertura nacional. Mas por cá, rádio é só música.
As rádios locais daqui na globalidade, comprem aquilo para a qual transmitem, servir as gentes do concelho. Não tem locução 24h/24h porque o dinheiro não é muito e os que animam as estações são pessoas sem custos, com o "bicho" e que sabem o que as pessoas querem ouvir. Os discos pedidos, são o facebook dos mais idosos, são a companhia deles e todos por lá vamos passar. É um produto sempre rentável.
Aliás, nem sei até que ponto, a compra dos 93,7 do Observador, não teve dedo/ajuda nossa...
Claro que sim, e os discos pedidos não são só para idosos. Até malta mais jovem, noutro formato, gostaria de algo do género, pelo menos onde existisse mais possibilidade de intervenção em antena. Mas pode-se assegurar isso com as redes regionais, e até nacionais. é preciso é ter um bom caderno de encargos.
O que quer dizer com "dedo nosso" na frequência da Amadora?
PS: Sou de Vila Nova de Gaia, portanto, sinto que tenho legitimidade para falar sobre este tema, não sou de Lisboa.