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A ANTENA 1 é a rádio das famÃlias ativas que não se reveem na concorrência direta e nas rádios musicais.
Parece-me algo redutora essa abordagem. Estudantes ou adultos em inÃcio de vida ativa, não contam? E a capacidade de influência que os filhos têm sobre os pais para o consumo do produto A ou B de rádio, não conta?
Por exemplo, comecei a ler o Expresso e a ouvir a TSF antes dos 18 anos, portanto ainda menor, e sem a influência dos meus pais. Depende da forma como é feito o produto.
Compreende-se a diminuição do tempo de escuta das rádios informativas no perÃodo da crise e troika. O ambiente por si era deprimente, o que não suscitava o mÃnimo de entusiasmo para a escuta de produtos de rádio do género.
Agora não é assim. A conjuntura, sobretudo internacional, e do que aà vem em termos de mudanças sociais (a 4.ª revolução industrial está à porta, as alterações climáticas são uma realidade que todos constatam – os franceses estimam que em 2050 as temperaturas no centro e sul de França rodem os 50º C...) , assim como a volatilidade da situação politica dos estados membros da UE, os nacionalismos, a ascensão da extrema-direita, suscita interesse/apreensão. O espetáculo (quase circense) do Brexit, as consequências para os paÃses ocidentais e para a estabilidade do próprio Reino Unido (o risco de desagregação que paira no horizonte), as ondas de choque que irão atingir este PaÃs e restante UE, resultantes disso. O risco de desagregação de Espanha, que nos poderá atingir em cheio, atirando-nos para um posicionamento ultra-periférico na Europa, tudo isto é algo que é tema de preocupação e de conversa. A volatilidade da situação internacional poderá implicar o aumento da procura de informação sobre estes temas. Acho que a rádio deve estar à altura destes tempos de mudança, a Europa e Ocidente não vão ser os mesmos.
Relativamente à polÃtica, que sempre esteve presente na rádio, a <TSF> no seu auge, era, sobretudo, uma rádio de temática polÃtica, julgo que existem alguns obstáculos. As gerações mais novas não se interessam por polÃtica&ideologias como as gerações que as precederam. As causas sociais e/ou temas fraturantes praticamente não existem para eles. Por exemplo, no secundário, por volta do 12.º ano, falávamos de polÃtica nos bares, cafés, discussões acesas. Hoje, a maior parte dos jovens simplesmente não quer saber…