Mas, caro “AGâ€, as audiências da <BBC Radio 1> não são extraordinárias: 5,7% (dados de março de 2019). Atendendo que o formato, com as sucessivas adaptações, existe desde 1967 e, por conseguinte, os ouvintes sabem o que os espera quando sintonizam a estação, década após década, não me parece, atendendo a estes resultados, que capitalize uma percentagem significativa de público por cá. A tendência assim o indicia, e não é expectável que por aqui os resultados sejam extraordinários.
Dando continuidade aos modelos de serviço público da rádio britânica, tidos como referência no ocidente, e que seguramente têm projetado prestÃgio do paÃs no exterior, assim como a sua cultura, e, dentro de fronteiras, têm um valor simbólico como a bandeira, também de coesão e valorização da sociedade; a rádio 100% palavra e informativa, sem sensacionalismos, <BBC Radio 4> tem valores de audiência bons: 11,9% - mais do dobro da <BBC Radio 1> (dados de março de 2019). Qualquer rádio com estas caracterÃsticas, pública ou privada, e com estes resultados seria um sucesso em Portugal, teria influência e seria capaz de galvanizar camadas significativas de público. Mas tal exige recursos financeiros de monta.
Nesta Europa que as pessoas circulam de paÃs para paÃs, em que cada vez mais portugueses o fazem no âmbito do programa ERASMUS ou por razões profissionais ou em passeio, um formato que faça a ligação entre o que se faz cá dentro com aquilo que se faz no espaço geográfico a que pertencemos, que traga testemunhos de protagonistas nacionais e oriundos de diferentes paÃses, que mantenha uma irreverência construtiva/entretenimento, que promova novos artistas, mantendo a divulgação dos consagrados, julgo que passa por aÃ. Não adianta promover artistas portuguesas numa rádio que ninguém ouve. A rádio deve ir ao encontro deste tempo e dos interesses de quem vive num mundo global, e que procura filtrar o que de mais relevante acontece. No inÃcio dos anos 80, foi a rádio pública que mostrou o que se fazia lá fora ao público jovem e de meia-idade, isto num paÃs fechado e atrasado, no entanto não foi dado o passo seguinte (hoje estamos na "aldeia global"). Talvez, uma nova visão para a <3>.