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Mesmo com a antena não daria para ouvir a Nostalgia em 96,4?
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Não. O sistema de som continha um sintonizador digital, com precisão de dois dígitos, do fabricante “Pioneer”. Tratava-se de um sistema de módulos dos anos 80, quando começaram a surgir no mercado os sintonizadores digitais em substituição dos que tinham um botão rotativo que deslocava um ponteiro. Neste caso, a sintonia caracterizava-se por uma maior precisão e estabilidade, no entanto esses dispositivos não tinham a seletividade dos aparelhos de hoje. Assim, se numa frequência tiver um sinal muito forte e na frequência adjacente um sinal muito fraco, a sintonia do sinal fraco é impossível de concretizar.
Nos autorrádios, como é sabido, a tecnologia dos sintonizadores estava mais avançada que a dos aparelhos HI-FI domésticos. Por exemplo, a “Pioneer” equipava os sintonizadores dos automóveis com chips ARC, um dos melhores para captação nessa época. No automóvel, os 96.4 da ‘Nostalgia’ eram audíveis até Vagos (a EN109 era a melhor opção para ouvir os emissores de Montejunto numa viagem para norte), a partir daí a interferência dos 96.5 da ‘Rádio Regional de Aveiro’ degradava por completo a escuta da estação. Na zona de Aveiro, o único local que conseguia sintonizar 96.4 era na Costa Nova, junto ao bar que havia na época chamado “Visual”, num local de prédios voltados para o mar. Os prédios atenuavam ligeiramente o sinal de 96.5.
Até aos anos 90 não havia alternativa ao FM. Atualmente, esta tecnologia analógica de difusão está obsoleta, é limitada e defeituosa para os padrões atuais, a era digital, e no início da 4.ª revolução industrial, caracterizada pela robótica e inteligência artificial. O FM é demasiado velho, tem 1 século de existência, resiste, mas tem limitações óbvias para os cidadãos de hoje, de uma sociedade plural, que “vê” nas ondas hertezianas apenas 6 redes nacionais e um incrível estreitamento na oferta, como se todos quiséssemos ouvir o mesmo, em regime monocultural, diria, esvaziado de conteúdo.
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Podíamos falar sim da Smooth (97,7) colocar os elementos na torre da Cidade, também com refletores a norte devido á Comercial Monte da Virgem. Ficaria com cobertura semelhante. Conseguia cobrir bem os Distritos de Leiria e Santarém (Portalegre/Évora parcialmente) e com ajuda dos 92,8. Sendo que em Minde é uma excelente zona de sinais, desde Porto e Lisboa. A Smooth tem 3 sinais (92,8,96,6,97,7) com RDS.
De facto, a zona onde estão localizados os emissores da ‘CidadeFM’ (99.3) e ‘Canção Nova’ (103.7) domina a paisagem. Trata-se de um relevo montanhoso alto, visível no troço de autoestrada de Fátima e também no troço de autoestrada de Santarém, assim como na EN3 antes do nó com a A23/A1. No sentido do Ribatejo a encosta é escarpada sem nenhum obstáculo pela frente. Esta localização explica a performance muito interessante de 99.3 (embora não oiça a ‘CidadeFM’), quer para sul, quer para norte. A uma certa distância, não se vê nenhum acesso por estrada para o local, nem estrada de terra batida. Portanto, possivelmente, quem tiver de subir a encosta íngreme terá de fazer escalada ou algo do género.
Em tese, a deslocalização de 97.7 para o concelho vizinho de Alcanena, no local aludido, seria benéfica, uma vez que, a cota mais alta e sem obstáculos, permitiria que o sinal se propagasse a maiores distâncias e com maior estabilidade. No entanto, tal como acontece com tantos emissores deste país, muitas vezes relatados neste espaço, 97.7 é uma frequência “lixada” nas épocas de esporádicas, mesmo dentro do concelho que serve.
A interferência da ‘Rádio Comercial’ do Monte da Virgem é relativamente frequente no norte do concelho, chega a acontecer o seguinte: na EN3, tenho o autorrádio a indicar sinal com intensidade máxima, o som é uma mistura de ‘SmoothFM’ com ‘Comercial’, assim que aparece a designação ‘Comercial’ no visor do autorrádio é feita a comutação com 92.8 que se apresenta na zona com sinal fraco. Outra interferência menos frequente, mas com consequências semelhantes é a dos 97.7 da ‘RNE Clásica’, Montánchez, Espanha. Em condições normais de propagação, não se verifica nenhum problema com o emissor, sendo o seu desempenho médio, serve bem o concelho a que se destina (com exceção de Pernes), concelhos vizinhos e A1, mas os sinais não são propagados a grandes distâncias.
A hipotética deslocação teria de ser acompanhada com a mudança de frequência. Aumentar a distância do emissor relativamente ao concelho e à cidade que serve, assim como do troço de Santarém da A1, poderá ter consequências indesejáveis nas épocas de esporádicas. Para sul da área de serviço de Santarém, 92.8 deixam de ser opção. Na atual localização, 97.7 está muito próximo de toda esta área em que não se ouve quer 92.8, quer 96.6.
Este tipo de fenómeno de interferência que se replica em tantos pontos deste país é, seguramente, o maior defeito do FM. Tal não acontece com a tecnologia digital DAB+.