Inaugurado em 1970, o centro emissor da
Deutsche Welle em Sines esteve em funcionamento até ao dia 30 de
Outubro de 2011. Durante 41 anos, a estação alemã utilizou as
infra-estruturas de Sines para reforçar as emissões em Onda Curta para
a Europa e, mais tarde, também para outros pontos do mundo. Recordemos
alguns marcos importantes deste importante centro emissor:
Após negociações com o Estado português,
a rádio pública alemã conseguiu que o regime vigente na altura em
Portugal autorizasse a instalação de um novo centro emissor de Onda
Curta destinado a retransmitir as emissões da emissora internacional
germânica para a Europa. Assim, a DW arrancou as emissões em Onda Curta
para a Europa a partir de Sines em Junho de 1970. Em plena Guerra Fria
e tendo o apoio de Salazar, a emissora alemã optou por
Portugal devido às condições estáveis que o país apresentava na época e
ao interesse em servir melhor os países da Europa de Leste, então
pertencentes à URSS. A própria localização de Sines beneficiava a
propagação ionosférica na direcção pretendida, atendendo às distâncias
envolvidas nas transmissões. Na altura, o emissor estava localizado
perto da então vila de Sines, onde ainda não existia o complexo
industrial deste concelho do litoral alentejano. De referir que o
emissor situa(va)-se, à data de encerramento e fruto da evolução
industrial da região nas últimas décadas, na vizinhança da central
termo-eléctrica e de algumas fábricas do pólo industrial de
Sines.
Numa época em que ainda não havia as
comunicações via satélite com a dimensão que existe actualmente, as
emissões da DW eram recebidas através de uma estação receptora
implantada em Sesimbra, onde as emissões em Onda Curta eram
sintonizadas e retransmitidas por feixe hertziano para o emissor de
Sines. Este sistema manteve-se em funcionamento até ao ano de 1990,
altura em que foram instalados em Sines equipamentos de recepção
satélite, dispensando a estrutura de Sesimbra, que foi desmantelada
pouco tempo depois.
Como contrapartida pela instalação do
centro emissor (imposta pelo Estado português), a DW estava
contratualmente obrigada a retransmitir a Rádio Portugal durante um
determinado número de horas. Assim, a emissora internacional
portuguesa, mais tarde rebaptizada com a designação de RDP
Internacional, era retransmitida a partir de Sines. Ainda que a
Emissora Nacional/RDP/RTP detenha o Centro Emissor Ultramarino (CEU),
mais tarde, Centro Emissor de Onda Curta (CEOC) próximo da localidade
de Canha (concelho do Montijo), a rádio pública assegurava emissões
para a Europa também a partir de Sines. Esta situação manteve-se até à
desactivação de Sines. Mesmo após a suspensão temporária das emissões
da RDPi em Onda Curta, decretada em Junho de 2011, a RDPi continuava a
ser retransmitida de Sines até ao final de Outubro, altura do
encerramento da estrutura.
Dado que a DW não utilizava os emissores
a 100%, a rádio alemã alugava algumas horas de emissão por dia a outras
emissoras internacionais. Assim, Sines também retransmitia estações
como a Rádio Canadá Internacional, a Rádio Mundial Adventista (AWR), a
BBC, a Rádio Holanda (RNW), a NHK (Japão), entre muitas outras. Durante
algum tempo, até a Rádio Renascença alugava tempo de emissão em Sines.
Originalmente equipado com três
emissores MARCONI, de 250 kW, a estação de Sines foi mais tarde
equipada com novos emissores Thomcast, com igual potência. Sendo
destinado a retransmitir a DW para a Europa, o emissor de Sines tinha
várias antenas de cortina fixas e antenas logarítmico-periódicas
verticais, orientadas para a Europa. Com a queda dos regimes comunistas
na Europa de Leste, o emissor de Sines arriscava-se a perder a sua
importância, mas a DW decidiu rentabilizá-lo, equipando as instalações
de Sines com novas antenas de cortina rotativas, que permitiam emitir
em qualquer azimute, atingindo qualquer ponto do globo terrestre. Esta
remodelação do parque de antenas assegurou a viabilidade do emissor
durante os últimos anos, que passou a transmitir a DW para a América e
África. A ProFunk GmbH (empresa responsável pela operação do
emissor de Sines, detida pelo Estado alemão) começou por instalar duas
antenas rotativas, erguendo
uma terceira pouco tempo depois.
No final dos ano 90, a DW começou a
realizar as primeiras emissões em modo digital DRM (Digital Radio
Mondiale), a partir de Sines. Equipando os emissores com tecnologia
digital, o centro emissor prolongou a sua vida útil, permitindo a
transmissão da DW num sistema com melhor qualidade de som e recepção,
pesem os inconvenientes significativos que o sistema DRM apresenta. A
RTP aproveitou também o sistema digital a partir do dia 31 de Janeiro
de 2009, transmitindo a RDP Internacional em modo digital DRM aos
fins-de-semana. De segunda a sexta-feira, a RDPi continuava a ser
retransmitida em analógico.
Aos interessados em conhecer melhor a
história do emissor de Sines, sugiro a audição
desta excelente reportagem da DW produzida poucos dias antes
da desactivação definitiva da estrutura.
Sugiro também a visualização do seguinte
vídeo, gravado pelos profissionais da ProFunk GmbH durante a última
emissão realizada a partir de Sines:
Atente-se ao seguinte vídeo, que mostra
a rotação de uma das antenas de cortina (uma das três rotativas, passe o pleonasmo):
CC) Luís Carvalho -
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