Vivemos tempos de grande indigência musical. Já sou antigo e não me lembro de tempos assim. As pessoas assumem o seu mau gosto de uma forma normal, como nunca vi. Quando era jovem, também tinha uns gostos, que para altura eram desviantes e que eu escondia. Por exemplo, gostava de ABBA ou Bee Gees, que na altura, para um jovem, eram assustadores.
Isto tudo para dizer, que me entristece estes tempos em matéria musical. A RFM passa o que povo quer, isso traz audiências ( já ouvi dizer, que a Comercial é só lÃder, devido ao programa da manhã), as audiências trazem dinheiro, dinheiro que vai sustentando quatro rádios e centenas de profissionais.
Tempos medonhos estes... 😕
No geral, concordo. No entanto, devo recordar-lhe que também se produzia vastas quantidades de lixo musical nesse tempo (maior parte dos temas Disco Sound, música ligeira, etc.), que eram populares à época. O que se passou no universo radiofónico foi a criação de uma estação de rádio [do estado] que colocava o público português na rota de sonoridades mais evoluÃdas, ao nÃvel das melhores práticas dos paÃses europeus de referência, dos quais, dizia-se, Portugal tinha 50 anos de atraso. O paÃs tinha saÃdo de um regime totalitário que o tinha isolado do exterior. Em muitos aspetos, e também culturais, como este, estávamos ao nÃvel do terceiro mundo.
No auge dos ABBA e Bee Gees era criança, mas recordo-me que foram populares nessa época. Ouviam-se em todo o lado. Mas tem razão quando afirma que eram considerados “pirosos†e até “inaudÃveis†por quem frequentava o Ensino Secundário e o Ensino Superior, que ouvia essencialmente Rock. O Rock era considerado a referência. Nesse tempo, a TV passou uma série de culto dos anos 70, “Espaço 1999†(a Lua sai da órbita da Terra devido a uma explosão nuclear, ficando a navegar pelo Cosmos. Todos os personagens tinham carisma, entre os quais, Maya, alienÃgena com poder de se transformar noutras criaturas). A <RTP Memória> bem podia repor esta série e outras de culto, tais como “Caminho das Estrelas – Strar Treckâ€, “Galacticaâ€, etc.
Estando a <RFM> e outras na corrida das audiências, numa lógica meramente mercantilista, em detrimento do conteúdo, deve haver quem se imponha e reestabeleça a ordem. Estão à espera do quê?