O café da Manhã já há bastantes anos começa às 6 da manhã, apenas no período do Pedro Fernandes começava às 7 e essa primeira hora, SEMPRE foi gravada no dia anterior.
Isto é a prova inequívoca, mas não é nenhuma surpresa...
A RR faz o mesmo, nessa hora das 6...
Repare, Júlio, eu para mim até gostei sinceramente disto. É um saber da verdade e é um certo disruptivo ao mesmo tempo. Fora que já em 2013/14 ouvia a RFM às 06 da manhã (com o Pastilhas para a Tosse do Nilton, era André Henriques) e ficava a pensar “porra, que eles têm tanta energia a esta hora, tenho mesmo de ouvir mais vezes!”. Faz a diferença, não me deixa indiferente, e gosto disto. Quero acreditar que ainda há diferença face ao rigoroso direto, mas faz a diferença face a um gravado dito banal.
A parte curiosa é: andamos aqui nós com bitolas de vinte e tal anos do que é gravado, do que é direto, do que é mais ou menos digno, e depois vai a RFM e fura isto tudo a eito sem se preocupar com nada disso, tal como em 2011 quando já trocou o você por tu. Eu próprio, nos ensinamentos de rádio que tive ao longo destes anos com certas figuras relevantes, fui ensinado a não fingir; não dizer horas em gravados; desconfiar sempre do software, que volta não volta podia borregar. E a assistir, como ouvinte, a dezenas e dezenas de casos desses, em rádios da MCR ou rádios locais, o último caso dos quais assisti ainda no último Sábado à tarde na hora das 15 da… Diana FM de Évora!
E é isto que está em causa. Afinal é um procedimento geral que se deve adotar em rádio, e portanto a RFM está errada ao fazer isso, ou o software e as condições de emissão das outras é que são más a ponto de se ter que criar, a partir de um problema, uma norma? E como premiar, assim sendo, as rádios que fazem em rigoroso direto, se o gravado parece o rigoroso direto?
Leio aqui que mais locais fazem isso e a dizer horas com playlists pré feitas. Sim, mas quantas vezes ouvi eu falar de erros de seleção musical na 94 FM? Quantas vezes não houve erros de takes na MCR mais o Dalet ou o Zaventem? Quantas vezes? Quantas, em décadas?
Quem é que tem que mudar aqui a ideia de como é rádio bem feita? Quem escuta, ou quem faz?
A Caixa de Pandora que se abriu aqui (com um atraso de largos anos) não vai poder voltar a ser fechada. A partir deste momento há zero moral para se poder dizer a rádios locais, todas limitadas em €, que devem fazer em direto e não gravar, por exemplo. O precedente está aberto. E deve afetar de comentadores aqui neste espaço até aos próprios profissionais de rádio, porque queiramos ou não: todos somos lidos e todos pegamos de uns e de outros. O meio rádio em Portugal é uma quinta.
E isso torna tudo muito mais giro - estamos a falar de standards de indústria com 20 anos!