Viva. Hoje cheguei das terras altas do reino e decidi partilhar convosco uma história de ficção relacionada com a rádio, mas que como todas as histórias virou lenda e já quase se perdeu nas profundezas do tempo... Reza a lenda da seguinte maneira.
Era uma vez um menino Mais Maior Grande que não teve espaço na rádio local da terra e um belo dia na abertura dum concurso para atribuição de licenças pediu uns milhares de cobres ao papá e concorreu a muitas licenças para se vingar do “inimigoâ€. Só levou duas o coitado. Mas mesmo assim fez negócio pois fez um só estúdio para as duas rádios e montou um par de antenas com 2 emissores de 27 decicoisas de potência autorizada (isto quando ia lá a Ana Comia verificar, pois como era longe ela avisava de véspera). Quando não havia fiscalização por perto (os outros 364 dias do ano) ele tinha um botão mágico no emissor que com mais os 3 decicoisas de ganho nas antenas fazia disparar a rádio para 1 quilo dos 0,5 quilos autorizados e que até em terras zamoradas se ouvia perfeitamente. Isto em dias “normais†porque há quem diga que o terá ouvido afirmar que todo o sistema irradiante chegava a 2 quilos. A emissão (a fingir que eram duas) dava para fazer uma rede que na realidade não era permitida. Depois a cereja no topo do bolo. A rádio muito badalada das Terras de Vera Cruz na altura não tinha um registo oficial. Era martelada. Ele confirmou com pessoa amiga nos registos do reino. Esperto e matreiro o menino Mais Maior Grande meteu-se a caminho e foi à casa de origem e por uns poucochinhos milhares de cobres comprou os direitos de transmissão e os sons oficiais. Vai daà os malandros da capital do reino descobriram e tiveram de negociar com ele e o menino fez um contrato de aluguer do seu par de hertzianas. Mais tarde o menino teve outra ideia de génio. Podendo ter acesso a 2 canais na televisão nos fios de cobre e fibra e sem pedir autorização à entidade reguladora montou 2 canais pelo preço de um (ora bem) a emitir da alta finança dos EUA. Agora sim o menino Mais Maior Grande era "enorme". O que a entidade reguladora não sabia era que a emissão era levada dum lado para outro em “cassetes†na mesma zona da sempre leal povoação. E assim andou com 2 canais pirata de televisão anos a fio. O que era mais giro é que o menino Mais Maior Grande fazia contratos de estágio de pequena duração e rodava novamente os estagiários sem lhes pagar um tostão. Na verdade queria poupar os pobres trabalhadores a habituarem-se a carregar o vil e pesado metal que para eles não teria serventia. O menino era tão, mas tão amigo dos trabalhadores. Era um verdadeiro sindicalista patrão. Vai daà e mesmo assim uns anos mais tarde aquilo acumulou passivo atrás de passivo e até igrejas evangélicas a controlar grandes perÃodos horários teve, a cobrar lá está o santo dÃzimo. A entidade não gostou, passou-lhe umas valentes coimas e o menino ficou sem os seus brinquedos “made in USAâ€. O menino passou a viver triste na sua frugalidade julgando-se o mais sério e mais maior grande empreendedor de média que alguma vez surgiu ao cimo das terras portucalienses mas muito injustiçado. Há quem diga que a sua alma penada ainda assombra os postos de rádio locais e que um dia ele voltará do nevoeiro qual D. Sebastião e terá a sua hertziana nacional.
É só uma lenda que se conta por terras altas que aqui vos deixo. Qualquer semelhança com pessoas e factos reais é mera coincidência.