Noutras paragens, rádios no target da ‘M80’, ou seja, intergeracionais, portanto, vocacionadas para audiências em larga escala, compõem as bandas sonoras de forma a contemplar todos os períodos da música contemporânea. Não são estanques a uma dada década ou décadas, verifica-se que os temas recentes também vão para o ar, embora numa reduzida percentagem face ao restante repositório, o mesmo se verifica em relação aos temas mais antigos, digamos das décadas de 50, quiçá 60. Talvez o objetivo seja encaminhar o auditório para outras tipologias de produtos radiofónicos que os mesmos operadores disponibilizam. A estratégia visada pressupõe um acervo musical em tese quase ilimitado, face a uma estratégia estanque, logo, limitada. Esta é parte de uma fórmula que engloba, ainda, a estruturação de uma grelha de programas apelativa e também a criatividade, e até ousadia, dos dinamizadores, inclusive na forma como se relacionam com o público que os ouve.
Portanto, a designação M80 é redutora daquilo que deve ser uma verdadeira ‘M80’, no entanto alterar o nome de uma marca solidamente implementada é, a meu ver, arriscado.
---
Uma característica das democracias liberais ocidentais, consiste na liberdade de criação cultural, que emana das sociedades civis, e que rapidamente se disseminam pelos vários países, permitindo, por essa via, entre outras, que os povos partilhem modus vivendi semelhantes. A música é uma forma de expressão cultural que rapidamente atravessa fronteiras.
Vejamos alguns exemplos de temas aparentemente simples e que conquistaram sucessos em toda a Europa, suscitando o interesse de milhões de pessoas.
Em 1980, a RTP iniciava as emissões regulares de TV a cores. Na altura eramos crianças, pelo que a animação a cores era bastante apelativa e “colava” grupos de crianças ao ecrã: esta foi a
primeira série animada a cores de matriz ocidental difundida pela RTP1 e
outra, um ano depois, etc.
Nessa altura, este tema era comum na rádio ocidental, também na nacional, e de “fácil” audição para crianças e adultos:
KOOL AND THE GANG – Celebration (1980) 3|5 (mais tarde, o muito tocado na rádio FM:
KOOL AND THE GANG – Cherish (1985) 4|5, também no TNT, 99.8 FM Estéreo da Rádio Comercial)
Um dos vários ícones da década de 70. O tema seguinte conquistou os europeus pela essência, carisma e voz única, embrulhados numa melodia intemporal, embora característica da era Disco Sound. Parece básico, mas não, é uma excelente canção.
Hiperligação dupla:
esquerda – versão menos conhecida, composta com imagens da TVE; direita – áudio que conhecemos desde sempre, maior carisma
BARRY WHITE – You're The First, The Last, My Everything (1974) 5|5
Foram a banda que abriu o mítico evento Live Aid que, em 1985, juntou músicos dos dois lados do Atlântico. Envolveu a travessia do oceano de Phil Collins, no supersónico Concorde, a ponto de atuar em Londres (estádio de Wembley) e 3 horas depois em Filadélfia (estádio JFK). A RTP transmitiu em direto, com emissão desdobrada entre RTP1 e RTP2. Outro tema acessível para todas as faixas etárias e que fez furor por essa Europa fora.
Hiperligação tripla:
esquerda – vídeo original; centro – atuação Live Aid; direita – atuação na ZDF, segundo operador público da Alemanha.
STATUS QUO - Rockin' All Over The World (1977) 3|5
Basta falar com outros europeus e constatamos que a nossa “base” musical é a mesma (não só, mas aqui o tema é rádio). É assim há décadas.
---