No caso das nacionais, é curioso isto que relatas, porque a Antena 3 teve durante muitos anos jingles de frequência (até ao início da roupagem Alternativa Pop), a entrar logo após o bloco de publicidade institucional; a RFM tinha, durante muitos anos, um cuidado extremo com este aspeto, sendo que atualmente não tem e dá só frequências no Verão, para as praias; e a Comercial, ainda no inicio da década de 10, estava a dar infos de frequências com a voz da Sofia Morais.
Tudo isto contrasta violentamente com a situação atual, em que se um emissor for à vida ninguém - nenhuma rádio - dá indicações no ar, EXCETO se a frequência afetada for a de Monsanto, em que já ouvi a Antena 3 (Isilda Sanches) e a Comercial (Pedro Ribeiro, Rita Rugeroni e Wilson Honrado) a dar essa informação no ar, talvez porque usem a emissão no retorno. É em muito mais um exemplo de centralismo que não se compreende. Há apenas 30 anos, nos anos 90, a prática era bem distinta; ainda hoje são vendidos rádios sem o serviço de RDS, vulgares musiqueiros. Fiam-se em que a pessoa faça a pesquisa por marca.
Por fim: faz-me muita impressão que esteja sentado em Lisboa um locutor que faz emissões para Bragança ou Vila Real. Devia, no mínimo, haver uma obrigação NUTS II de colocação de estúdios..
Há quase oito anos que a Antena 3 deixou de publicitar as frequências.
Na Antena 2, só conhecem as capitais de distrito...A exceção é Grândola e Santiago do Cacém...
Em Espanha, os canais da RTVE/RNE também não publicitam as frequências.
Só as rádios privadas o fazem, quando desconectam para publicidade, informação local, ou nas horas (duas mais coisa menos coisa) de desconexão por comunidade regional.
Vou começar pelo caso do Atento. Não é exatamente verdade, já ouvi pelo menos na Los 40 99.4 Vigo o anúncio a frequências de várias regiões, não apenas ao emissor da Galiza.
Quanto ao mais, está na Lei da Rádio artigo 37º, nº2
Artigo 37.º
Programação própria
2 - Os serviços de programas devem indicar a sua denominação e a frequência de emissão pelo menos uma vez em cada hora e sempre que reiniciem um segmento de programação própria.
Ou seja, as três nacionais, estão em incumprimento, porque nada especifica neste artigo que respeite apenas às rádios locais. Particularmente grave é o serviço público fazer tábua rasa da lei. Deveria existir uma admoestação da ERC sem caracter sancionatório, por ora, por forma a permitir que fosse corrigido o incumprimento (sou sempre favorável previamente à pedagogia). Entendo que também a Cidade FM está em incumprimento, dado que a verdade é que não é só Lisboa que é emitida, a associação pressupõe, justamente, a partilha de produção entre as seis rádios, portanto, deveria ir alternando. Dizer 3x à hora, não me parece descabido. O caso da Antena 2, todas as frequências deverão ser ditas, com exceção de algumas micros, parece-me menos relevante, associarem às capitais de distrito, e aos grandes emissores, que na prática, cobrem todo o território, ainda que não de forma perfeita.
Quanto ao caso dos locutores não saberem as frequências, diria que sabem Porto e Lisboa, com alguma sorte Fóia e Lousã. De resto, são poucos as que sabem, e até há quem pense que é a mesma frequência em todo o país. Mas isso, como já tive oportunidade de conversar com pessoas do meio, é um problema das Escolas de Comunicação Social, que investem muito pouco em Direito da Rádio, cadeira que faria todo o sentido existir, nem que fosse como opcional, para quem quer seguir esta vertente. Se não sabem... não têm culpa. Estamos cá nós para ajudar!

Que no fundo, é o que nos move a todos, amantes e profissionais, tornar o meio melhor em todos os aspetos.