A Botaréu entra até pelo menos Ovar limpinha na A29, daí para diante é luta entre essa e a Nova Era de Paredes. Em São Félix da Marinha é impossível ouvir a Nova Era de Paredes por causa da Botaréu, refiro-me a pleno centro.
É assim, falamos de níveis diferentes de sinal logo de interferência. Essa zona é de transição de sinais sul para Norte, e quer Botaréu quer Nova Era de Paredes estão já longe dos centros emissores, de maneiras que a interferência existe mas as forças são menores em ambas, é mais fácil.
Já no caso da Nova Era, que ainda mete sinal bem bom na Feira como os emissores do Monte da Virgem (sim, tem falhas mínimas, mas o normal só), a Antena 3 tambem chega mais forte pelo relevo logo torna-se mais incomodativo.
Com AF em ambas não resolveria, isso tentei eu fazer comutando manualmente Paredes > Gaia. Aumentaria de 50 para 75% o som limpo de interferências da Nova Era mas teria sempre a Antena 3 em determinadas zonas da Feira.
Prova deste efeito que estou a dizer é que a seguir, em Cucujães, é quase incontestada a própria Antena 3 em 101.2 e por exemplo a Rádio Nova tem zonas de se deixar de ouvir por completo na nacional não porque não haja sinal, mas porque a extrema competência da ANACOM colocou a Jornal do Centro na mesma frequência. Em São João da Madeira sente-se a pressão da RJC na Nova mas como ainda há uma certa proteção face a sul, o sinal da Nova é ainda bastante admissível. Cucujães está exposta.
Isto tudo tem que ver com relevos mas bottom line é: com outra frequência e afinação dos elementos radiantes isto fica resolvido. E há imensas na zona de Coimbra. Não há no meu ver qualquer motivo para que a RTP ou a ANACOM prejudiquem na área de influência de uma estação que é das mais ouvidas entre os emissores locais a Norte, só porque querem cobrir melhor uma única cidade a não sei quantos km's de distância. É profundamente injusto para a Nova Era e como aliás seria para qualquer local que de um momento para o outro leve com uma nacional nas costas.
Da A2 não sei, mas sei que ainda esta manhã fui a escassíssimos quilómetros em linha reta do centro emissor da 5 (zona de Medas foi onde me desloquei, às portas da CREP) e estava a ser comidinha de cebolada, pela frente, por trás e por todos os lados, com um sinal em mono e umas interferências fortíssimas do operador público, isto no meu rádio... aqueles 88.4 são para esquecer completamente.
Não me parece que a RTP se vá estar minimamente a preocupar com a Nova Era, desde que a mesma se escute adequadamente em Gaia e não me parece que vamos encontrar nenhum ponto com essa dificuldade. A ser seria essa transição Carvalhos/Perosinho, mas está bom de ver que não. Agora, se calhar os tipos da RDP poderiam por refletores para sul, ou para Norte de Coimbra essa frequência acrescenta algo à Lousã? A alternativa, outra frequência, que não me parece que se levante sequer, caso contrário teriam escolhido logo outra de início, qual poderia ser?
Em 88.3 para sul a cinco fica muito comprimida, quer pela 1 de Norte, quer pela 2 de Coimbra. Parece-me que vai ser frequência que vai acabar por ser deslocalizada ou, em alternativa a definhar ainda mais.
Meio Offtopic: os 88.3 do Muro são pressionados a Norte pela Clássica de Pontevedra. Em território nacional faz-se sentir essa interferência? Quando estive em Cerveira, entrava sempre a Antena 1. E do lado espanhol, chega até onde?
A norte de Coimbra a frequência acrescenta cerca de 0 (zero) à Lousã, a frequência da Lousã chega melhor e mais longe, como é natural quer pela cota quer pela potência. Mais um bom motivo para não ter a Antena 3 a irradiar tanto para Norte.
Quanto a alternativas, poderíamos falar dos 103.9 ex-Radio Capital, outra frequência entre as não atribuídas no distrito de Coimbra (há umas 5), ou ainda algo totalmente fora disto. O espectro na cidade não está tão saturado como o do Porto, as rádios de Leiria chegam mal ou não chegam a Coimbra, as de Viseu vão chegando mas pouco, Aveiro pode dar-se o caso e há um ou dois casos assim, mas é pouco frequente.
Refletores, personalizar o esquema de irradiação limitando a Norte, mudança de frequência, todas estas são possíveis e viáveis e apenas a dos refletores tem custos adicionais, porque mexer no esquema de irradiação já há uma equipa técnica dedicada afeta ao operador.
O problema dos 88.4 é que não pode ser deslocalizada para qualquer sítio porque tem que ter sinal forte para se sobrepor à rádio pública, mas a rádio pública também não tem margem para mexer (aí sim) as frequências do Sameiro e do Muro... Sem ser o ponto atual onde está suspeito que apenas na Afurada seria possível instalar o emissor, e com elementos orientados a sul em linha reta reforçaria inequivocamente o sinal mais junto à costa (e em Espinho) impedindo a Antena 1 de penetrar, à custa das zonas de serrania de Campanhã / Oliveira do Douro para diante em que o sinal seria bastante pior do que já está (esse é o problema de meter o emissor na Afurada), num efeito similar aos 89.5 Matosinhos mas a 200 e tal metros de cota em vez de apenas 50 mais antena.
Com emissor na Afurada seria impossível à Antena 1 interferir uma vez que mesmo orientada a sul com os dipolos, toda a cidade do Porto estaria a menos de 5km em linha reta (!!!) do centro emissor, o mesmo para Matosinhos, centro de Gaia e junto à costa.
PS - se o Acácio Marinho ler isto e mudar o emissor para lá, são 750€+IVA pelo trabalho de consultoria sff - o IBAN é o PT50 0045 14...