É complicado explicar por palavras o que era "radio" nos anos 80. Quem viveu esses tempos acho que vai perceber.
Primeiro o contexto... 2 canais de tv, com uma programação bas tante abrangente e super generalista, ou seja , havia de tudo para todos os gostos, sendo que claro gostava de algumas coisas...mas em alguns horários, em especial no que chamamos horarios nobre... não me revia em algumas coisas ...VCRs e spectums começavam a aparecer...mas para ver era necessário claro uma televisão, que só existia uma por casa. Restava apenas o meio de entretenimento mais democrático, que era o audio. Neste campo existiam discos, cassetes e a rádio.
Radios eram poucas e cada geração identificava-se mais com uma ou outra. A malta entre os 12 e os 30 eram radio comercial FM.
Ainda assim a própria radio comercial apesar de musical era generalista. Lá cabia pop, rock, metal, classica,country, oldies e outros.
Quando chegava o domingo à noite na tv o domingo desportivo e depois o Dallas.... e nada sabia melhor que a companhia e musica adequada ao dia e hora.Era a calma que sabia bem...amanhã aulas logo de manhã ....o fim de semana tinha ficado para trás e era um momento de relaxar e lembrar "as conquistas " e as intranquilidades óbvias da idade.
Eu devorava tudo,sabia os horários de cór e sabia quem estava a apresentar. Mesmo em férias acompanhava tudo.... e mesmo a onda média fascinava-me....
Não perdia um único TNT com o Jorge Pego e gravava todas as novidades...
Patrocínio Timotei ...sinal horário com "compre slips Gitane" contagem aos fins de semana...sempre gravado...por vezes chegava o sinal horário e era cortado o final....e não sabiamos o no1. Programas gravados com um som horrível, em especial em aparelhos que não tinham estereo .
Depois chegava o ultimo terço da década e tudo mudou...e a Comercial ficou lá atrás...o TNT mudou muito e ficou pela musica ligeira...não acompanhou a nova Pop....o som foi ficando pior e outra rádios surgiam com um som e difusão muito superior. Lembro -me do sinal ser transmitido com um ruido de fundo que parecia código morse.
Nos dias de hoje uma rádio com estas características não subsistia.
Os hábitos de consumo, muito à base de carro, pedem uma standartizacao da antena.
Eu quero entrar no carro, ligar a radio e ter o mesmo tipo de produto/serviço tanto as 3 da tarde de terça feira, como ás 3 da manhã de um domingo. É essa a minha expetativa....se assim não acontecer mudo de rádio, ou ligo o serviço de streaming....
Percebo quem gostava que fosse diferente mas para ser a radio mais ouvida tem de ser assim. O Ribeiro tem uma visão muito clara do meio rádio. Trabalha para a subsistência e dar resultados. Se é o que ele genuinamente gostava...
Saudades da época? Sim claro que sim...pena não haver mais gravações. Como é possivel não existirem arquivos da própria rádio que pudessem partilhar?
Fico feliz que o caro Pedro tivesse voltado a participar no Fórum da Rádio.
A última vez que li uma participação sua já foi há uns anos, era eu um mero visitante deste espaço.
Gostei da sua descrição sobre o meio rádio, sobretudo, do FM Estéreo da RDP Rádio Comercial nos anos 80.
Caro Pedro,
Não tenho a mínima dúvida que o Ribeiro saiba bem analisar o meio. Além de ter mais de três décadas de experiência, há 19 que é director da RC com 12 anos praticamente imaculados na liderança.
Também lhe confesso que, não sendo particular ouvinte da Rádio Comercial no linear, gosto de picar os seus conteúdos «a pedido». Entre a RC e a sua rival RFM, sou obviamente pela estação da Sampaio e Pina, desde dos tempos em que era criança e, a espaços, num rádio lá de casa, sintonizava a Rádio Rock... Talvez por isso, ainda hoje, é o meu estilo predilecto.
Contudo e mesmo não tendo idade para ter acompanhado o trabalho do António Sérgio (a primeira vez que travei conhecimento da sua figura foi, meses antes da sua partida, no 5PMN do Alvim, já estando o Sérgio na Radar), aos 15 anos, no auge das minhas descobertas, dei por mim a pesquisar pelo seu legado e fiquei maravilhado.
Muito desse legado pode (e deve) ser consultado no site Lista Rebelde, onde existem, desde recortes de crónicas, a programas na íntegra. O genérico da Hora do Lobo da RC, mas sobretudo, do Grande Delta da XFM são qualquer coisa de sublime.
Aprendi que, numa época sem Internet ou mesmo quando esta era incipiente, figuras como António Sérgio eram o principal veículo para fugirmos à mesmice... Era a voz do «Direito à Diferença»!
Caro Pedro,
Não leve a mal as críticas aqui lançadas pelos camaradas de fórum.
Acredito, piamente, que a imensa maioria dos membros são gente boa. Mas também não são meros autómatos que ligam o auto-rádio a caminho do trabalho, procurando o riso fácil e a piada sobre trivialidades, mesmo respeitando a ideia de que isso atraia audiências e que elas justificam a existência de um grupo privado de comunicação.
Mas tal como o grande Pedro Ribeiro na sua arte de fazer rádio (e não estou a ser irónico), nós neste fórum somos ouvintes exigentes, que amam este meio e que procuram respostas, muitas vezes lá fora, de como podemos melhorar este tão grande e, ao mesmo tempo, intimista amor.
Espero que não fique tanto tempo sem participar, caro Pedro.
Saudações bigodeanas! 😎
PS: E viva o António Sérgio! Obrigado pelo trabalho que foi feito para que a minha geração tivesse acesso e apreciasse o trabalho dos seus «afilhados».