Certo que o número de jornalistas é muito mais reduzido lá, mas no grupo Bauer do que ouvi também houve zero vestígios de greve.
Na Bauer quem lá está ganha valores acima da média do setor (exceto quem é estagiário). Daí não ter havido qualquer greve. Além disso a faturação e a quota de mercado têm aumentado, não há grandes razões para isso. Dentro do contexto rádio é um bom grupo para quem tem contrato, um dos poucos. Deviam todos ser assim, mas em vários casos não podem e noutros não querem.
Sem me alongar muito, calhou que os que pararam na quarta-feira, desta vez, não estavam a editar noticiários. Em dezembro estavam e alguns noticiários não foram para o ar. Mas também acredito que a esmagadora maioria do público não tenha notado.
Quanto a salários, não me quero esticar, mas há pessoas com dois e três empregos para se aguentar, principalmente os que têm filhos. Não vale a pena pintar o cenário como melhor do que é (e imagino que não tenha sido de propósito). Concedo que para a realidade da rádio em Portugal nao ser tudo corrido a SMN já é bom sinal. O problema ainda maior é que cá quase nenhum OCS paga de modo a que os seus trabalhadores não fiquem com a corda na garganta numa situação de emergência.
Concentram as redações na AM Lisboa, mas não se concentram para pensar que para viver nela não basta pagar acima do SMN. E esta crítica é geral. Falta noção de que muita gente da Comunicação Social, sejam jornalistas, técnicos, fotojornalistas, etc, está a uma subida descontrolada de renda de ter de sair da redação ou passar a dormir nela.
Já agora deixo o desafio: têm noção de quanto se paga atualmente, nas rádios?
Tanto que não notaram que nós também não notámos aqui, por exemplo... Imagino que tenham sido técnicos, por exemplo.
Não foi mesmo de propósito de todo, acredite. De facto não fazia ideia que houvesse quem tivesse 2/3 empregos para se aguentar, mesmo trabalhando no grupo. Pergunto-me é que empregos farão, dado estarem mais expostos que a média e haver sempre o risco/inconveniente teóricos da associação, mas para isso acho que tenho algumas respostas...
Gostei muito do terceiro parágrafo e não podia estar mais de acordo. Foi uma parte da razão pela qual saí da região: para quê lutar não sei quantos anos por um lugar, um posto, que depois sei que tinha a forte probablidade de não dar à mesma para prosseguir com a minha vida como pretendia? Isto é um problema. E um problema grande.
Quanto ao que se paga atualmente nas rádios, pela minha parte em tempos coloquei aqui a última informação de que dispus, mas imagino que as coisas se tenham degradado mais ainda.
Obrigado pelo comentário e pelo input, Mini!
Quanto a quem fez greve, tanto na de dezembro como na de quarta-feira estou a falar de jornalistas, que é onde tenho conhecimento de causa e onde sei que pararam. Sei que em dezembro houve pessoas a parar noutros departamentos, não sei se repetiram esta quarta-feira.
Quanto aos outros empregos, uma vez mais indo buscar exemplos ao jornalismo, são coisas como trabalhar numa rádio e fazer narrações para outros canais online ou TV - algo que é muito comum - ou trabalhar para outras revistas ou sites, à peça. Ou dar explicações. Ou dar aulas. E por aí adiante.
Quanto a valores, eu avanço: há OCS a pagar o SMN, há pessoas com décadas de experiência a receber o SMN ou pouco acima. Um jornalista "base" (sem funções de coordenação de equipas) recebe neste momento 1000 a 1500 euros
brutos, sejam de salário base ou de salário já com "isenções de horário", "subsídios de turno" ou outros instrumentos do género. Isto, sublinho, quando começam a surgir discussões de que no próximo ano o SMN possa chegar já aos 1000.
Nos animadores, os poucos valores de que tenho conhecimento são acima de 2000 (mas há muita mais liberdade - e procura - para fazer conteúdos por fora e garantir rendimentos extra, principalmente a publicidade, que paga bem), mas a amostra é muito pequena. Um técnico e/ou sonoplasta, pelo que sei, começa talvez nos 1300.
E estou a falar em generalidades não só para evitar off-topic, mas também porque há uma separação algo forte no jornalismo entre o que recebe a "velha guarda" e o que recebem os licenciados dos últimos dez ou 15 anos.