Certo que o número de jornalistas é muito mais reduzido lá, mas no grupo Bauer do que ouvi também houve zero vestígios de greve.
Na Bauer quem lá está ganha valores acima da média do setor (exceto quem é estagiário). Daí não ter havido qualquer greve. Além disso a faturação e a quota de mercado têm aumentado, não há grandes razões para isso. Dentro do contexto rádio é um bom grupo para quem tem contrato, um dos poucos. Deviam todos ser assim, mas em vários casos não podem e noutros não querem.
Ou então serem todos filiados na UGT, que não aderiu a esta greve...
Mais a sério, não sendo por um questão ideológica, porquê fazer greve? Alguém leu este pacote? Que medoda tira rendimentos ou direitos aos trabalhadores?
Por exemplo, o Banco de horas já existe pacificamente em muitas empresas...
Outra questão ainda mais séria, o mais certo é este pacote ser chumbado e faz se uma greve geral por algo que tudo indica, não vai avançar ?
Enfim...
Júlio. Enquanto pessoa que deixou de ser delegado sindical este mês porque saiu do trabalho, mas que não se situa à esquerda pessoalmente (porque contextos e visões são tudo e a vida não é preto e branco), vou apenas dizer o seguinte:
- O facto de algo ser uma realidade em muitas empresas não quer dizer que tenha que ser aplicado a todas. Por essa ordem de ideias todos nós estávamos subcontratados e explorados com contratos a prazo que renovam mensalmente. Inadmissível.
- O comentário da UGT eu nem vou entrar por aí porque era para destratar de cima a baixo e estou a manter o nível de algo que na mais otimista das hipóteses foi um comentário profundamente infeliz. Não se metem estruturas sindicais globais por cima da vida das pessoas a achar que as pessoas comem siglas ou obedecem-lhes cegamente e não têm vontade própria.
- Quer quantas medidas que alteram para pior os direitos de quem trabalha? Contratos a prazo por 5 anos sem se integrar como efetivos, mais 1 com as alterações? Licenças parentais revistas de 6 em 6 meses como se fosse possível que uma pessoa desse à luz e depois não desse? Permitir outsourcing à descarada após fechar empresas imediatamente antes, contribuindo para piorar o que já está péssimo e nem nunca devia ter existido (sim, eu defendo a abolição das ETTs e dessa figura legal)? Por onde é que eu começo?
- O pacote não é líquido que não avance, nunca foi. O PSD sempre se mostrou muito favorável a que avançasse e queria negociar com o Chega ou o PS. Se ninguém se manifestar, obviamente passa. Como imensa gente se manifesta, o Chega já se demarcou e o PS não o fez diretamente mas a UGT sair sinaliza que no PS também não passa em teoria. Uma greve geral, uma manifestação de larga escala, simboliza a oposição de uma maioria expressiva que vai além da representação que exista à esquerda no Parlamento e nos municípios, e obriga a leituras no campo moderado que possibilitam que isto não aconteça.
Nota-se claramente que não leu o pacote mas também sobretudo que não entende as dinâmicas associadas a estas questões. O seu comentário demonstra tibieza de vista. E estou a ser extremamente suave.
É melhor falarmos de rádio que para estas coisas não parece dar grande coisa para a caixa.