Finalmente os 91,2. É uma frequência para cobrir Viseu e não Coimbra. Seria sempre necessário uma outra frequência na região da cidade dos estudantes, não há volta a dar, mesmo com uma eventual deslocalização do emissor.
Sendo sinceros, Coimbra é uma cidade mesmo muito dura, para se ouvir rádio. Em abono da verdade, as únicas rádios que se ouvem com total qualidade, com recurso a um único emissor, são mesmo a MegaHits e a RUC, a M80 também se deveria ouvir, mas por razões incompreensíveis, chega a perder RDS na Ponte Rainha Santa Isabel e a ter dificuldades claras em Santa Clara.
As Antenas 1, 2 e 3 para se ouvirem bem, só em ping-pong Lousã - Coimbra, sendo que há emissores localizados na própria cidade. A TSF em 107.4 é o portento que todos sabemos, e treme muito em Coimbra, as outras três ainda são piores.
Dito isto, quando falamos das locais, além da Cidade FM de Penacova, da Batida FM de Catanhede, que não me parece que sejam possíveis de ambicionar pela Observador, quem melhor chega a Coimbra são, sem dúvida, as rádios do Luso, mais até do que a Smooth FM de Figueiró, e seguramente mais do que Soure, Pampilhosa da Serra (esta noutra frequência, penso que as coisas poderiam ser diferentes), São Miguel, Beira Litoral então, é um autêntico desastre. As da Figueira da Foz, também deixam muito a desejar.
Se são emissores a trabalhar com deficiências várias? É possível, mas não faço ideia se sim ou não. Por isso, acho mesmo que, apesar da menor potência da ""Emissora das Beiras"", teria sido uma solução interessante, se relocalizado para junto (vá, a 150m para ficar em Mortágua) destes. Aí, acho que já se poderia dizer que Coimbra tinha sinal, mesmo que não fosse fortíssimo, mas que fosse captável sem ser com um autoradio, que é a situação que temos neste momento. Tens cobertura quando consegues ouvir, em casa, no carro, em todo o lado, parafraseando o slogan da Comercial. O que tens, neste momento, são sobras.
Temos o caso da Dueça, que está sempre em portadora, mas ela é tão consistente, que me parece que poderia ser um ativo interessantíssimo.
Agora, há um ponto aqui que é relevante. Se uma empresa de sumos consegue comprar frequências como se não houvesse amanhã, e a Observador não, significará que o orçamento não é assim tão ilimitado quanto se possa julgar. Dito isto, talvez ter os 91.2 apontados para o Cavaquistão, em termos publicitários, funcione melhor, porque há uma identificação com o produto. Coimbra, não podemos ignorar que Coimbra é, sociologicamente, uma cidade de esquerda, onde o Partido Comunista ainda domina três freguesias, coisa que deve ser praticamente inédito a Norte do Rio Tejo, numa área urbana.
Se a rádio precisa de equilibrar entre publicidade e doutrina, poderá fazer sentido escolher Viseu em detrimento de Coimbra.