Luís Carvalho, de facto nos anos 80 não existia o sistema RDS. Confirmo, tirei a carta no dia 12 de abril de 1989, no dia 13 estava numa loja para comprar o primeiro autorrádio. A novidade de então eram os sintonizadores com visores LCD e de sintonia FM digital, feita através de números, e não haviam equipamentos com RDS no mercado. Nesse tempo só ouvia RFM, estação que fazia marketing em toda a imprensa com os mapas de frequências espalhadas pelo país, tinha no porta-luvas uma fotocópia desse mapa e o segmento de memórias FM2 do autorrádio estava reservado com 5 memórias para RFM: 106.8; 93.2; 91.7; 104.1; 89.9; 104.9. Quando se deixava de ouvir, tinha de consultar o mapa, não tinha presente as outras frequências espalhadas pelo território. Parava o carro para tomar café e procurava a frequência dessa zona.
O RDS veio agilizar todo este processo e facilitar a utilização do equipamento. Em vez do ouvinte saber um número e memorizar no seu recetor, o que faz é identificar o nome da estação e memorizar no recetor. A maior parte das pessoas não sabe as frequências das rádios que ouve, identifica a estação pelo nome que aparece no visor do aparelho. A função AF revela-se bastante útil, uma vez que é o sistema que ajusta a melhor sintonia, em função da qualidade do sinal, de forma automática, portanto, sem intervenção humana (e não há a necessidade de reservar várias memórias do aparelho para a mesma estação). Quando esta função não está ativa, força o condutor a pesquisar a frequência manualmente e, não sabendo a mesma de cor, o processo será relativamente demorado. Mesmo que o condutor tenha o cuidado de manter uma distância segura aos veículos que seguem à frente, a imprevisibilidade caracteriza a condução, e quando menos se espera acontece algo de imprevisto, por exemplo um veículo pesado que perde a carga para o pavimento, uma zona em que cai granizo colocando os veículos em despiste por falta de aderência, animais que atravessam a estrada, etc. ou seja, o condutor tem uma fração de tempo para reagir e os reflexos devem estar a postos; se está distraído, nem que seja por breves momentos, a mexer no rádio para fazer sintonias, a probabilidade de colisão aumenta. Portanto, há risco. Por isso, emissões sem RDS ou com 8 horas de desdobramento, sem a função de pesquisa automática de frequência ativa, é completo non-sense e envolve risco.