João, tenho de discordar desta afirmação. Falo por experiência própria, que vejo replicada em muitas pessoas do meu círculo próximo, algumas delas, excepcionais especialistas em áreas do saber complexas.. A sobredose de más notícias, de crises atrás de crises, fazem as pessoas fugirem para produtos leves, que não as façam pensar muito no estado calamitoso em que está o mundo. Da minha parte, posso dizer que cresci desde bem pequeno a só ouvir informativas (TSF à cabeça, Antena 1, RR e Antena 2 nas noites) para dizer que hoje, a maioria do meu consumo se faz nas musicais. Precisamente porque senti essa necessidade de "desligar". E acredito que os sucessivos estudos de audiência, e a aposta em menos informação por parte das próprias informativas corroborem esta opinião. Não obstante, admito, é um muito mau sinal.
“pdnf”, não era essa a perspetiva do escrito anterior. No entanto, concordo que os seus argumentos se aplicaram durante a bancarrota e da intervenção da troika. Foram momentos difíceis, de incerteza, de uma perceção de desintegração do sistema, uma situação deprimente em que o melhor era “desligar” e viver um dia de cada vez.
Porém, essa não é a situação atual. Neste momento, vive-se um momento de mudança e as causas são externas (não internas, como no caso supramencionado). Neste caso, verifica-se uma alteração da ordem internacional, que não se via desde a Guerra Fria e até desde o fim da WWII. Portanto, o interesse pela informação aumenta para compreender o que está em causa e antever o desenlace desta conjuntura complexa. A tomada de posição dos indivíduos informados, por exemplo na altura de escolher os protagonistas que governam o país, contrasta com aqueles que se deixam convencer por discursos populistas, incendiários, oportunistas, antissistema, que põem em causa todas as conquistas civilizacionais das últimas décadas e essas massas são manipuladas por forças que ainda pioram mais o estado de coisas para os próprios. O desfecho desta mudança que está em curso, não será pior que o atual estado do mundo, será diferente, com novos protagonistas no palco global e o mundo dividido em duas fações.
Portanto, discordo do seu ponto de vista. Assim o atesta a audiência dos canais informativos de TV, o que contradiz o que mencionou. Se o “pdnf” opta por “desligar”, na minha perspetiva, faz mal, pois, a matéria informativa está bem interessante.