O Observador publicou vários dados neste aqui https://observador.pt/2020/04/02/observamos-em-casa-com-leitores-marcas-e-bons-compromissos
Sobre a Rádio Observador via online para o mês de Março, dizem eles que tiveram 182,000 ouvintes durante o mês de Março. Também publicaram os números de Podcasts (2,1 milhões de downloads por 1,2 milhões de ouvintes) e os números do Jornal, que face a Janeiro tiveram um aumento muito grande, como provavelmente a maioria dos órgãos de comunicação.
Pelas minhas contas, a forma como apresentam esse número não pode ser lida como audiência acumulada de véspera ou share de audiência... o mais próximo que existe, e ainda assim com pouco foco, é reach, puro e duro. Para calcular mais concretamente podemos abordar duas métricas: ou fazer a partir do reach semanal uma estimativa, ou fazer uma correspondência Shoutcast online - AAV em FM e extrapolar a partir daÃ, algo que eu acho um pouco pior. Ambas com uma boa margem de erro, é certo, mas ainda assim melhores que nada.
Estive a fazer as contas, e tomando neste primeiro cenário o exemplo mais aproximado possÃvel (à menor estação em audiência) da Marktest do primeiro Bareme de 2020 para a Vodafone FM (que dá 1.1% reach semanal - ou seja, do universo de pouco mais de 8.5 milhões de ouvintes sujeitos a esse reach semanal, 94.198 terão tido contacto com a estação), isto dá um reach online de ~2.1% para a Rádio Observador, face à globalidade da população nacional que contacta com rádio pelo menos uma vez por semana, ao qual deverá corresponder uma AAV em torno de 1%.
O cenário da Marktest acaba por ser neste momento exequÃvel também para o online porque a penetração de Internet está muito elevada e portanto dá para o fazer.
Agora... isto é online, para o qual a penetração de escuta de rádio atinge, no máximo, 25% de acordo com as últimas estatÃsticas disponiveis por região. Em FM a abrangência é bem maior. Só que há dois problemas: se por um lado em FM há muito mais escuta, por outro lado a Observador só tem frequências em Lisboa e Porto, que cobrirão com algum tipo de sinal cerca de 50-60% da população portuguesa entre Braga, Porto, parte de Aveiro, a Grande Lisboa e a PenÃnsula de Setúbal. Ou seja, o funil é mais largo, mas o que passa lá é menos quantidade.
O que me leva a concluir que:
- a audiência online deverá distribuir-se em cerca de 65-75% pelo território que não tem cobertura hertziana da Observador, salvaguardando o restante para a Grande Lisboa e Grande Porto (e o que eles têm publicado da Rádio Observador bate certo);
- em Lisboa e Porto, a Rádio Observador deverá ter acolhimento sobretudo em algumas faixas etárias e alguns públicos de estrato socioeconómico mais elevado, o que pode explicar a melhoria de sinal que foi feita na linha de Cascais, onde a Rádio Observador deverá ter audiência mais relevante e também targets com mais poder de compra, mas também a opção de cobertura alargada no litoral Norte;
- poderemos estimar a audiência da Rádio Observador em FM com números que deverão rondar 1.5% na região *Marktest* de Lisboa, 0.8%-1% na região Marktest do Litoral Centro** e 1.5% a 2.5% na região Marktest do Norte.
Ou seja, é uma rádio que sim senhor, é relevante, tem o seu público, e que encontrou público adicional em certo lado (terá sido 15-24 e 25-34?) e, dá-me a sensação, roubou algum público a apenas duas estações: TSF e Renascença. Isso não se sente no Bareme em condições porque a população abrangida ainda não é suficiente em FM para afetar a tabela nacional da Marktest, mas teve penso que a consequência da RR estar estagnada nos 6% e da TSF ter tido um crescimento que não foi tão explosivo como em 2002/2003.
Esta é a minha leitura da coisa.
Nos termos atuais digo que apesar da audiência ser nesses termos será sempre viável, quer ao nÃvel comercial (por poder haver sinergia rádio + website, por ser uma fonte adicional de receita para o projeto no global vinda da Rede Nova de Rádios e dos anúncios do Estado, mais os próprios anunciantes locais de maior relevância para o projeto em si - já tenho ouvido anúncios do Colombo lá por exemplo...), quer ao nÃvel de quadro de pessoal (estagiários rádio e/ou imprensa, comentadores que fazem perninha nos dois lados e beneficiam, jornalistas que fazem coisas nos dois lados, locutores necessariamente a um preço mais baixo porque a cobertura não é nacional, é regional e é um OCS privado, por aà vai...).
**(por só ser ouvida dentro dessa região na PenÃnsula de Setúbal, o que sempre penalizou e sempre penalizará as rádios da margem sul, devido ao maior alcance potencial possÃvel de ouvintes nesse parcial (reach semanal) não ir além dos 630 mil, uma pequena malvadez cozinhada em Lisboa porque separa a área metropolitana em dois em vez de premiar as estações que melhor se ouvem na globalidade da área metropolitana - só os maiores anunciantes querem saber da Marktest ter uma região litoral Centro... Source: eu trabalhei na Marktest há uns anos.)