Hoje à tarde numa deslocação a Coimbra fui a ouvir os 92.6 OBSRVDOR até Ferreira do Zêzere, a partir deste local o sinal vai-se degradando e a audição começa a ser incómoda. Com a descida dos custos dos pórticos, a A23+A13 são uma alternativa interessante à A1 para quem ruma a norte, com menos trânsito, sendo possível programar o Cruise Control e manter uma velocidade constante na viatura durante todo o percurso. A distância é mais ou menos a mesma da A1 até a Coimbra, o atual custo das portagens compensa. Seguindo o trajeto da A1 até ao nó de Torres Novas, fazendo a A23 até ao nó do Entroncamento e daí, pela A13, até Coimbra é o percurso em que se ouve os 92.6 OBSRVDOR durante mais tempo, ou seja, numa maior distância.
Dizia, fui a ouvir o espaço das “Tardes em Direto” com, por ordem alfabética, os radialistas Bruno Vieira Amaral, Judite França, Nelson Ferreira e, a jornalista, Vanessa Cruz (na minha opinião a melhor voz e presença neste tipo de registo – informação). O convidado da emissão foi um nome sonante da rádio, António Sala, que em conjunto com Olga Cardoso, dinamizou o mítico “Despertar”, com audiências esmagadoras, toda a gente ouvia o programa. Foi um momento muito bom de rádio, o qual fazia lembrar o Mestre a falar com os aprendentes. António Sala relembrou que houve um tempo em que o limite para fazer rádio era a própria imaginação, toda a gente queria conhecer as “estrelas” da rádio que ouviam diariamente e os radialistas dirigiam-se ao público com a maior das naturalidades, o que cria muita empatia entre quem faz e quem ouve. António Sala recordou que, num dos programas do “Despertar” ele, nos estúdios de Lisboa, convidou a Olga Cardoso, nos estúdios do Porto, para uma sessão de dança e, representaram de tal forma bem, que os ouvintes pensaram que o momento tinha sido real. Tenho uma vaga memória de ter ouvido este momento do “Despertar”, possivelmente entre 1981 e 1986. Uma ideia aparentemente simples, revelou-se um momento forte de rádio, criativo e com bastante imaginação. Às vezes, o simples funciona bem melhor que o mais complexo, uma vez que pode ser revelador de talento de comunicação. A partir desse ponto da emissão deixei de ouvir a OBSRVDOR por falta de sinal, ou seja, fui obrigado a deixar de ouvir.
Em tempos, noutro registo e local, António Sala mencionou um dos filmes que considerou marcantes, chamava-se “Clube dos Poetas Mortos” (título original: Dead Poets Society) realizado por Peter Weir, EUA 1989. Trata-se de um filme que faz o espetador vivenciar todo aquele enredo, como se fosse um dos personagens, e comover-se com o drama e momentos de libertação que o filme proporciona. Não tenho memória de estar numa sala de cinema e, de um momento para o outro, toda gente pega nos lenços e assoa-se de comoção. Concordo com a opinião dele.
Na minha opinião, a melhor rádio que se faz em Portugal tem uma marca: ‘Observador’. Ponto.