Não sendo eu o maior fã da LiveModeTV, consigo reconhecer que cumpre um papel e é óbvio que não terá uma abordagem semelhante aos OCS tradicionais. O tom é naturalmente diferente. Para os meus gostos, é demasiado infantil. Chega até a irritar um bocadinho, principalmente com os constantes apelos aos likes, aos subs e à participação no chat. A primeira coisa que faço é esconder o chat.
A Joana Marques também cumpre um papel. Mas é igualmente infantil: é um bullying requintado/requentado. Por vezes tem alguma piada, mas na maior parte das ocorrências é penoso. Porque o problema reside no seguinte: o que é confrangedor já tem piada involuntária por si. Não necessita de mais exposição. Começa a ser embaraçoso quando se espeta a faca e se começa a rodar.
O produto que a Joana Marques vende tem imenso sucesso junto da camada normie da população porque o ser humano - e os portugueses em especial - delira com schadenfreude. O infortúnio alheio é a alegria de muita gente. A piadinha fácil é menos complexa de compreender do que algo mais rebuscado. E depois há quem nunca tenha deixado de ser bully, até na idade adulta.
Podem dizer-me que faz serviço público, ao expor fraudes como o Gustavo Santos ou outros que tais. Mas fazer piadas com isso aligeira a seriedade da coisa. O Gustavo Santos passa uma mensagem estupidamente irresponsável. Ao aligeirar o tema, a eficácia da denúncia perde-se. Não se deve parodiar, deve-se atacar. Eliminar.
Ainda entendi o primeiro episódio dedicado à LiveModeTV, apesar de achar que se arrasta sempre demasiado no tempo. Quinze minutos é um exagero. O segundo já nem tanto. Sim, andam para lá YouTubers e não sei quê. E então? Eles estão no YouTube!