Enquanto estiverem apenas focados nas decimas que vão conquistar no próximo bareme, em vez do produto que apresentam, não vamos sair deste marasmo.
Só a rádio publica conseguirá introduzir disrupção neste ciclo vicioso.
Haja vontade para isso.
Não me parece, no entanto, que a escolha de Nuno Reis (que sempre teve o discurso minimalista do "coitadinho") consiga tal desiderato.
Galopim tinha muito mais condimento.
Isto... sem dúvida.
No caso particular da RR, que, a meu ver, tem uma excecional redação de rádio, e na animação é de longe o grupo com melhores profissionais, o problema vem de cima. Primeiramente, é preciso focar na qualidade do produto, e eu não consigo compreender como é que pessoas com formação em Comunicação e em Gestão, acham que numa generalista música é o produto que alavanca audiências, pelo menos em exclusivo ou de uma forma ultra maioritária.
Depois, eu vou bater nesta tecla até que os dedos me doam, mas as Antenas não têm de estar minimamente preocupadas com as audiências por questões financeiras, mas sim devem-no estar pela capacidade de terem um produto capaz de cativar o público. O grupo R/Com tendo um estatuto de utilidade pública, motivo pelo qual obteve duas redes nacionais sem concurso, embora tenha de ter um pouco mais de preocupação com a questão das receitas, não consigo concordar de todo com a visão de que a CEP e o PL não tenham recursos para injetar se for necessário. Nunca será ao nível de uma CAV, mas não sejamos hipócritas: a Igreja tem dinheiro.
Mas, ainda que, por absurdo não o tivesse, se verificarmos o diferencial de receitas de publicidade da R/Com para a Bauer, tendo ambas uma cobertura equivalente, porquanto a Smooth e a Batida têm uma expressão incipiente a nula em termos de publicidade, e a cobertura da M80 é ligeiramente inferior à da RR, diria que mesmo que assumíssemos que a R/Com tem de viver a 100% da publicidade, não podendo ter na grelha alguma coisa com mais qualidade mas, em teoria, menos rentável, há um evidente problema de gestão, porque adotar o mesmo modelo está a trazer resultados significativamente piores do que os da concorrência, mesmo tendo, em minha opinião, um produto francamente melhor a todos os níveis.