Só acho exagerado apontarem o dedo da culpa do novo rumo da RR à Joana Marques, como vi para trás. Isso, acho excessivo. Não me parece que seja ela que decide a grelha, o que vai ao não ao ar. O Diretor da RR, que acumula informação e programação é jornalista, terá a sensibilidade para tal. Goste-se ou não, o Extremamente Desagradável atrai. Dou um exemplo, hoje sai de casa às 08h, e decidi que ia fazer a viagem na Antena 1. Ouvi o noticiário, mas entre as 08:15 e as 08:30, lá baixei 3 unidades, porque o ED é o ED, e depois voltei à A1. Falaram no Explicador, ora aí está uma rúbrica que cabia muito bem na rádio pública.
O problema da RR, neste momento, passa, sinceramente, pelos fins-de-semana e pela informação que é...pequenina para a qualidade dos jornalistas que aquela casa tem. E diga-se, também o é na RFM, se compararmos até com a Comercial, onde, por exemplo, no sábado à tarde, ouvi o Rùben Mateus a fazer um boletim de 5 minutos, com interação com a Ana do Carmo muito bem feita, a vantagem do direto, obviamente. Mas se repararem, já há um efeito colateral, a Antena 1 nos últimos tempos, não passa o noticiário dos 5 a 7 minutos. Claramente, efeito contágio, e isso é negativo para o auditório, sabendo que a TSF está como está, e a Observador não tem uma rede capaz. As manhãs na RR estão bem, são, para mim, a melhor oferta de longe, tivesse um nadinha mais de informação e uma ou outra rúbrica à la Antena 1 (como por exemplo a de Economia) e ficavam au point. A Ana Galvão como pivot é excelente, a Inês nem tanto, mas como segunda voz, dá muita consistência ao programa. Confesso que gostava de ouvir, como já aconteceu no tempo do Turno da Tarde com o Daniel, a Joana Marques a fazer uma abertura de hora e ligação com a informação. Não esquecer que, apesar de tudo, ela é de comunicação social. De seguida, temos uma Teresa que é brilhante também, está condicionada ao espaço musical, mas se lhe dessem alguns graus de liberdade para replicar um pouco do modelo das manhãs de agosto, acho que não se perderia muito. A meu ver, e apesar de gostar, quer da Sónia Santos, quer da Miriam Gonçalves, que vão alternando no horário pelas razões que sabemos, penso que este será o horário mais problemático da RR, a par das madrugadas, onde me perdoe a Sandra Torres, que tem caminho pela frente, mas estariam bem melhor entregues ao Óscar Daniel, e sim, bem que, nem que fosse uma vez por semana, podiam ser em direto, com participação dos ouvintes notívagos, por exemplo, à sexta-feira.
Sobre desporto...um Porto-Benfica ser remetido para o online, se realmente se confirmarem esses números de 100 pessoas, é somente ridículo. Ou então, de duas uma, e isso também pode ser um ponto que não desprezo: a RR terá vergonha do estado pouco cristão a que chegou o desporto em Portugal, e, por uma questão de opção estará, paulatinamente, a se afastar dele?
Em todo o caso, continuo na minha, há um Estado que tem de ser regulador e, naturalmente, que a Antena 1 tem de ter uma concorrente. É saudável para a democracia, para a própria vitalidade da rádio. Continuam sem me convencer que não conseguiríamos ter 10 redes nacionais ou quase como tem Espanha (saliento o quase, porque sei que não cobrem cada cm do território, aliás, penso que nem a RNE1 o faz). Mas, para mim, há muito caminho a fazer para alargar significativamente a cobertura de 3 rádios, TSF, M80, Observador e para o grupo RDP pensar em ter uma Antena 5, em paralelismo com a Espanhola. A partir daí, Mega, Cidade e Smooth devem reforçar o mais possível. Continuamos a ter uma oferta radiofónica que, na generalidade, é pobre, e locais que acrescentam 0*0/0 na maior parte dos casos e subtraem frequências. E isso, é um problema.