Para o que há de informação na RFM atualmente, sou sincero, até podia ser sempre o mesmo editor de informação e era menos 1 salário. Pensemos que em tempos a RFM fazia simultâneos com a RR para a informação (em 97, por exemplo).
Suspeito que o colocar de informação fora do topo da hora possa servir a médio prazo para haver gente que faz informação nas duas: ao minuto 53 na RFM e à hora certa, em maior profundidade, na RR.
Também se podia aproveitar a RFM e dizer que a informação estaria em maior detalhe naquele que sempre foi o canal principal, a RFM, mas compreende-se que não queiram canibalizar os 19% da RFM durante um par de minutos.
18 jornalistas que foram embora numa equipa de 53... Se não me engano tinha chegado aqui a escrever que o grosso do total de saídas poderia rondar vinte e tal - com os vários locutores passou mesmo as duas dezenas, então.
A RR começou a padecer da síndrome Agência Lusa ao colocar 4 notícias no topo do website mas nesse aspeto não é melhor que qualquer concorrente direta não informativa. E também não é pior. Está rigorosamente a meio, de acordo com o formato. Não quero dizer com isto que me satisfaça ou encha as medidas, mas o modelo é este e estão a cumprir. O que ditará o sucesso disso será não só a audiência em si, mas também o aumento ou redução das pageviews, sendo que dentro disso será cedo para falarmos até pelo menos ao final do ano.
Quanto aos estudos que o Júlio menciona: eu já fiz parte deles. E vou ter que dizer uma verdade bastante incomoda - não para si nem para mim, mas para as empresas que disso fazem o seu ganha-pão e mesmo alguns diretores.
É que muitas vezes existe um viés subreptício nesses estudos no sentido do que é o pensamento da administração. Isto é: não se deixa o pensamento do focus group fluir livremente, induzem-se perguntas já previamente pensadas e combinadas, mas a coisa já vai com pendor. E a pergunta, depois, influencia a resposta de maneiras que são parcialmente não-lineares e podem por vezes extravasar o conteúdo e entrar no vazio. Neste ponto não sei a que empresa é que a R/Com recorre, mas só espero que não seja à Pitagórica. E mais não digo.
Os estudos acabam por vezes por funcionar como caixa de ressonância de si mesmos e ainda que sejam a melhor forma de se perceber consumo que existe, têm margem grande para falhar se a coisa não for direcionada. E eu estou demasiado habituado a vê-la mal direcionada para recear. Até já tendo trabalhado na área.
Basicamente nesse estudo o pendor das pessoas que foram para lá foram o consumidor médio, ao que percebo, e não o especializado. E toda a posição segue no sentido de cortar tempo. A tudo. Para dar lugar à musica (que ainda por cima na RR tem uma playlist muito diferente e totalmente diversificada, como sabemos). Não há uma preocupação sobre o conteúdo concreto, pelo que percebi das palavras do Júlio; há uma orientação à marca e ao objeto abstractos - a informação, o Extremamente Desagradável, as Três da Manhã como produto de entretenimento - e não há o aprofundamento que devia haver sobre isso.
Acham o ED longo porquê? Se a informação leva muito tempo mas também gostam da informação, *que tópicos* é que gostam e preferem na informação? Que referências é que têm de profissionais e jornalistas da casa na informação, há alguém que retiveram? Se as Três da Manhã falam muito, quem é que acham que fala mais? Quem é que não está a acrescentar e sentem que faz perder o tempo? Se em vez de dividirem X vezes numa hora metessem outros protagonistas, gostavam?
Eu tenho muitas, muitas dúvidas que o estudo tenha sido conduzido assim. Porque por norma, não são. São sessões de meia hora, não mais que isso, porque se paga uma ninharia quando se paga aos entrevistados, e depois ficam as coisas todas pela rama porque não há tempo para mais e acabou-se. E o produto Renascença tem que de uma vez por todas convencer não só pela rama, não só pela ideia e pelo conceito, mas pela profundidade *e em* profundidade, porque senão daqui a uns tempos nem seis, nem cinco nem quatro pontos percentuais.
A Comercial não chegou aos 21% a andar a estudar coisas pela rama. Percebeu o gosto, valorizou a figura do radialista sobre a do locutor (ajudada por quem sempre teve uma visão disso, o Pedro Ribeiro), detalhou o produto de tal forma que introduziu pequenos elementos de conforto e agora está onde está, sem egos, e a valer por toda uma estação. E em que é que isto é diferente da Renascença de há 15/20/25 anos? Zero. E foi com essa RR que eu cresci.
Desta vez têm nos pontas de lança gente que realmente está e que é sim senhor, pelo menos das 06 às 20, e isso pode ser o suficiente para a RR subir. Mas isso não significa que está tudo bem e foi feito claramente à custa da informação, que perdeu esta batalha e quase que perdia a guerra. E eu não estou a gostar do circunstancialismo desta gestão na informação. Para mim é inconcebível que um artigo no site não tenha revisão textual, seja qual for a época do ano.
Vivo melhor com a questão da Lusa do que vivo com isso. Porque se numa é um retrato na média, noutra é desleixo. E a RR não tem margem para isso porque ou vai, ou racha outra vez e eu quero ver aguentarem esta estrutura se caírem para os 4 pontos.
Já nem sequer falo da profunda teimosia que é não diversificarem a playlist fora de certas horas, que me é totalmente inconcebível. Ninguém pede o pino da música alternativa, apenas mero bom senso. Alargou, mas não me enche nem de perto as medidas. Está ainda muito longe do razoável.
Único ponto positivo que vejo disto: a RR perdeu a imagem de beata e está mais neutralizada mentalmente, sem perder a força de passar a mensagem. Valha isso.